Capítulo 39: Um Cálculo Rápido
Flor Pequena não era uma moça extravagante; jamais gastaria o dinheiro de sua caderneta de poupança de forma imprudente, tampouco o usaria para comprar roupas ou coisas afins. Sua avó sempre lhe dissera que aquele dinheiro era para os estudos, portanto, deveria ser utilizado exclusivamente para esse fim.
Ela sacou cem mil reais para investir na bolsa de valores, escolhendo apenas ações que, segundo suas lembranças, certamente teriam uma valorização contínua nos próximos anos. Ela acreditava que esse investimento de cem mil, ao término da faculdade, poderia facilmente superar quinhentos mil.
Assim, tanto ela quanto a avó poderiam viver com mais tranquilidade. E, caso quisesse devolver o dinheiro investido pelos avôs, não precisaria se sacrificar.
Inicialmente, Flor Pequena cogitara comprar um imóvel nas proximidades da escola. Afinal, com aquela quantia, adquirir uma casa na capital era impossível; nem mesmo as menores estavam ao seu alcance.
Mas o condado era remoto demais, e, para que houvesse valorização, levaria pelo menos vinte anos—tempo demais para esperar. Além disso, quando fosse aprovada na universidade, partiria e dificilmente voltaria. Comprar uma casa ali seria apenas deixar o dinheiro parado; mesmo para alugar, estando ausente, seria um transtorno.
“O que está pensando?” A voz de Chu Huai soou.
Flor Pequena ainda abraçava sua caderneta, alheia: “Estava pensando em como meus avôs deviam ser pessoas extraordinárias, por terem me enviado tanto dinheiro. Ainda bem que meus tios nunca viram essa caderneta, senão certamente armariam uma confusão com a vovó.”
“Então nossa pequena mesquinha de dinheiro encontrou um tesouro, é?” Chu Huai riu. “Você é corajosa. Há poucos anos, a bolsa passou por turbulências, muita gente perdeu tudo e até tirou a própria vida. Não tem medo de perder tudo?”
“Acho que não. Esquece que tenho um certo dom? Só comprei ações que senti serem boas.”
“Mesmo? Será que devo acompanhar seus investimentos?” Chu Huai fitou Flor Pequena; essa garota, quanto mais a conhecia, mais misteriosa e interessante lhe parecia.
“Fique à vontade, mas não invista demais, senão, se perder, não venha reclamar comigo.”
“Ah, então você entende mesmo do mercado de ações?”
“Na verdade não, só leio sobre isso nos jornais.”
Flor Pequena sequer se lembrava de que, naquela época, nesse pequeno condado, quase ninguém entendia de bolsa de valores. Raramente alguém comprava ações, e era mais por diversão, como se comprasse bilhetes de loteria.
Os funcionários do banco responsáveis pelos investimentos ficavam exaustos; toda vez que tentavam explicar, as pessoas olhavam com desconfiança. Quando compravam alguma coisa, era mais por educação do que por convicção. Que situação!
Na capital da província havia corretoras especializadas, mas naquele condado, tudo era feito pelo banco. Encontrar uma cliente como Flor Pequena, esclarecida e decidida, deixava os funcionários satisfeitos; até lhe entregaram um cartão de visitas, recomendando que ligasse caso precisasse de algo.
Flor Pequena guardou o cartão; talvez, quando tivesse tempo, realmente ligasse para tirar dúvidas.
“Ouvi dizer que ações originárias dão muito dinheiro, mas é difícil ter acesso. Vi na televisão outro dia que uma empresa de jogos muito famosa vai abrir capital; seria ótimo se conseguisse comprar algumas dessas ações.”
À noite, enquanto os dois jantavam juntos uma panela de barro, Flor Pequena ainda matutava sobre ações.
Chu Huai sorriu: “Não imaginei que você soubesse tanto.”
“Às vezes também vou ao cybercafé. O jogo ‘Lenda do Espadachim’, que os meninos tanto gostam, testei e achei impressionante. Se uma empresa dessas abrir capital, as ações certamente vão disparar.”
