Capítulo 45: A Namorada Precisa Ser Mimada

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2350 palavras 2026-03-04 15:00:38

— Eu também — respondeu Flora, sem sequer hesitar.

Ao ouvir a resposta dela, Chuai sentiu o ânimo melhorar, um leve sorriso surgiu em seus lábios. Talvez ela ainda não soubesse, mas ele já sabia de tudo.

Dentro do coração de Flora, as emoções eram como ondas revoltas. Ela sempre pensou que sua vida passada fora uma piada, que vivera de maneira tão humilde e invisível, que talvez ninguém sentisse sua falta quando morresse.

Agora, porém, ela conhecia a verdade — sim, havia alguém! Pelo menos, ela tinha Chuai!

Na vida anterior, Chuai não a consolava apenas por compaixão, ele realmente havia se apaixonado por ela. Não sabia quando ele começara a nutrir esses sentimentos, mas lembrava-se do que ele dissera: que sempre a esperara e continuaria esperando. Não era consolo, era a verdade. Infelizmente, naquela época, Flora era dominada pela insegurança, incapaz de acreditar, pensando que tudo não passava de piedade.

Saber disso agora era algo extremamente importante para Flora! Ao menos, ela não era uma existência insignificante ou sem valor; ao menos, se morresse sem motivo, alguém se importaria.

— Flora, você está bem? — percebendo que ela estava um pouco abalada, Chuai lhe estendeu um copo de suco de coco.

Ela o pegou e bebeu de um só gole, a voz embargada:

— Estou bem, só acho que elas são muito infelizes. Mas, ao mesmo tempo, sortudas. Mesmo que ele tenha morrido, sua memória nunca se apagará; ele viverá para sempre no coração dela. Um amor assim, embora triste, é profundamente comovente.

Ah, ela estava falando do filme. Enquanto as outras garotas já tinham parado de chorar e começado a rir, era agora que ela começava a chorar?

— Você demora um pouco para reagir — comentou Chuai, sem saber se ria ou achava graça.

— Pois é, como posso ser tão lerda? Minha reação é lenta demais, só agora me dei conta — pensou Flora, reconhecendo que sua “lerdeza” era realmente extrema.

Já fazia quase dois meses desde que renascera, e só agora compreendia que Chuai realmente a amava na vida passada, e não era apenas compaixão.

Mesmo que Flora da vida anterior tivesse sido humilhada e abandonada, ao menos tinha o amor de Chuai; ela não era digna de pena.

Ela começou a chorar de verdade. Chuai ficou atônito; com as outras pessoas, ele ainda conseguia imaginar o motivo das lágrimas, mas com Flora, estava completamente perdido. Não fazia ideia do que se passava com ela.

Talvez fosse a pressão da vida? Aquela garota realmente não tinha uma vida fácil.

Sem saber o que dizer, Chuai apenas lhe ofereceu água e lenços de papel. Depois, preferiu não dizer mais nada, apenas ficou ao lado dela em silêncio.

Felizmente, o dono do restaurante anunciou em voz alta que o churrasco estava pronto e começou a conversar de modo amistoso com Chuai:

— Jovem, acabou de sair do cinema? Hoje em dia não entendo essa juventude, aquele filme estrangeiro famoso faz todas as moças chorarem. Mesmo assim, insistem em assistir, vai entender essas pessoas.

— E não fique aí parado, rapaz, quando a namorada chora, tem que mimar, umas espetadas de churrasco resolvem — resmungou o dono, enquanto Chuai olhava para ele sem saber o que dizer.

Será que agora os donos de restaurante eram tão dedicados assim? Até para consolar a namorada, tinha que usar espetinhos de carne?

Bem, talvez não houvesse outra maneira, não custava tentar.

— Flora, esse churrasco de cordeiro está com uma cara ótima, pedi para não colocar muita pimenta, quer provar? — ofereceu Chuai.

Ao receber o churrasco, Flora parou de chorar, pegou a carne com a mão esquerda e com a direita limpou as lágrimas com o lenço. Depois, ficou constrangida e baixou a cabeça, concentrando-se em comer.

