Capítulo 87: Excursão Organizada
29 de junho, sexta-feira, restavam apenas oito dias para o exame nacional.
Faltava pouco mais de uma semana! Curiosamente, os professores já não exigiam tanto, apenas pediam insistentemente aos alunos que não se esforçassem demais por causa da prova, para não adoecerem e terem o desempenho prejudicado. Nesses últimos dias, reforçavam a importância do relaxamento, orientando para manter a rotina de sempre, sem dar peso exagerado ao exame.
Para ajudar os alunos a descontrair, a escola organizou uma excursão ao Monte da Lagoa Celeste, para todos os alunos do último ano, no sábado e domingo. Cada um precisava pagar cinquenta reais, com inscrição voluntária.
O passeio já estava decidido há tempos e, naquela tarde, seria a última chamada para confirmar os inscritos e coletar o pagamento.
— Pequena Manhã, vamos juntas, eu pago para você — disse Neve do Inverno, agarrando-se à Pequena Manhã para convencê-la.
— Não vou, tenho outros compromissos amanhã — recusou Pequena Manhã com um abano de cabeça. — Além disso, minha gripe ainda não passou e não consigo acompanhar o ritmo. Se acabar transmitindo para vocês, seria ruim.
Pronto, bastou mencionar contágio para que todos se preocupassem, esquecendo que dividir o dormitório já facilitava a transmissão. Mas eram jovens saudáveis de dezoito, dezenove anos, e ninguém do quarto havia sido contaminado por Pequena Manhã.
— Mar dos Presentes, você já sacou o dinheiro e agora diz que não vai? É porque a Pequena Manhã não vai que você também desistiu? Ela vai encontrar o namorado no fim de semana, não tem nada a ver com você! — zombou Zic, espirituosa como sempre.
Mar dos Presentes pareceu afetado, mas logo entregou o dinheiro:
— Eu não disse que não iria, não inventa.
Depois disso, incentivou a turma:
— Este passeio pode ser nossa última oportunidade de estarmos juntos, quem não tiver razão forte deveria ir.
— Eu pago tudo, chega de cobrança. Rocha Alegre, devolva o dinheiro para todos — declarou Zic, generoso como só ele.
Alguns, orgulhosos, insistiram em pagar por si mesmos, e Zic não forçou, acabando por custear metade do grupo.
Ainda assim, Pequena Manhã não quis ir. Zic não teve escolha a não ser dar de ombros a Neve do Inverno, sugerindo que ela tentasse mais uma vez convencê-la.
Convencer para quê? Já que Mar dos Presentes vai, melhor mesmo que Pequena Manhã não vá.
Neve do Inverno cuidava apenas da recuperação da gripe da amiga e não insistiu no passeio.
Dizer que a viagem seria relaxante era, na verdade, um tanto contraproducente para alguns alunos.
Por exemplo, depois do toque de recolher, o dormitório feminino, geralmente tranquilo, continuava em algazarra, sem ninguém deitado ainda.
— Irmã Milho, será que vai chover amanhã? Preciso levar guarda-chuva?
— Ouvi dizer que no Monte da Lagoa Celeste faz muito frio, meu pai me levou para lá há dois anos e tivemos que usar roupa de inverno.
— Levo um par de meias a mais? Onde vamos dormir? Linda, você está pisando em mim.
— Desculpe, estou procurando roupa.
O dormitório estava longe de ficar quieto. Pequena Manhã não se incomodava com o barulho. Após três ou quatro meses de convivência, agora que a separação se aproximava, o sentimento era de nostalgia.
Ela tinha três motivos para não ir ao passeio: primeiro, viagens antes do exame não eram recomendadas e podiam causar imprevistos físicos e emocionais; alguns se distraíam demais, e tudo isso acabava afetando os estudos. Incapaz de se opor à escola, escolheu se ausentar.
Em segundo lugar, sua gripe não havia melhorado e o esforço físico agravaria o quadro.
Por fim, com pessoas como Neve do Inverno presentes, Pequena Manhã não queria viajar com ela. Quem sabe o que uma pessoa dessas poderia aprontar em meio ao mato? Perto do exame, era melhor evitar problemas.
Apesar disso, vendo as amigas animadas, ajudou com sugestões:
— Levem um pouco de óleo de vento, tem muitos insetos na montanha. Linda, não se esqueça de levar pão, vai que a fome atrapalha. Minha avó mandou conserva de nabo, podem levar também.
— Ah, conserva de nabo, não vou recusar — respondeu uma delas.
Nos outros quartos do último ano a empolgação era a mesma, ninguém conseguia dormir.
Só o rugido da professora Vera, responsável pelo dormitório, no corredor, trouxe silêncio ao mundo.
— Todas na cama agora! Vou passar em cada quarto conferindo! Quem não estiver deitada não vai viajar amanhã!
Bastou uma ameaça para que as meninas entrassem debaixo das cobertas, algumas sem nem trocar de roupa.
A professora Vera patrulhou o corredor várias vezes até que, finalmente, as jovens entusiasmas se acalmaram.
No dia seguinte, antes das seis da manhã, já havia gente de pé arrumando a mochila. Perto das cinco e meia, quem ia viajar já estava de pé, e Pequena Manhã, acordada pelo movimento, levantou-se e disse com seriedade a Linda:
— Linda, você confia em mim?
— Claro, você é minha fada das flores!
— Então não vá ao passeio hoje.
— Por quê? Vai acontecer alguma coisa comigo?
— Não sei exatamente o quê, mas vejo sinais sombrios no seu rosto. Não é bom presságio. Melhor não ir — insistiu Pequena Manhã.
Linda sacudiu a cabeça:
— Não posso, já prometi que iria. Posso só tomar cuidado?
— Sim, todas estaremos de olho na Linda — disseram as outras.
Com o apoio das colegas, Pequena Manhã não insistiu mais, apenas alertou:
— Linda, não se afaste do grupo, principalmente não vá a lugares desertos.
— Está bem, já entendi. Até logo, fada das flores.
A muito tempo Pequena Manhã não mostrava seus dons de adivinhação e, com o tempo, Linda já não acreditava tanto nisso. No fim, todos eram estudantes do ensino médio e acreditavam na ciência.
Quando Pequena Manhã previu o fim do namoro de Linda com Zic, ela até ficou impressionada, mas depois achou que era apenas uma questão de conhecer o histórico mulherengo de Zic.
Agora, Linda mesma brincava: "Eu prevejo que o namoro do Zic não dura mais que duas semanas."
Era mais um palpite do que previsão, e às vezes dava certo por acaso.
O pedido súbito de Pequena Manhã para que Linda não fosse ao passeio deixou-a desconfortável. Se não fosse, pareceria covardia.
Logo era hora de partir, as colegas apressavam Linda, que se despediu com um aceno para Pequena Manhã e desceu correndo as escadas.
Pequena Manhã sentou-se na cama de Linda e, para seu desconforto, não sentiu nenhum efeito colateral, nem mesmo a fome que costumava vir após mudar o destino de alguém.
Isso a deixou inquieta. Na noite anterior, sonhara que Linda, durante o passeio, ficava sozinha e era arrastada para a floresta por um colega de turma, Justo Júnior, que aparentava ser tranquilo, mas a atacava.
Nesse momento tão delicado, um incidente como esse certamente prejudicaria o exame. Mas Linda não quis ouvir, e Pequena Manhã nada podia fazer. Se contasse, pareceria que estava difamando Justo Júnior sem motivo, e ninguém acreditaria.