Capítulo 97: Carta de Aceitação

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2370 palavras 2026-03-04 15:01:19

Quando chegou o fim do mês, Flor Pequena finalmente recebeu uma ligação da Professora Graciela no telefone da vila, pedindo que fosse à escola buscar o comunicado de aprovação.

“Aprovada!”

Flor Pequena cerrou o punho e o ergueu no ar, incentivando a si mesma. Segundo as notícias na televisão, já haviam sido concluídas as admissões da primeira leva de instituições de destaque da província, e os comunicados estavam sendo distribuídos aos poucos.

Receber o comunicado agora significava que ela fora aceita numa universidade de prestígio, sua tão sonhada Universidade do Sul finalmente a acolhera, ainda que por pouco.

O desejo de Flor Pequena no ano passado era simplesmente ser aceita numa faculdade técnica da província, mas acabou não passando. Jamais imaginara que este ano conseguiria uma vaga numa universidade de destaque fora do estado, parecia um sonho, difícil de acreditar.

Universidade do Sul? Uma das cem melhores do país? Flor Pequena, que nunca ousara sequer sonhar com tal escola, agora era aceita por ela?

Com o coração entre a excitação e a ansiedade, Flor Pequena apressou-se a pegar o micro-ônibus até a escola, indo direto ao gabinete da Professora Graciela.

Os coordenadores do terceiro ano estavam de plantão, e Graciela estava lá naquele dia. Ao ver Flor Pequena chegar, ficou radiante e apresentou-a aos colegas:

“Esta é Flor Pequena.”

“Não passou na faculdade técnica ano passado, agora entrou numa de destaque? Muito bem, menina, saber estudar é importante, nunca é tarde para aprender.”

“Pois é, Professora Graciela, seus alunos melhoraram muito de desempenho, até na escolha das opções de curso. Pena que o Bruno Marinho não teve a mesma sorte.”

“Sim, uma pena. O Bruno só ficou a um ponto.”

“Na verdade, a Universidade Nove Ilhas também é ótima. Se ele tivesse escolhido, teria entrado.”

Falavam de Flor Pequena, mas logo voltaram-se para Bruno Marinho. Ele era muito conhecido, e de fato, era uma grande perda: no ano passado faltaram três pontos para entrar na Universidade do Leste, e esse ano, faltou apenas um, ficando de fora novamente.

Nada foi mais lamentável do que o caso de Bruno Marinho: com notas excelentes, teimou em insistir na mesma escolha.

Flor Pequena era bem consciente de si, sabia que não era seu lugar participar das discussões dos professores. Pegou o comunicado de aprovação com Graciela, fez uma reverência e saiu, abraçando o papel.

Na entrada da escola, estava exposta uma grande lista vermelha, com os nomes dos aprovados na primeira leva do vestibular.

Em primeiro lugar, estava Leonardo Xuehui, da turma dois do terceiro ano, aprovado na Universidade Nove Ilhas.

Depois vinham as aprovações em outras universidades renomadas. No meio da multidão, Flor Pequena encontrou seu nome; ela, Miguel Ventania, Júnior Campos e Luana Rocha, todos admitidos na Universidade do Sul.

Júnior Campos?

Ao ver esse nome, Flor Pequena sentiu um leve desconforto.

“Pequena, veio buscar o comunicado? Espera por mim, vou pegar o meu também. Depois vamos almoçar juntas. Quando vai comprar a passagem de trem? Vamos juntas!”

Era Miguel Ventania. Ter sido aprovada na mesma universidade que Miguel, meio gênio, parecia incrível para Flor Pequena.

Miguel foi buscar seu comunicado, enquanto Flor Pequena continuava a examinar a lista vermelha. Muitos nomes lhe eram desconhecidos, afinal, era uma aluna repetente, e a maioria ali eram alunos regulares. Os repetentes tinham suas pequenas turmas e, entre si, eram mais próximos, mas pouco contato tinham com os alunos regulares.

Os melhores alunos dessas turmas apareciam na lista vermelha, e Flor Pequena era considerada uma surpresa entre eles.

Pena que Bruno Marinho, com notas tão boas, acabou reprovado.

Embora as universidades de destaque permitam duas opções de curso, geralmente são tão disputadas que, se não for aprovado na primeira opção, dificilmente será aceito na segunda.

