Capítulo 85: Que beleza

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2362 palavras 2026-03-04 15:01:09

Antes, Chu Huai havia pedido a ela que preparasse um caderno de erros para cada matéria. Sempre que errasse uma questão, deveria anotá-la e, depois de encher as páginas, revisar todas quando tivesse tempo, garantindo que não cometeria o mesmo erro novamente antes de riscar a questão do caderno.

Agora, mais da metade do caderno de erros de Hua Xiaoman já havia sido riscada, restando apenas as últimas páginas. Chu Huai revisou tudo novamente com ela.

Hua Xiaoman era extremamente atenta ao estudar. Quando se aproximava, era possível enxergar com nitidez até os poros delicados de seu rosto e algumas mechas de cabelo junto à orelha. Os cílios longos, levemente curvados, davam-lhe um ar de pureza em meio à beleza, despertando em quem a observava a vontade irresistível de morder suavemente.

Quando se distraía, costumava morder a tampa da caneta ou o próprio lábio inferior. Os lábios, naturalmente rosados e sem maquiagem, tinham uma cor suave que era tão confortável quanto provocante, convidando a um pequeno mordiscar.

Chu Huai fechou os olhos e balançou a cabeça, questionando a si mesmo por que pensamentos tão estranhos lhe vinham à mente. Como poderia querer morder alguém assim, sem motivo?

Não, não estava certo. Ele não era uma pessoa mal-intencionada e não podia se aproveitar de Xiaoman.

— Continue estudando, eu vou ao hospital ver como está o senhor Dong.

Ao ouvir o nome de Dong Fuguai, Hua Xiaoman se animou:

— Posso ir com você?

Chu Huai sentiu que Hua Xiaoman estava especialmente encantadora naquele dia. Por que, ao piscar e sorrir daquele jeito, ela também dava vontade de ser mordida?

Esforçando-se para manter a compostura, ele respondeu com frieza:

— Tudo bem, vamos juntos.

Na noite anterior, ele usara seu jaleco branco ao voltar para casa e agora o vestia novamente, transmitindo um ar ainda mais sério.

A aura de Chu Huai parecia mais fria, fazendo Hua Xiaoman, instintivamente, manter uma pequena distância e caminhar um passo atrás dele.

Chu Huai franziu os lábios, insatisfeito. Olhou para o sol brilhando no céu; naquele dia, o astro parecia mais ofuscante e menos bonito. Ela, sim, era bela, e quanto mais a olhava, mais gostava.

Sem perceber, virou-se para Hua Xiaoman e encontrou o olhar curioso dela.

Só então percebeu que talvez estivesse agindo de forma estranha, então encontrou uma desculpa:

— Seu cabelo... não está bem preso ali.

— Onde? — Hua Xiaoman passou a mão no topo da cabeça, tentando ajeitar alguns fios soltos. Como estudante, carregava uma mochila cheia de livros, sem espaço para pentes, espelhos ou batom.

— Não consigo ver, só posso ajeitar assim. Ficou melhor?

— Aqui também — disse Chu Huai, aproximando-se, ainda com pose distante, e alisou delicadamente uma mecha junto à orelha dela. Mas logo percebeu que aquele fio era tão curto que nem poderia ser preso.

Estava procurando pelo em ovo, criando problemas à toa, mas já que começara, precisava terminar. Deu então um conselho:

— Deixe assim, depois é só prender com um grampo.

— Certo.

Hua Xiaoman ficou intrigada: será que Chu Huai tinha TOC? Ou seria virginiano?

— Chu Huai, quando é o seu aniversário?

— Sete de setembro. E o seu?

— Que coincidência, também é dia sete, mas de julho. — Hua Xiaoman mostrou a língua, confirmando suas suspeitas: virginiano mesmo!

— Que curioso. O seu realmente tem um significado especial... — Chu Huai também ficou surpreso. Que azar, fazer aniversário justo no primeiro dia do vestibular.

— Pois é. Mas não vai ser mais assim, já que a prova será em junho daqui pra frente. — Pensou Hua Xiaoman consigo mesma.

Foram conversando trivialidades enquanto caminhavam. O bate-papo deixou Hua Xiaoman mais à vontade, permitindo que andasse lado a lado com Chu Huai, e sempre que ele virava, podia vê-la.