“Tem certeza que quer comprar ações da ‘Lenda do Espadachim’? Quanto pretende investir? Tenho um amigo nessa empresa; posso verificar para você.”
“Tenho, sim. Se possível, queria investir cinquenta mil. Se não der, dez mil já está ótimo.”
“Acredito que ainda haja algumas disponíveis, eles estão captando recursos, provavelmente ainda existem ações originárias. Vou me informar.”
Chu Huai realmente se surpreendeu. Flor Pequena, criada no campo com tanto jeito simples, tinha uma visão de mundo mais ampla que muitas garotas da cidade, que ainda desprezavam jogos eletrônicos enquanto ela já enxergava o potencial de investir em ‘Lenda do Espadachim’.
Claro, o dinheiro que ela tinha não permitia grandes investimentos, era só para pequenas apostas, mas sua visão era notável.
Chu Huai portava um grande celular preto, desses de flip, e com facilidade fez uma ligação. Logo tudo estava acertado.
“Passe-me seu número de identidade e conta bancária.”
Enquanto falava ao telefone, Chu Huai pediu os dados, e Flor Pequena, sem hesitar, entregou seus documentos e o cartão que acabara de abrir.
Assim que desligou, Chu Huai suspirou aliviado: “Pronto, está feito. Amanhã, durante o dia, vá ao banco confirmar os dados e transferir o dinheiro.
Amanhã ao meio-dia, encontro você na porta da escola. Vamos juntos, assim você pode resolver tudo no intervalo sem precisar faltar aula.”
“Obrigada! Amanhã o almoço é por minha conta.”
“Não, eu pago. Afinal, estou seguindo sua intuição e também comprei ações.”
Flor Pequena não perguntou quanto Chu Huai investira. Só ao meio-dia do dia seguinte, quando foram juntos ao banco e foram encaminhados ao setor VIP, com atendimento reservado e um novo gerente, é que ela ouviu o gerente confirmar com Chu Huai: “Valor total, três milhões.”
Que tipo de pessoa era essa!
Flor Pequena achava que tinha muito dinheiro na poupança, mas Chu Huai, sem esforço, investia logo três milhões! Comparações realmente são cruéis.
Ela não perguntou sobre a origem do dinheiro de Chu Huai, nem sobre a situação de sua família; cada um tem seus segredos, não há necessidade de saber tudo.
Ao sair do banco, Flor Pequena ainda estava incrédula: ela agora era acionista de ‘Lenda do Espadachim’, o jogo que mudaria a geração! Ainda que fosse uma acionista minúscula, nada poderia deter o sucesso avassalador daquele jogo, que depois renderia jogos solo, séries de TV e muito mais. Aquela empresa pequena e desconhecida, que só conseguiu abrir capital por influência, teria ações valorizadas a patamares inimagináveis.
Só de pensar na trajetória brilhante de ‘Lenda do Espadachim’, Flor Pequena sentia-se uma vencedora.
Mas, pensando bem, sob sua orientação, Chu Huai é que lucraria de verdade! Ele investiu três milhões! Sessenta vezes mais que ela!
“Chu Huai, fui eu que te apresentei esse investimento. Se lucrar muito, lembre-se de me recompensar com uma parte dos dividendos.” Flor Pequena fez bico, insatisfeita.
“Combinado.” Chu Huai sorriu e, sem resistir, estendeu a mão.
Flor Pequena virou-se, fitando-o com seriedade.
Chu Huai ficou um tanto sem graça. De repente, percebeu que pretendia apertar aquela bochecha fofa, só para ver se murchava como um balão, mas diante do olhar sério dela, desistiu, temendo ser mal interpretado.
“Flor Pequena, você tem tanta confiança assim? Afinal, hoje em dia os jogos não são bem vistos, muitos pais acham que é perda de tempo.”
“Esqueceu que tenho um certo dom? Eu acredito em ‘Lenda do Espadachim’. Vai ser um sucesso.”