— Quer pedir mais algumas porções? — sugeriu Chuai, reparando que Flora tinha bom apetite, já havia comido três baldes de pipoca.

— Não precisa — respondeu ela. Na verdade, não estava com fome, a pipoca já a deixara satisfeita, estava só tentando aliviar o constrangimento, buscando algo para fazer.

Como pode ser tão difícil se comunicar?

Depois de comer dois espetinhos, Flora já havia se recuperado, embora não estivesse muito animada para conversar.

Chuai lhe passou uma garrafinha de suco de coco, que ela foi bebendo aos poucos, até levantar os olhos e encará-lo.

Ela queria dizer algo, mas antes que pudesse falar, uma voz familiar soou ao lado:

— Flora, é mesmo você? Veio assistir ao filme também?

Mais um colega do passado, realmente, o destino gosta de pregar peças.

Ainda bem que era Celina Xuewei, uma colega do ensino fundamental que sempre fora muito simpática. Depois de terminar o fundamental, não estudou mais, foi trabalhar como caixa em uma loja de atacado na cidade, já tinha três anos de experiência e alguma poupança.

Na vida anterior, Celina Xuewei sempre foi prestativa, procurava Flora para contar as fofocas do vilarejo, graças a ela, Flora sabia de muitas coisas.

Como Celina trabalhava na cidade, todo ano voltava para casa no Ano Novo, e sempre se encontrava com Flora; as duas mantinham uma boa amizade.

Ao encontrá-la ali, Celina sorriu de forma sugestiva:

— Flora, você também foi assistir “Titanic”?

— Sim, você também? — respondeu Flora, notando que Celina já se sentava à mesa.

Celina era mesmo próxima de Flora, por isso se sentia à vontade diante dela.

— Sim, o filho do meu chefe me convidou para ir junto — disse Celina, com um certo orgulho na voz.

— Ah, então logo vai virar dona da loja? — brincou Flora.

— Imagina, a loja é do pai, não dele. Zhang Guojun ainda ajuda a repor mercadoria, é só mais um funcionário, que dona da loja que nada — rebateu Celina, mas não escondia o orgulho:

— Ele depende de mim. O pai dele disse que, se ele conseguir se casar comigo, vai abrir outra loja para nós. Sem mim para cuidar dele, não daria certo.

— Isso mesmo, nossa Celina é a melhor — Flora concordou prontamente.

Celina tinha muitas qualidades, apenas um pouco vaidosa demais. Agora que o tempo não estava tão frio, Flora nem usava mais o casaco acolchoado, só uma blusa de lã e jaqueta jeans. Já Celina ainda insistia em usar um casaco de couro com gola de pele.

Achava que o casaco de couro dava mais presença, a fazia parecer mais rica, pouco se importava se estava calor.

Celina lançou vários olhares para Chuai, depois se aproximou de Flora e cochichou em seu ouvido:

— Seu namorado? Que rapaz bonito! Você está de parabéns, Flora, ele nem parece estudante do ensino médio. Sapatos importados, deve ser de família rica, não é? Eu sempre disse que, com essa sua beleza, não devia se contentar com pouco, tem que escolher bem.

— Não é — respondeu Flora.

— Como não é? Ele é tão carinhoso, fiquei até sem jeito de vir antes, vi ele mexendo no seu cabelo. Vai negar? — Celina sorriu ainda mais sugestiva.

Flora ficou vermelha, sabendo que de nada adiantaria explicar, então preferiu não discutir, deixando que pensasse o que quisesse.

O silêncio era sinal de aceitação, e Celina logo disparou a fazer perguntas, curiosa sobre Chuai.

Ele, porém, não estava acostumado com esse tipo de conversa. Dona Cacilda, sua avó, também gostava de falar, mas era muito mais aberta e compreensiva que Celina.

Enquanto conversava com Celina, observava a ostentação latente em cada gesto dela, o que tornava tudo ainda mais constrangedor.

Por sorte, Celina não insistiu muito, cumprimentou Chuai e logo puxou Flora para um canto, sussurrando animada.