Olhar nos olhos de alguém durante uma conversa era uma habilidade fundamental para um psicólogo.

Chu Huai não via problema algum. Mesmo que não conseguisse ler os pensamentos dela, podia ao menos apreciar a paisagem.

Entre palavras sem muita importância, chegaram ao hospital.

Lá dentro, Hua Xiaoman ficou mais contida, seguindo obediente atrás de Chu Huai.

Com expressão séria, ele caminhava à frente, imponente, sem que ninguém ousasse questionar.

Dong Fuguai ainda precisava ficar internado para observação. Dong Xuemei estava ao lado dele, os dois em silêncio: ela lia, ele telefonava para resolver assuntos de trabalho.

Só ao verem Chu Huai entrar, colocaram de lado o que estavam fazendo.

— Xuemei, vá dar uma volta com sua colega — sugeriu Dong Fuguai.

— Está bem. — Dong Xuemei pegou a mochila e chamou Hua Xiaoman.

— Cuide-se, tio Dong — disse Hua Xiaoman, despedindo-se educadamente, feliz por sair com Xuemei.

Na vida anterior, ela precisava conter o desconforto e chamar aquele homem de marido. Agora, podia andar sob o sol e chamá-lo de tio.

Chu Huai era o seu sol. Antes de sair, Hua Xiaoman ainda lhe dirigiu um sorriso radiante.

Chu Huai, ao ouvir a voz dela, olhou instintivamente e ficou deslumbrado com o sorriso.

Havia tanta doçura naquele sorriso que ele quase não conseguiu evitar sorrir também.

Não podia, era hora de ser sério e reservado. Que sorriso era aquele? Chu Huai, você está estranho hoje!

Respirou fundo para se recompor. Só depois que Hua Xiaoman fechou a porta, ele sorriu para Dong Fuguai.

Do outro lado, Hua Xiaoman e Dong Xuemei sentaram-se num banco do corredor e conversaram baixinho.

— Xuemei, está tudo bem? Você não dormiu nada esta noite, não foi?

— Estou bem. Passei um tempo deitada na poltrona do quarto. Xiaoman, me diga a verdade: sua prima, Liu Cuiying, já teve um namorado antes?

— Falar mal dos outros pelas costas não é correto...

— Você é ingênua demais — Dong Xuemei riu friamente. — Sabe o que Liu Cuiying disse ontem à noite? Que ela deu remédio para o meu pai só para chamar o doutor Chu, e depois, quando você voltasse para casa, os vadios da vila pudessem te atacar.

— Isso não é verdade! — negou Hua Xiaoman de imediato. — Olhe pra mim, estou ótima, pareço alguém que passou por problemas? Xuemei, você realmente mudou, agora até inventa mentiras. Ela é minha prima, estudamos juntas desde pequenas, temos uma ótima relação, como ela poderia querer me prejudicar?

Se negasse, Liu Cuiying seria mesmo acusada de tentativa de homicídio!

— E outra, se fosse assim, por que ela mesma não fingiu estar doente para chamar o doutor Chu? Por que envolver o tio Dong? Que ideia sem sentido!

No fundo, era mesmo absurdo. Ser boba e má ao mesmo tempo, não admira que merecesse o que aconteceu.

Quanto mais pensava sobre o ocorrido do dia anterior, mais Hua Xiaoman se assustava. Não podia confiar apenas nos sonhos para prever tudo; diante de uma situação tão séria, ela nem sequer sonhou a respeito.

Por sorte, aprendera um pouco de autodefesa com Chu Huai e, graças ao hábito de correr cedo, seus reflexos estavam rápidos e conseguiu escapar.

Se tivesse sido arrastada por Jia Xiaochuan para um milharal, mesmo que se defendesse, sairia de lá com as roupas em desalinho, sem explicações convincentes, e as fofocas correriam soltas pela vila.

Quanto a Jia Xiaochuan, era um sujeito sem apoio, vivendo à toa. Ninguém se importaria em pagar por seu tratamento. Se tivesse se machucado gravemente, teria ido ao posto de saúde da vila, recebido um curativo e nada mais — dinheiro para o hospital do condado, ele não tinha.