Assim, ele ficou sem vaga na primeira leva, e caso queira ainda entrar, só pode tentar a segunda.

As universidades da segunda leva também exigem notas altas; por exemplo, com a nota de Flor Pequena, entre as melhores, ela também não conseguiria vaga. Essas são destinadas aos que não foram aprovados nas principais.

Vai do desejo de cada um: alguns preferem não perder tempo e, ao perderem a chance nas grandes universidades como Nove Ilhas e Nove Continentes, vão para uma outra boa faculdade. Outros, inconformados, decidem repetir o ano para tentar novamente.

Bruno Marinho já repetiu um ano; será que fará isso de novo?

Flor Pequena distraía-se nesses pensamentos, quando Miguel Ventania, rápida, já havia pegado seu comunicado, passou o braço por seus ombros e disse:

“Vamos almoçar. É por minha conta.”

“Deixe por minha conta. Se não fosse sua ajuda generosa, eu teria reprovado de novo.”

“Tudo bem, te dou essa chance.”

Miguel Ventania era de personalidade franca, mas Flor Pequena não estava errada: Miguel, sua colega de carteira, sempre a ajudara muito, emprestando anotações e explicando matérias.

Miguel parecia distante, mas quando alguém lhe pedia ajuda, explicava sem hesitar. Também era generosa com as colegas de dormitório, só não gostava de demonstrar muito. Afinal, era alta e forte, com cabelo curtíssimo e roupas esportivas; de costas, parecia um rapaz.

Aliás, ao passar com Flor Pequena, de cabelo comprido, ouviu-se algumas meninas cochichando: “Depois do vestibular ficou assim? Abracei no meio da escola!”

Miguel Ventania se irritou e virou-se, assustando as meninas, que logo correram.

“Miguel, não, Miguela, deixa pra lá. Quando for pra universidade, deixa o cabelo crescer, assim não parece um tomboy.”

“Cabelo comprido dá trabalho, perde tempo,” respondeu Miguel, balançando a cabeça.

Fazia sentido.

Flor Pequena não insistiu. Cada um tem seu jeito, e Miguel era cheia de personalidade, boa aluna e certamente seria excelente no futuro.

Flor Pequena, aproveitando o momento, convidou Miguel para comer frango frito.

“Bela ainda me deve um frango frito,” lembrou Flor Pequena, depois de fazer o pedido.

“Bela passou numa faculdade de formação de professores em Capital Mágica. Com aquele jeito encantador, vai ser uma professora tão simpática. Eu gosto de professores assim, adoráveis,” Miguel, relaxada, falava mais do que o habitual.

“Ah, ouvi dizer que as passagens de trem têm que ser compradas com uma semana de antecedência. Quando vai comprar? Vamos juntas, assim fazemos companhia uma à outra durante a espera e sentamos juntas. Daqui até o Sul são dois dias e meio de trem, vai ser muito cansativo.”

“O registro é no dia primeiro, temos que sair três dias antes, ideal chegar um dia antes. Então, vamos comprar a passagem para o dia vinte e sete, e vamos ao terminal no dia vinte e um, cedo.”

“Combinado, às oito da manhã, na porta da estação! Pena não termos telefone, fica difícil se comunicar.”

“Lá na associação do vilarejo tem telefone, se precisar pode ligar lá,” Flor Pequena deu o número para Miguel, facilitando o contato, já que iriam juntas para estudar fora do estado.

Nos dias seguintes, Dona Cândida e Gaspar celebravam como se fosse Ano Novo, organizaram várias mesas de comida e bebida para a despedida de Flor Pequena. E, claro, quem vinha comer também trazia um envelope de dinheiro.

Era costume na vila, nada demais.

Dona Lídia, que não era muito simpática, acabou sendo trazida de cadeira de rodas, só para marcar presença, e ainda deu um envelope de cem reais para Flor Pequena. Outros parentes e amigos também vieram, geralmente com cinquenta ou cem reais cada.

Flor Pequena não ficou com o dinheiro, entregou tudo à avó, que guardaria e depois descontaria os custos. Afinal, só de carne de porco, galinha e peixe, havia gastado bastante, era preciso calcular as despesas.