Capítulo 52: Reconciliação?
Depois de ajudar a avó a lavar a louça e conversar um pouco sobre coisas da família, Hua Xiaoman foi para o quarto ler e resolver exercícios, e o tempo passou rapidamente.
Já era por volta das nove da noite quando, enquanto algumas famílias da aldeia já dormiam, o som de um motor e vozes animadas ecoaram próximos dali. Hua Xiaoman percebeu que enfim os membros da família Liu haviam retornado.
A casa dos Liu ficava próxima à da avó de Hua Xiaoman, separada apenas por uma estrada e duas outras casas, sendo quase vizinhos de frente. Como a família Liu era numerosa, seus sons se espalhavam facilmente. Especialmente o choro de Liu Cuiying, que, naquela noite silenciosa, se tornava ainda mais nítido. E claro, os insultos característicos da avó Liu também não faltaram, acompanhados pelo latido dos cães inquietos da aldeia, que faziam questão de participar da confusão.
A avó Cao, sempre inquieta, foi até a porta da casa dos Liu para ver o que estava acontecendo.
Depois de meia hora de agitação, voltou para casa, ainda animada, e começou a fofocar com Hua Xiaoman:
“Liu Cuiying, essa menina, é melhor você não se envolver muito com ela. Pelo jeito, ela fez algo que não deveria lá fora.
Desta vez, os Liu não passaram a noite na sede da aldeia, conseguiram sair rápido porque um empresário do condado pagou por isso.
Mas o azar foi que Jia Xiaochuan ouviu tudo. Esse rapaz não tem receio de espalhar fofocas, parece que a família Liu vai ter problemas.
Liu Guifen, apesar de sua língua afiada e de ser uma pessoa orgulhosa, sempre desprezou relações indevidas entre homens e mulheres. Quem diria que, na velhice, seria prejudicada pela própria neta.
Ela sempre teve Cuiying como sua preferida, e agora toda sua reputação está perdida. Ah, não é fácil mesmo.
Xiaoman, prometa à avó que, antes de casar, não deve se envolver com homens, entendeu? O mais importante para uma moça é se respeitar.”
A avó Cao aproveitou o assunto para aconselhar mais uma vez Hua Xiaoman.
Já era tarde, e Hua Xiaoman, ouvindo as palavras da avó, acabou cochilando na cadeira de vime encostada à parede, sonolenta.
A avó Cao, com pena, não insistiu mais e chamou-a para ir dormir na cama.
No dia seguinte, Chu Huai apareceu novamente para almoçar, mas nunca chegava de mãos vazias. Desta vez trouxe um grande pedaço de carne de porco e várias bananas para a avó Cao.
Ela ficou contente ao saber que Chu Huai tinha geladeira em casa, então preparou uma grande porção de raviolis de carne de porco com repolho para ele levar e congelar. Assim, quando quisesse comer, era só colocar na panela para cozinhar.
Chu Huai hesitou em aceitar, mas a avó Cao insistiu: “Minha Xiaoman adora os raviolis que eu faço.”
Chu Huai, então, não recusou mais, deixou que a avó colocasse tudo em um saco plástico para levar no carro e guardar na geladeira. Se Hua Xiaoman fosse visitá-lo no fim de semana, poderiam cozinhar juntos.
No domingo, depois do almoço, a avó Liu apareceu, desta vez sozinha.
A avó Cao, vendo que ela estava abatida, abriu a porta para ela.
Assim que entrou, a avó Liu começou a chorar, assustando Hua Xiaoman, que correu para buscar água e lenços para ela.
“Xiaoman, não tenha medo, fique tranquila, não estou aqui para te prejudicar. Ouvi que você e Chu Huai estão no condado, queria perguntar algumas coisas para vocês.”
Após chorar um pouco e enxugar as lágrimas, a avó Liu começou a conversar normalmente.
