Capítulo 56: Repetição Constante

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2281 palavras 2026-03-04 15:00:45

— Você já comeu bife? — Chu Huai não conseguiu se conter e perguntou em voz baixa.

— Vale o bife de batata que minha avó faz? — Hua Xiaoman brincou. Ao ver a expressão de surpresa de Chu Huai, sorriu e explicou:

— Nunca comi bife, mas já li sobre isso em romances, não? Há poucos dias, li um artigo na revista Fogo de Flores falando justamente sobre bife. Diziam que o ponto do bife pode ser malpassado, ao ponto, bem-passado e assim por diante, mas que jamais se deve pedir um ponto seis ou oito, senão as pessoas vão rir de você.

No artigo também ensinava como usar faca e garfo. Daqui a pouco vou testar, mas se eu não souber, não ria de mim. É como dizem, em Roma, faça como os romanos. Se pedirem para um estrangeiro usar hashi, ele vai se atrapalhar ainda mais.

Chu Huai assentiu com a cabeça:

— Pois é, gosto do seu jeito. Você parece sempre otimista, nunca se sente inferior.

Isso seria uma confissão? Se tirasse algumas palavras dali, seria um “gosto de você”?

O rosto de Hua Xiaoman corou levemente. Ela baixou os olhos para o cardápio, mas não conseguia prestar atenção em nada. Só conseguia pensar nas palavras de Chu Huai.

Quando o garçom trouxe a comida, ela começou a comer automaticamente. Tudo o que pensara antes já havia sumido de sua mente; não podia deixar que Chu Huai percebesse nada, nem parecer muito habilidosa com os talheres. Já havia esquecido completamente aquela questão!

Chu Huai observava a mão de Qin Chaoyun segurando o talher e sentiu algo estranho. Será que essa habilidade vinha só de ler livros? Mesmo quem aprende rápido, sem prática, não teria essa confiança. Ela já devia ter usado faca e garfo antes. Talvez até já tivesse comido bife.

Quando Chu Huai procurou por Hua Xiaoman, investigou bastante sobre ela e sabia que, pelo menos nos últimos seis anos, ela não saíra da cidade. E o único restaurante de bife do município só abriu depois do Ano Novo.

Naquela época, Chu Huai já conhecia Hua Xiaoman e sabia praticamente todos os seus passos. Ela era dedicada aos estudos, impossível ter ido comer bife com alguém. Então, ela também guarda segredos?

Chu Huai ficou pensativo.

Os dois, ambos habilidosos com talheres, comiam em silêncio, criando uma sintonia quase palpável. O garçom trouxe duas águas com limão em temperatura ambiente, temendo atrapalhar aquele clima indefinível, colocou as bebidas com cuidado e foi embora.

Até que, nas mesas atrás da divisória, sentaram-se outras pessoas.

A área era reservada, com mesas mais afastadas, mas ainda havia proximidade. Pensando nos casais que ali jantavam, o lugar tinha divisórias baixas, que não isolavam o som, mas bloqueavam a visão.

Ao lado de Hua Xiaoman havia uma dessas divisórias e, do outro lado, sentaram-se duas pessoas que, após fazerem o pedido, começaram a conversar.

Chu Huai não prestava atenção, até ouvir o nome “Liu Cuiying”. Imediatamente ficou alerta, cutucou Hua Xiaoman e a avisou para ouvir, levando o dedo indicador aos lábios dela, pedindo silêncio.

Lá vinha!

Hua Xiaoman reconheceu o momento assim que ouviu as vozes. A cena do sonho estava acontecendo.

Agora, não pensava mais em Chu Huai. Mesmo que o gesto dele, tocando seus lábios, tivesse sido provocante, não tinha tempo para se distrair. O que importava era o que Dong Xuemei pretendia fazer!

A conversa entre as duas foi quase idêntica à do sonho. A postura dominante de Dong Xuemei fez Liu Cuiying largar o bife sem tocar, pegou sua bolsa e foi embora apressada.

