Capítulo 70: Mensagem
Quando Chu Huai acordou, os outros já tinham praticamente terminado os interrogatórios.
O primeiro discípulo de Kuang Qingren, Ameng, já estava esperando e, assim que viu Chu Huai, foi cumprimentá-lo:
“Esses caras são bem duros na queda. Tentamos de tudo, mas não conseguimos fazê-los abrir a boca. Chu, tente você. O mestre disse que os formados como você têm mais métodos.”
“Certo.” Chu Huai assentiu. “Irmão Meng, peço que fique de guarda para mim. Não deixe ninguém nos interromper.”
“Pode deixar, sei o que fazer.”
O dom especial de Chu Huai não era de conhecimento de todos; apenas alguns líderes sabiam. Entre os membros do grupo de operações, só Kuang Qingren tinha ciência disso. Para os outros, a explicação oficial era de que Chu Huai era um excelente psicólogo, especialista em hipnose.
Na verdade, Ameng já tinha tido bastante contato com Chu Huai, vigiando a porta para ele muitas vezes, e já suspeitava que Chu Huai era diferente — pelo menos, nenhum outro psicólogo parecia tão incrível quanto ele. Mas, como era um segredo, todos fingiam não saber.
Com Ameng vigiando a porta, Chu Huai ainda trancou por dentro antes de abrir a primeira sala de interrogatório. Cumprimentou o líder do grupo que estava lá dentro, e foi direto ao ponto:
“Vocês vieram atrás de mim. Por quê?”
“Alguém pagou muito, queriam sua cabeça!” O homem olhou fixamente para Chu Huai, rangendo os dentes. “Malditos, me deram uma informação errada, disseram que você era só um médico franzino! Quando eu sair daqui, vou acertar as contas com eles.”
“Duvido que você saia. Melhor me passar o contato deles, eu posso resolver isso por você.” Chu Huai sorriu.
“Hmph. Faça o que quiser, torture à vontade. Mesmo que saiba hipnose, não vai conseguir me controlar!”
Realmente, era alguém de fibra.
Mas Chu Huai não estava ali para convencê-lo só com perguntas. O que ele queria era estimular suas emoções, e, enquanto isso, usava aquele olhar estranho para vasculhar os segredos do homem. Não precisava perguntar, nem hipnotizar — apenas gravava tudo diretamente.
Desta vez, porém, enquanto lia a mente do interrogado, sentiu algo diferente, como se alguém o estivesse espionando!
“Quem é?”
Sua presença se impôs, e a sensação de estar sendo vigiado desapareceu imediatamente.
Ainda desconfiado, ele inspecionou todo o ambiente, mas não encontrou nada suspeito.
Por precaução, pediu que Ameng, com mais alguns homens, revistasse toda a área ao redor da sala de interrogatório, inclusive acima e abaixo do local.
Depois de confirmar que realmente não havia ninguém e que aquela sensação estranha não voltara, passou ao próximo interrogatório.
A hipnose ainda seria necessária, pelo menos como cortina de fumaça para justificar seu método secreto.
Mas nem todos os hipnotizados colaboravam, dizendo o que pensavam. Por exemplo, aquele chefe que acabou de interrogar: mesmo hipnotizado, sua força de vontade era tamanha que só conseguia dormir profundamente, sem responder a nada.
Não fazia diferença; Chu Huai já sabia de tudo.
Aquele episódio de ser espionado deixou Chu Huai desconfiado e ele comentou com Kuang Qingren.
Kuang Qingren era um homem envolto em mistérios: além das artes marciais, dominava várias técnicas ocultas. Era um mentor a quem Chu Huai respeitava muito.
Kuang Qingren lembrou de algo: “No dia da ação, quando Ding tentou te atacar de surpresa, alguém te avisou? Só assim você escapou. Aconteceu tudo tão rápido... Acho que vi um pequeno redemoinho do espaço-tempo perto de você.”
