Capítulo 84 — As Portas Foram Fechadas

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2405 palavras 2026-03-04 15:01:09

— Essa Dong Xue Mei tem sérios problemas psicológicos, sinais de paranoia. Assim que saíram do hospital, Chu Huai não pôde deixar de alertar Hua Xiao Man:
— Pessoas assim, às vezes, se perdem em sua própria lógica, é impossível conversar com elas. Tenha cuidado, não se aproxime demais.
— Está bem — respondeu Hua Xiao Man, assentindo. Olhou para o relógio eletrônico no pulso e, de repente, soltou um grito:
— Já são dez e meia!
— O que foi?
— Perdi o horário, o dormitório está fechado, não posso voltar. — Hua Xiao Man estava desanimada: onde dormiria?
— Se não se importar, pode passar a noite no meu quarto — convidou Chu Huai, explicando:
— Eu posso dormir no escritório do hospital à noite.
— Certo, obrigada — respondeu Hua Xiao Man. Havia hotéis na cidade, mas ela nunca dormira fora de casa; sair de madrugada para um hotel parecia estranho. O quarto de Chu Huai era mais confortável.

Chu Huai a acompanhou até lá, preparou toalha, escova de dentes, sabonete facial e outros itens de higiene. Não saiu imediatamente; enquanto ela se lavava, trocou os lençóis e a capa do edredom.

Chu Huai morava sozinho, então só tinha lençóis no padrão listrado azul-marinho que costumava usar, com aspecto frio e rígido, nada que lembrasse as cores quentes que agradam às garotas.

Hua Xiao Man tomou banho rapidamente, sem lavar o cabelo, trocou de roupa no banheiro e saiu. Chu Huai já havia aquecido novamente as espigas de milho que ela trouxera de casa, usando uma pequena panela elétrica. Agora descascava as espigas, deixando Hua Xiao Man com água na boca.

Os dois, no meio da noite, comeram cada um sua espiga de milho, sentindo o sabor com prazer.

— Seu escritório no hospital tem cama? — perguntou Hua Xiao Man, mordendo a espiga dourada, preocupada com Chu Huai.

Chu Huai balançou a cabeça:
— Não tem cama, mas junto as mesas, coloco um lençol e dá para dormir. Esqueceu que treinei no exército? Acampamento é tranquilo, isso não é problema.

— Então arrume aquela mesa, coloque um cobertor — Hua Xiao Man apontou para a escrivaninha do quarto, depois baixou a cabeça, um pouco constrangida:
— Eu estou com medo.

— Está bem — respondeu Chu Huai sorrindo, com brilho nos olhos.

Convidar um homem para dividir o quarto era embaraçoso para Hua Xiao Man, mas ela não era tão conservadora; fazia o que queria, sem se importar com comentários alheios.

Depois de comer o milho, Hua Xiao Man recolheu as espigas e as cascas, enquanto Chu Huai afastou as mesas, limpou o espaço ao lado da cama e, do compartimento do armário, tirou um cobertor de lã florido, espalhando-o no chão.

— A mesa é pequena, melhor arrumar um colchão no chão.

Naquele condado, embora remoto, o clima era seco, e era comum preparar um colchão no chão quando faltava espaço para visitas. Cobertores de lã floridos eram essenciais para evitar a umidade.

— Vejo que é experiente, até tem cobertor de lã florido — comentou Hua Xiao Man casualmente.

Chu Huai apressou-se em explicar:
— Xiao Man, não se engane, esse cobertor de lã foi presente da família de um paciente de uma minoria étnica. Eu tentei recusar, mas insistiram. Achei a estampa bonita e aceitei como lembrança.

— É mesmo bonito, totalmente artesanal. Daqui a algumas décadas, pode virar patrimônio cultural — assentiu Hua Xiao Man.

Logo percebeu que estava falando demais, quase revelando seu segredo de ter renascido!

Felizmente, ela tinha a habilidade de adivinhar, então disfarçou, exibindo um ar misterioso de quem lê o destino.

