Capítulo 98 - Ele também chegou
Felizmente, nas festas da aldeia, cada família compra sua própria carne, colhe os próprios legumes e prepara a comida em casa, raramente convidando chefs da cidade. O custo é mantido baixo, afinal, os moradores não têm muito dinheiro; cinquenta ou cem, é só uma demonstração de intenção. Depois de um dia inteiro de trabalho e alegria, as três mulheres da casa se ocupam lavando pratos, limpando panelas e arrumando o lar.
Após um dia cansativo, Hua Xiaoman sente-se realmente um pouco relutante; agora que irá estudar fora, voltará com menos frequência. Naquela noite, ao fazer as contas, quando a avó lhe entrega o dinheiro, Xiaoman não consegue evitar e faz uma sugestão:
— Vovó, venha comigo para o sul. Dizem que o clima lá é bom, as estações são bem definidas, no inverno não chega nem a zero grau, nem precisa aquecimento. Tenho dinheiro guardado, suficiente para nós, depois que terminar a faculdade, vou procurar trabalho, posso cuidar de você.
— Estou acostumada a viver aqui, não quero me mudar. Quando você se casar, eu já não vou poder trabalhar mais, aí a gente conversa — respondeu a avó, claramente sem intenção de ser um peso para Xiaoman.
Xiaoman hesitou, mas abriu o jogo:
— Vovó, talvez você já tenha notado, depois daquela febre no Ano Novo, parece que despertei algum dom especial, agora consigo prever um pouco o futuro.
— Eu sei. Já devia ter partido, viver mais meio ano é lucro.
— Não fala assim, vovó. Se você não estiver mais aqui, como fica a Nan Nan sozinha? Venha comigo, assim posso cuidar de você. Agora que o jade se quebrou, não estou tranquila.
Se não fosse pelo jade que Chu Huai deixou, provavelmente da última vez a avó de Xiaoman e a outra senhora teriam ido parar juntas no hospital. Hoje, as duas velhas provavelmente já estariam dividindo uma cadeira de rodas. A avó escapou graças ao jade que a protegia.
É uma história misteriosa, mas a avó acredita. Depois de pensar, decidiu esperar:
— Vá primeiro. Depois da colheita, quando eu terminar de recolher os legumes e o trigo, vou para lá. Se deixar tudo no campo, é um desperdício.
— Combinado. Em outubro, no feriado de novembro, volto para te buscar.
— Para quê? Eu vou sozinha. De cá para o sul de trem são cinco dias de viagem. Você não tem tempo. E estudante só tem desconto nas férias de verão e inverno, fora isso a passagem é cara.
Nem é tão caro, pouco mais de trezentos, mas não dá para pegar leito, só assento duro. Ida e volta passa de setecentos, para essa família não é pouco.
Agora que a avó concordou, Xiaoman está mais tranquila, só espera que nada aconteça com ela em setembro. Assim que a avó estiver no sul, morando perto, poderá cuidar de tudo e reagir rápido se algo acontecer.
O curso que Xiaoman escolheu é um mistério para a família; só sabem que tem a ver com medicina. Medicina veterinária também é medicina, mas eles não entendem a diferença e Xiaoman não explicou muito.
Durante esses dias em casa, Xiaoman não tocou nos cansativos livros de física, química e matemática; pela manhã revisa inglês, no resto do tempo se aprofunda nos livros de medicina tradicional chinesa.
Chu Huai dizia que a medicina tradicional é a base de toda a medicina do país. Não é preciso se aprofundar, mas é importante conhecer. Xiaoman acha que ele tem razão; pelo menos, lendo esses livros, pode praticar algumas técnicas de saúde e diagnóstico.
O tempo passou rápido, logo chegou o fim de agosto. Chu Huai parecia ocupado no trabalho, não voltou mais, mas enviou duas cartas a Xiaoman e ligou duas vezes. Soube que ela foi aprovada na Universidade do Sul e ficou muito feliz, até perguntou o horário do trem, prometendo ir buscá-la.
