Capítulo 44: Três Baldes de Pipoca

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2289 palavras 2026-03-04 15:00:38

O cinema ficava justamente atrás dos restaurantes de sopa e churrasco onde costumavam comer à noite. Havia muitos casais por ali, e na entrada estava pendurado o pôster do filme mais popular do momento, “Titanic”.

Ultimamente, “Titanic” dominava o mundo todo; o clássico gesto de abraço na proa do navio foi transformado num grande pôster, e qualquer cinema que não o exibisse parecia estar fora de moda.

Chu Huai comprou dois ingressos, pediu uma porção de pipoca, duas garrafas de refrigerante e uma porção de asas de frango fritas, puxando Hua Xiaoman para dentro do cinema.

Talvez pelo tema romântico de “Titanic”, aquela sessão era tipicamente para casais: quase todos estavam acompanhados, e dificilmente algum solteiro teria coragem de entrar.

Hua Xiaoman também sentiu-se constrangida. À sua frente, estava um casal de alunos do segundo ano da Escola Secundária de Montanha de Arroz — ela os via com frequência na escola, mas ali, no cinema, era impossível reconhecê-los.

Eles estavam de mãos dadas, cabeças encostadas, sussurrando constantemente, envoltos em doçura.

Antes, era comum para Hua Xiaoman ver Lu Meijiao e Wang Zi juntos na escola, e não achava nada de mais; mas hoje, sentia-se especialmente desconfortável, a ponto de querer desaparecer.

Talvez fosse por causa de Chu Huai: assistir a um casal se acariciar ao lado de um homem era uma sensação difícil de explicar.

Hua Xiaoman repetia para si mesma que devia manter a calma, e então devorava pipoca sem parar. Num descuido, terminou um balde inteiro. Chu Huai saiu e voltou com mais dois baldes para ela.

Durante todo o filme, Hua Xiaoman não parou de comer pipoca, focando-se totalmente no filme, sem coragem de olhar para o casal à sua frente, nem para as múltiplas duplas à esquerda, direita, à frente e aos lados.

Chu Huai também percebeu que Hua Xiaoman estava estranha, mas não conseguia adivinhar o que ela pensava. Apenas notou que o rosto dela estava anormalmente vermelho, mas não teve coragem de perguntar.

O rapaz à frente, de vez em quando, virava-se e trocava olhares com Chu Huai. Este conseguia ver o que lhe passava pela cabeça: aquele garoto, ainda no ensino médio, já pensava em como se aproximar da garota ao lado, e parecia bem apressado. Os adolescentes de hoje são mesmo ousados!

Quando o filme chegou ao seu ponto alto, os protagonistas começaram a se abraçar e, em seguida, a se beijar com paixão.

O constrangimento aumentou ainda mais.

Hua Xiaoman esforçou-se para manter a postura, pensando que não era nada demais; tinha visto cenas assim muitas vezes em sua vida anterior. Se o cinema podia exibir abertamente, por que ela não poderia assistir? Afinal, era alguém que já havia renascido, não tinha por que temer!

Mas Chu Huai estava ao lado dela, e ele olhava para ela de tempos em tempos, o que tornava tudo ainda mais difícil de explicar.

O pior foi que o casal à frente, influenciado pelo filme, teve a ousadia de se abraçar e se beijar ali mesmo. Quando se separaram, a garota chorou, sendo consolada pelo namorado, que a abraçava e beijava repetidamente a testa, os olhos e as lágrimas em seu rosto, dando início a uma nova onda de carinho.

A versão ao vivo estava bem diante dos olhos, e o constrangimento de Hua Xiaoman só aumentava; ela não sabia como agir.

E não era só isso: o clima de romance no cinema fez com que muitos casais encostassem as cabeças, quase sem distância entre si, e não era preciso olhar atentamente para saber o que estavam fazendo!

Ela sentiu que não deveria ter ido ao cinema, muito menos assistir a esse filme com Chu Huai.

Mas “Titanic” era realmente imperdível; toda a turma comentava sobre ele, e não assistir era como ser um alienígena.

Hua Xiaoman respirou fundo: concentre-se no filme e na pipoca!