“Redemoinho do espaço-tempo? O que é isso?” Como estudante do novo milênio, Chu Huai era curioso sobre essas coisas desconhecidas.
“Será que tem a ver com sua nova namorada? Não sinto más intenções nela, mas a habilidade que possui é impressionante. Se possível, traga-a para me conhecer da próxima vez. Quem sabe eu possa orientá-la um pouco.
Ah, a travessia do espaço-tempo é uma técnica secreta. Cada uso consome muita energia e pode causar um grande desgaste no corpo de pessoas comuns.
É como o seu dom de ler mentes: se não fosse pelo método de cultivo que te ensinei, você já teria se esgotado e morrido. Por isso, tantos gênios acabam morrendo cedo.”
“Combinado, vou tentar trazê-la depois do vestibular, no segundo semestre.” Chu Huai acenou prontamente.
Ele realmente não queria envolver Hua Xiao Man em situações assim, pois o dom dela era peculiar, e, se chamasse atenção, poderia ser perigoso.
Kuang Qingren, que não sabia ler mentes, percebeu a hesitação de Chu Huai e sorriu:
“Acompanhei seu crescimento, e com os nossos sempre tenho um pouco de preferência. Quando for para trazê-la, marcamos um almoço fora daqui. Aqui tem muita gente, não seria adequado.”
“Muito obrigado, professor.” Chu Huai ficou sinceramente contente.
“Aqui está tudo sob controle. Deixe as anotações comigo, minha secretária organiza o resto. Melhor você ir logo, ver como ela está. Acredito que não terá grandes problemas.”
“Sim.”
...
O que poderia acontecer com Hua Xiao Man? E, se algo tivesse acontecido, já teria passado.
O sonho premonitório dela foi na quarta-feira; a ação de Chu Huai foi na sexta. Na sexta-feira, Hua Xiao Man já estava completamente recuperada.
Por mais ansioso que estivesse, Chu Huai ainda precisava cumprir todos os trâmites. O voo ficou marcado para o sábado ao entardecer; só chegaria à cidade de U à noite. Depois, mais uma viagem de ônibus noturno de duas ou três horas até o condado de Mi. Só chegaria de madrugada.
No sábado, não conseguiria ver Hua Xiao Man. Até pensou em ligar para ela, mas o dormitório do colégio não tinha telefone, e ela mesma não possuía um.
Lembrou, então, que Dong Xuemei havia deixado seu número de pager e se oferecido para transmitir qualquer recado à Hua Xiao Man.
Feliz, mandou uma mensagem: “Avise Xiao Man que nos veremos amanhã de manhã.”
Dong Xuemei recebeu o recado e ficou surpresa. O número era estranho... Quem seria?
Logo percebeu que só podia ser Chu Huai!
Normalmente, nos fins de semana, Hua Xiao Man costumava procurar Chu Huai e passava quase o dia todo fora. Mas aquele sábado foi diferente: além de sair cedo para dar uma volta em frente à escola e trazer uns pastéis de carne para o dormitório, ficou o dia todo na sala de aula, estudando.
Dong Xuemei, sempre atenta a Hua Xiao Man, percebeu que ela estava um pouco distraída. Sempre tão aplicada, estudiosa, dedicada, naquele dia parecia que se perdia nos próprios pensamentos, olhando para o nada.
Ao receber a mensagem, Dong Xuemei entendeu tudo: Chu Huai não estava por perto naquele dia e marcara um encontro para a manhã seguinte. Mas deveria contar isso a ela?
“Xiao Man.” Dong Xuemei chamou suavemente.
Hua Xiao Man virou-se e perguntou baixinho: “O que foi?”
O estudo aos sábados não era obrigatório; estávamos perto do vestibular e todos compareciam por iniciativa própria. Nas turmas dos primeiros anos, esses estudos eram só um pretexto para conversas, petiscos, histórias, cantorias e distrações.
Mas, na sala do terceiro ano, todos sentiam a pressão e mantinham a disciplina, conversando apenas o essencial.