Capítulo 82: Tomando Remédios Sem Critério
O remédio dele estava justamente no café sobre a mesa. Liu Cuiying, ao esbarrar sem querer, quebrou a xícara e já havia jogado tudo no lixo, achando que estava tudo resolvido. Se a polícia viesse e investigasse a fundo, certamente descobririam esse detalhe. Além disso, o doutor Liu era um médico experiente, e ao notar algo estranho, com certeza procuraria a causa.
Chu Huai só não tomou providências mais severas contra a maldosa Liu Cuiying porque estava ocupado dirigindo de volta para procurar Hua Xiaoman. Caso contrário, teria dado uma lição exemplar nela.
Agora, ao ver que Hua Xiaoman estava bem, a primeira coisa que Chu Huai fez foi pegar o telefone e ligar para o doutor Liu, dizendo que sentira um cheiro estranho misturado ao café e sugeriu que ele procurasse o café que Dong Fugui havia tomado.
Não adiantava dizer que o café fora derramado e limpo, e que os cacos da xícara tinham sido jogados no grande lixo coletivo do corredor; a polícia também não encontrara nada. Mas, com a orientação de Chu Huai, logo encontraram os cacos com vestígios de café. Bastava enviar ao hospital para análise.
Graças ao pronto atendimento do doutor Liu, Dong Fugui recobrou a consciência. Ao ver tantos policiais, sentiu-se desconfortável, e ao ouvirem que fora envenenado, seu semblante mudou; olhou fixamente para Liu Cuiying.
Liu Cuiying ficou realmente desesperada. De repente, ajoelhou-se aos pés de Dong Fugui, agarrando suas pernas e chorando:
"Marido, não fica bravo, eu só estava preocupada com o teu descanso... Por isso coloquei um comprimido para dormir no teu café. Você anda tão cansado, só queria que dormisse melhor, eu não queria te fazer mal!"
"Tem certeza de que era um comprimido para dormir? Só um?" — perguntou o doutor Liu, sem nenhuma compaixão, apenas interessado no diagnóstico. — "O quadro do senhor Dong lembra o uso de substância estimulante, que provocou desordem neurológica."
Dong Fugui, alertado, olhou de relance para Liu Cuiying. Ele tomava calmantes com frequência, um comprimido nunca causava efeito tão forte, e tomar café junto não era novidade, já estava acostumado, não seria um comprimido que o derrubaria.
Liu Cuiying, nervosa, apontou para o frasco branco no armário atrás de Dong Fugui:
"Eu não sei... Acho que era o remédio para dormir... Vejo você tomando todo dia, só pensei..."
"Esse não é o calmante!" Dong Fugui explodiu de raiva.
O doutor Liu, ainda mais ácido, replicou: "Senhor Dong, sugiro contratar uma secretária com um pouco mais de instrução, que saiba ler o nome dos remédios, as precauções e a dosagem. Tomar remédio errado pode ser fatal."
"Entendido, entendido, obrigado pelo trabalho de vocês." Dong Fugui percebeu que Liu Cuiying agira de propósito, mas ainda assim ofereceu alguns maços de cigarro aos policiais que vieram investigar, dispensando-os.
Mesmo assim, o doutor Liu recusou-se a ir embora, insistindo que Dong Fugui fosse ao hospital para um exame completo. Dong Fugui não teve escolha senão acompanhá-lo. Liu Cuiying, aflita, sem saber como tudo chegara àquele ponto, sentia-se apavorada pelo olhar estranho do marido.
Depois de hesitar por um instante, pegou a bolsa e foi atrás — afinal, se o marido ia ao hospital, ela precisava acompanhar. Quanto a Hua Xiaoman, não teve tempo nem de ligar para casa.
...
E Hua Xiaoman? Estava justamente preparando macarrão para Chu Huai.
Como ele chegara tarde, ela e os outros já haviam jantado e, sem querer servir comida requentada, Hua Xiaoman resolveu cozinhar um macarrão com legumes e ovos especialmente para ele.
Chu Huai também não ficou parado e foi ajudá-la a acender o fogo.
Na casa, usavam um fogão de barro — carvão no inverno, lenha no verão, tudo recolhido na montanha, cortado e secado para uso. Embora Cao Guozhu já tivesse sua própria casa, era muito prestativo e sempre deixava a lenha pronta para a avó, facilitando tudo.
Chu Huai, longe de ser alguém delicado, mesmo com mãos de quem segura caneta, sabia acender o fogo. Juntos, logo prepararam uma grande tigela de macarrão. Hua Xiaoman disse:
"Ovos caipiras de casa, vou colocar dois para você. Coisas boas vêm em pares."
"Está bem." Chu Huai sorriu, rendido ao carinho dela. Depois de tanto alvoroço, estava realmente faminto.
Sem esconder nada de Hua Xiaoman, contou-lhe tudo sobre Dong Fugui e Liu Cuiying, inclusive a ligação para o doutor Liu e as últimas novidades — ambos estavam no hospital fazendo exames.
Hua Xiaoman foi direta ao ponto: "Mas como você sabia que Liu Cuiying queria me prejudicar?"
"Você esqueceu que sou psicólogo e sei hipnotizar? Quando entramos, percebi que ela estava muito nervosa, então antes de tratar o senhor Dong, induzi-a à hipnose. Foi ela mesma quem revelou que a família Liu pagou Jia Xiaochuan para te prejudicar."
Ao dizer isso, Chu Huai apertou a mão de Hua Xiaoman, sentindo um calafrio de preocupação. Como podiam ter ideias tão sórdidas contra alguém tão boa quanto ela?
Hua Xiaoman deixou que ele segurasse sua mão.
O que acontecera aquela tarde ainda lhe causava arrepios, mas por sorte, agira por instinto e acabara derrotando Jia Xiaochuan! Não se importava se ele teria ficado inutilizado.
Lembrando do caso da segunda tia, Hua Xiaoman não resistiu e perguntou:
"E se... digo, se eu realmente tivesse sido machucada? Você me desprezaria?"
"Boba, o que está pensando? Como poderia? Eu gosto de você, da sua essência. Não importa como você mude, se o seu coração for o mesmo, sempre será minha Xiaoman.
Também não sou tão perfeito quanto você imagina. Se um dia descobrir que escondi algo de você, pode me dar mais uma chance?"
"Claro. Você é quem eu mais confio." Hua Xiaoman sorriu.
A avó tinha razão ao dizer que Chu Huai não se importaria — e, de fato, ele não se importava.
Com o macarrão pronto, Chu Huai nem foi para dentro, ficou mesmo na porta da cozinha, sentou-se num banquinho e comeu ali, com Hua Xiaoman ao lado.
O céu já escurecia e a lua subia.
Depois de comer, Chu Huai insistiu em levar Hua Xiaoman de volta à cidade. Não era conveniente ficar na casa da avó Cao e, preocupado com gente mal-intencionada do vilarejo, achou mais seguro levá-la à escola.
Na entrada da escola havia vigia, mesmo nos fins de semana, visitantes de fora tinham que se registrar, e a residência feminina era sempre supervisionada, nenhum homem podia entrar.
"Está bem, vá com o Xiao Chu. Seu tio anda sempre em casa, o que poderia acontecer aqui? Cozinhei milho para vocês, levem tudo, é a primeira colheita, está fresquinho."
"Sim, vovó." Hua Xiaoman aceitou de bom grado, pegou um saco plástico, colocou as espigas de milho recém-cozidas e arrumou a mochila para partir com Chu Huai.
Quanto à família Liu, Hua Xiaoman não esqueceu — mas, com o vestibular se aproximando, não valia a pena se desgastar com eles agora.