Ela realmente não ousava pensar em mais nada; quanto mais pensava, mais seu rosto esquentava. Por sorte, a pipoca a salvou do constrangimento.

Ao redor, soavam murmúrios e risadas, misturadas ao estalo da pipoca que Hua Xiaoman mastigava, criando uma cena quase cômica.

Chu Huai também estava corado; afinal, além de notar os gestos dos outros, ainda percebia as emoções intensas de alguns quando viravam a cabeça.

Mas, enquanto Hua Xiaoman estivesse mais constrangida que ele, Chu Huai não se sentia tão ridículo. O contraste trazia uma sensação de superioridade, não era?

Enquanto Hua Xiaoman se concentrava em comer pipoca, ele focava no refrigerante. De vez em quando, trocavam olhares, mas não se atreviam a conversar, temendo dizer algo errado.

Felizmente, o filme não era tão longo; quando Hua Xiaoman acabou o terceiro balde de pipoca, a sessão terminou.

Ela ainda estava um pouco tonta, pois o final era trágico: o protagonista morreu para salvar a amada, e muitas garotas choravam copiosamente.

Hua Xiaoman não chorou, mas ficou tão cheia de pipoca que seu cérebro estava confuso e o coração apertado, sentindo-se mal.

Chu Huai só pôde segurá-la pelo braço, guiando-a para fora.

Comparado aos que abraçavam ou seguravam as mãos das namoradas, Chu Huai era muito mais contido.

Hua Xiaoman era uma garota sensível e orgulhosa; ele não ousava aproveitar-se dela. Mesmo pegar na mão lhe parecia um exagero, afinal, ela ainda era uma estudante do ensino médio, e ele não queria ser indecente.

Ao saírem do cinema, o vento da noite ajudou Hua Xiaoman a recuperar a lucidez. Ela soltou um longo suspiro, finalmente se livrando daquela atmosfera estranha.

— Está satisfeita? Ainda consegue comer mais? Que tal alguns espetinhos de churrasco? — sugeriu Chu Huai, sorrindo.

— Está ótimo, vamos lá! Não vou fazer cerimônia com quem paga — respondeu Hua Xiaoman, sorrindo e mostrando suas adoráveis presas.

Ainda estava um pouco zonza, e pensava no passado: naquela época, ambos já tinham quase quarenta anos. Chu Huai, solteiro, disse que se ela se recuperasse, a pediria em casamento.

Ela pensava que era apenas por compaixão; sempre acreditou nisso, porque não ousava imaginar outra coisa, achando que não era digna.

Agora, Hua Xiaoman era mais confiante; olhando para trás, pensava: talvez ele realmente estivesse esperando por ela? Afinal, Chu Huai era psicólogo e tinha muitos pacientes; será que usava o mesmo método com todos? Não parecia tratar os outros assim.

Enquanto esperavam o churrasco, Hua Xiaoman não resistiu e ergueu a cabeça, fitando Chu Huai com seus grandes olhos brilhantes:

— Dizem que psicólogos são muito nobres. Se, por exemplo, uma paciente sentisse desespero e não tivesse coragem de viver, você fingiria amá-la para dar-lhe forças?

— Não — respondeu Chu Huai, balançando a cabeça e encarando os olhos de Hua Xiaoman. Mas, infelizmente, não conseguia enxergar os pensamentos dela através do olhar.

— Talvez você não conheça os homens. Alguns são até volúveis, mas quando dizem que amam alguém, pelo menos naquele instante é verdadeiro.

Eu, Chu Huai, não me considero um desses; tenho convicções profundas sobre o amor. Só digo que amo alguém se realmente sinto isso; nunca usaria a mentira para declarar algo assim.

Além disso, na nossa área, o que você descreveu é proibido: misturar vida pessoal e profissional, aproveitar-se do paciente, jamais faria isso!

— Então, se você diz que gosta de alguém, é sempre de verdade? Pelo menos naquele momento em que diz, é sincero, certo? — Hua Xiaoman estava nervosa, sentindo-se mais próxima da verdade.

— Claro! Não sou desses volúveis, nunca declarei isso a ninguém. E você? — Chu Huai respondeu, igualmente nervoso, retribuindo a pergunta.