Xiaoman e Mi Xiaofeng compraram bilhetes de assento duro, ficaram juntas na fila e nos lugares.
No dia da viagem, na sala de espera, Xiaoman viu alguém que a surpreendeu — Zhu Haibin!
Zhu Haibin, com uma mala azul, cumprimentou Xiaoman e suas amigas:
— Xiaoman, agora somos colegas de universidade, conto contigo.
— Você? Universidade do Sul? — Xiaoman mal podia acreditar. Não era ele que só queria a Universidade de Jiuhua? E no resultado do vestibular, não vi o nome dele na Universidade do Sul.
— Procurei o coordenador de admissões da Universidade do Sul, ele achou que eu tinha potencial e me ajudou a conseguir uma vaga especial. Agora vou cursar o mesmo curso que Mi Xiaofeng.
Computação, gênio dos estudos. Xiaoman pensou, invejosa, mas ficou feliz por Zhu Haibin.
Mesmo que a Universidade do Sul não seja tão prestigiada quanto Jiuhua, ainda é excelente, ao menos ele não precisa repetir o vestibular e desperdiçar mais um ano.
Zhu Haibin é realmente persistente; na vida passada, repetiu três vezes e nunca conseguiu entrar em Jiuhua, sempre por um ou dois pontos! Com tantas repetições, ficou muito pressionado e acabou escolhendo um curso de economia.
Não imaginava que nesta vida ele mudaria de escolha, será que teve relação com ela?
Xiaoman franziu a testa, não queria saber.
E quem acompanhava Zhu Haibin era ainda mais inesperado: Zhu Chengjun!
Quase esquecera que a Universidade do Sul reunia muitos talentos, Zhu Chengjun era um deles, aprovado para o temido curso de matemática.
— Xiaoman, não foi você que disse que Jiajia também se inscreveu na Universidade do Sul? — Zhu Chengjun perguntou, quase acusando.
Xiaoman fez pouco caso:
— Ela disse isso, mas o principal é que se inscreveu comigo na Universidade do Sul, não passou, não tem o que fazer.
— ... Só isso?
Zhu Chengjun queria explodir! Nós preenchemos as opções de acordo com a nota, não é? Com o desempenho de Lu Meijiao, sem atingir a linha dos melhores, inscrever-se nas universidades de elite não passa de brincadeira, afinal, não seria aceita...
— “A Estranha Fortuna da Madeira Celestial” —
— Lu Meijiao vai para a Escola de Geologia do Sudoeste, não é da nossa turma — respondeu Mi Xiaofeng, sem saber da história, mas com simpatia.
Xiaoman, contrariada, não resistiu ao comentário:
— Cada um sabe o que fez. Se não fosse por você, fazendo ela cair, Lu Meijiao teria conseguido pelo menos mais trinta pontos.
Não ousava mencionar o caso de abuso; falar disso destruiria a reputação de Lu Meijiao, então buscou outro motivo.
— Eu não a empurrei...
— Você sabe muito bem o que fez — Xiaoman respondeu friamente. — Não quero colegas como você, na faculdade não precisamos manter contato.
— Xiaoman, o que houve? — Mi Xiaofeng e Zhu Haibin perceberam a tensão.
Xiaoman, normalmente gentil, só perde a calma quando a provocam de verdade, exceto no dormitório feminino; na sala de aula, raramente se desentende assim.
— Xiaoman? — Mi Xiaofeng segurou o braço dela.
Xiaoman balançou a cabeça:
— Ele não é uma boa pessoa, não se aproxime. Confie em mim.
Zhu Haibin, imaginando coisas, perguntou:
— Ele tentou te agarrar?
— Cala a boca! — Que tipo de gente...
Mas não podia continuar, não podia dizer que ele assediou Lu Meijiao, isso prejudicaria a reputação dela.
Zhu Chengjun percebeu pela atitude de Xiaoman que ela sabia de tudo. Com os olhos vermelhos, afastou-se e sentou em outro banco de descanso.