Antes de sair, Liu Cuiying ainda respondeu a Dong Xuemei:

— Me dê mais um tempo, vou tentar.

— Pode ir com calma, não tenho pressa em arrumar uma madrasta — Dong Xuemei respondeu sorrindo.

Depois que Liu Cuiying saiu, Dong Xuemei chamou o garçom e pediu para cancelar o bife que havia encomendado para ela. Sozinha, ficou ali comendo.

Não tinha o hábito de falar sozinha, mas sim de levar sempre um diário. Enquanto esperava a comida, começou a escrever.

Hua Xiaoman, por sua vez, continuou comendo em silêncio, em pequenas mordidas. Só depois que Dong Xuemei foi embora, pensou em comentar algo com Chu Huai.

Mas Chu Huai fez sinal de silêncio, sussurrando:

— Aqui não é o melhor lugar. Vamos conversar em casa.

— Certo — Hua Xiaoman concordou.

Aquela refeição perdeu o sabor para Hua Xiaoman por causa da presença de Dong Xuemei e Liu Cuiying. No fim, pareceu apenas um passeio com Chu Huai.

Hua Xiaoman sentia-se estranha, como se não conseguisse se controlar. Por que só conseguia pensar no dedo de Chu Huai pressionando seus lábios? O que chamava sua atenção: o dedo elegante ou os lábios avermelhados dele?

Ah, isso não podia acontecer! Desde quando se tornara tão volúvel?

Sacudiu a cabeça, tentando apagar aquelas imagens de sua mente.

— Não se preocupe tanto. Mesmo que estejam tramando algo, não poderão te prejudicar de verdade — Chu Huai, pensando que ela estava incomodada com Dong Xuemei, bateu levemente em seu ombro em sinal de conforto enquanto caminhavam.

A rua estava deserta e silenciosa, sem ninguém por perto. Desde que não falassem alto, não havia risco de serem ouvidos.

Hua Xiaoman não sabia como responder. Não podia contar a verdade, então achou melhor concordar em silêncio.

Afinal, não estava mentindo, era ele quem fazia as suposições.

Chu Huai percebeu o ânimo baixo de Hua Xiaoman e, preocupado, começou a analisar:

— Se for como Dong Xuemei sugeriu, ela quer que Liu Cuiying transfira o registro de residência para a casa do seu tio, provavelmente para que ela seja registrada como filha da sua tia, tornando-se, legalmente, membro daquela família.

Se, e só se, seu tio ou sua tia morrer, Liu Cuiying pode herdar bens da família.

Lembro que você me disse que sua casa foi tomada pelo seu tio, não foi?

Hua Xiaoman balançou a cabeça:

— Não pode ser. Dong Xuemei tem boa condição financeira, não ligaria para uma casa velha do campo. E ela não seria capaz de matar ninguém, meu tio e minha tia estão bem vivos.

— Há outra possibilidade. Se ela conseguir, de algum jeito, fazer seu tio e sua tia se divorciarem, então Liu Cuiying, como sobrinha da sua tia, se for registrada como filha, pode acabar herdando também. Mas, honestamente, não faz sentido ela estar tão envolvida nos assuntos da família do seu tio — ponderou Chu Huai, depois duvidando de sua própria teoria.

De repente, Hua Xiaoman parou:

— Talvez haja mesmo essa possibilidade. Será que ela já sabe?

Se Dong Xuemei soubesse do segredo de sua tia Liu Yuzhi e arrumasse um jeito de expor tudo, sua família seria lançada ao caos.

Ela já ouvira do irmão que aquele homem era viciado em jogos, ganancioso, não trabalhava e ainda estava cheio de dívidas. Alguém assim seria fácil de ser manipulado, e Dong Xuemei tinha dinheiro.

Por mais que Dong Xuemei ainda fosse uma estudante, na vida passada Hua Xiaoman a subestimou e acabou sendo prejudicada por ela diversas vezes.

Não imaginava que, nesta vida, após escapar do maior dos abismos, Dong Xuemei apareceria com outra armadilha.