Vendo Hua Xiao Man daquele jeito, Chu Huai não pôde conter o riso:
— Está bem, se você gosta, vou guardar. Se não tiver onde dormir da próxima vez, venha aqui, usarei o cobertor para preparar o colchão no chão.

— Certo — respondeu Hua Xiao Man, sem cerimônia.

— Já são onze e meia, vamos apagar a luz e dormir.

Hua Xiao Man não trouxe pijama; tirou a jaqueta e dormiu de camisa de algodão e calça jeans, entrando no edredom.

Chu Huai apagou a luz, também não tirou a roupa, deitou-se no colchão improvisado no chão.

Deitada na cama, Hua Xiao Man segurava o edredom, sem conseguir dormir. Os lençóis recém-trocados tinham um suave perfume de sabão em pó; ela sentia que, não muito longe, os olhos de Chu Huai ainda estavam abertos, brilhando levemente.

A luz da lua lá fora era boa, as cortinas do quarto eram finas, então o luar entrava um pouco. O quarto era escuro, mas não completamente.

— Chu Huai, não consigo dormir — disse Hua Xiao Man de repente. — Você sabe contar histórias?

— Contar histórias? Não sou bom nisso — respondeu Chu Huai, um pouco constrangido. — Talvez eu possa cantar uma canção de ninar.

— Ah? Tenho quase dezoito anos... ainda ouvir canção de ninar? Não é vergonhoso?

Hua Xiao Man ficou sem jeito, mas Chu Huai já começava a cantarolar.

E não é que aquela versão da canção de ninar, não sabia de onde vinha, era diferente das que Hua Xiao Man já ouvira, a melodia parecia especialmente suave e tranquila.

Ela dizia que não queria ouvir, mas logo, sem perceber, adormeceu.

Chu Huai cantou por mais um tempo, percebeu que a respiração de Hua Xiao Man estava calma e regular, sabia que ela já dormia, então parou.

Ficou de olhos abertos, olhando para o teto, incapaz de dormir.

Não era questão de se acostumar ao colchão no chão, mas sim que, de fato, nunca tinha dormido no mesmo quarto com uma garota — e aquela garota confiava tanto nele, ousava dividir o quarto com um homem, ainda por cima adormecendo antes dele, sem medo algum...

Não podia pensar mais nisso!

Chu Huai fechou os olhos rapidamente, a mente confusa.

Felizmente, Hua Xiao Man tinha bons hábitos de sono, dormiu profundamente até as seis da manhã, acordando cedo.

Chu Huai levantou ainda mais cedo e estava lavando o rosto.

— Bom dia, desculpe, acabei te atrapalhando, você está com olheiras — Hua Xiao Man apontou para os olhos de Chu Huai.

— Não tem problema, daqui a pouco passo uma toalha que some — respondeu ele, sem coragem de admitir que não dormiu nada a noite toda!

Ninguém sabia explicar, ele simplesmente não conseguia dormir. Não era alguém movido pelo desejo, tampouco fizera algo a Hua Xiao Man, mas a noite inteira a mente era invadida por pensamentos estranhos e caóticos.

— Vá se lavar também, depois te levo ao refeitório para o café da manhã.

— Está bem.

O refeitório do hospital abria cedo para o café; era preciso aproveitar o tempo.

Hoje era domingo, Hua Xiao Man não pretendia voltar para a escola durante o dia, preferiu ficar no quarto de Chu Huai estudando.

Chu Huai estava exausto, dormiu encostado na cama durante o dia; Hua Xiao Man não o incomodou, cobriu-o com um cobertor e continuou revisando.

Depois de horas de sono, Chu Huai estava revigorado; à tarde, ajudou a resolver algumas questões e, em seguida, revisou sistematicamente alguns pontos com Hua Xiao Man.

Após um ano, Hua Xiao Man havia progredido muito nos estudos, dominava bem os conteúdos, mas ainda caía em algumas “armadilhas” típicas, perdendo pontos em detalhes que os professores adoravam explorar nas provas.