Agora que precisava de ajuda, sua atitude era bem melhor. Percebendo a hesitação de Hua Xiaoman, ela se apressou em pedir desculpas:
“Xiaoman, sei que te entendi mal uns dias atrás e te causei problemas. Me perdoe, querida. Eu só repeti o que ouvi, me preocupei à toa. Agora que Chu Huai explicou tudo, venho te pedir desculpas.”
Realmente, ela sabia ser flexível.
Comparada com a geração antiga, Hua Xiaoman sentia-se inferior em habilidade.
Não se deve rejeitar quem vem com palavras amáveis e pedidos de desculpas, então Hua Xiaoman, meio constrangida, respondeu:
“Somos parentes, avó Liu, não precisa ser tão formal.”
“Xiaoman cresceu mesmo, está tão bonita... Ah, minha Cuiying, nem sei o que anda fazendo na cidade. Você ouviu alguma coisa?”
“Não, nossa escola é muito rigorosa, os horários são cheios, quase não saímos do portão.
Se quiser saber, avó Liu, o melhor é perguntar para Cheng Xuewei, filha do ferreiro da aldeia. Ela também trabalha no condado, muitas coisas eu ouvi dela, mas não sei se são verdade, não me atrevo a espalhar.
No fim de semana passado, vi Cuiying lá, usando um casaco de couro caro, parecia estar indo bem.”
Hua Xiaoman estava mais esperta agora, sabia que poderia se prejudicar com palavras precipitadas.
Cheng Xuewei gostava de contar fofocas para Hua Xiaoman, esperando que ela repassasse e arrumasse confusão, mas Hua Xiaoman devolvia sempre para ela mesma.
“E o Chu Huai?” insistiu a avó Liu, já que Cheng Xuewei não voltava todo fim de semana, era difícil encontrá-la. Com Hua Xiaoman ali, ela aproveitou para perguntar, mas sem jeito.
Hua Xiaoman respondeu rapidamente:
“Ele é de fora, não conhece bem as coisas da nossa aldeia. Avó Liu, fique tranquila, enquanto minha avó estiver bem, eu não vou espalhar fofocas. Da outra vez, mencionei Jia Xiaochuan, foi minha culpa, não imaginei que ele fosse distorcer tudo.”
Pedir desculpas era algo que os mais velhos sabiam fazer, mas Hua Xiaoman também!
A avó Cao observava ao lado, satisfeita com a postura de Hua Xiaoman, percebendo que a avó Liu queria continuar, então ela interveio:
“Chega, volte logo para casa. Xiaoman vai estudar na universidade, não vai ficar na aldeia para sempre, não tem tempo para fofocas.
Se quer saber de algo, melhor cuidar da sua neta, procurar um bom marido para ela e, quando tiver filhos, tudo vai se estabilizar.”
“É verdade,” concordou a avó Liu.
Apesar de brigarem lá fora, dentro de casa as duas velhas conversavam animadamente, trocando confidências e fofocas, com assuntos bem parecidos.
Hua Xiaoman não quis interromper, arrumou suas coisas, se despediu da avó Cao e foi embora com Chu Huai para o condado.
Ao ver as duas avós conversando, ela desistiu de tirar a avó de lá. A avó Cao tinha razão: na aldeia, qualquer um pode conversar por horas, mas fora dali não teria ninguém para bater papo.
Mesmo que os moradores da aldeia tenham suas intrigas, conhecem uns aos outros, e enquanto ela se mantiver firme, ninguém poderá prejudicá-la.
Chu Huai dirigia o mesmo carro do dia anterior, com o teto aberto, transformando-o em um conversível improvisado. O sol brilhava, o vento da primavera era agradável, e a paisagem familiar passava diante dos olhos como um filme. Hua Xiaoman sentiu-se emocionada:
Sua nova vida, tudo era diferente, não era?
Chu Huai olhou para Hua Xiaoman, também de bom humor: parecia que ela finalmente aceitava ser chamada de namorada.