Capítulo 51: A Pessoa que Mais a Compreende

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2307 palavras 2026-03-04 15:00:42

A boca da avó Liu era parecida com a da avó Cao: ambas eram faladeiras, e quando tinham algum ressentimento, pegavam o genro para despejar tudo sem parar. Cao Guozhu acompanhou-a de volta para casa e ela falou o caminho inteiro.

Por sorte, Cao Guozhu já estava acostumado; pensava em outros assuntos, deixando as palavras entrarem por um ouvido e saírem pelo outro, sem se incomodar.

Os pratos já estavam todos servidos na mesa, e a avó Cao organizava tudo:

— Vamos começar a comer, não precisamos esperar pelo seu tio. Ele nem sabe quando vai voltar, talvez até já tenha comido na casa de alguém. Xiao Chu, não seja tímido, sirva-se. Este ensopado de batata com carne de boi foi feito com aquela carne que você trouxe.

Chu Huai respondeu educadamente e começou a se servir. Hua Xiaoman também não perguntou muito e acompanhou a refeição. Quanto ao tio, adulto já, não vai se perder. Se quiser, que venha.

Liu Yuzhi ainda estava preocupada, pensou um pouco e cutucou o filho:

— Lele, vá ver como está seu pai.

— Não vou, mãe. A irmã voltou, faz tempo que não a vejo, você sempre diz para eu aprender com ela. Quero comer com minha irmã e o cunhado.

O título de cunhado deixou Chu Huai um pouco feliz, embora o garoto estivesse pensando: a avó só quer brigar agora, eu não sou bobo, não vou me meter como meu pai!

A avó Cao também era dada a conversar, ignorou os momentos desagradáveis do dia e dirigiu-se apenas a Chu Huai.

Apesar da idade avançada, a audição da avó Cao era impecável. Chu Huai havia declarado que Hua Xiaoman era sua namorada, os dois jovens tinham firmado o relacionamento, não? E a avó Cao gostava do rapaz: inteligente, educado, com bons modos, dava para ver que era alguém com conhecimento.

Liu Yuzhi animou-se, mas ao abrir a boca, trouxe um clima inconveniente:

— Ouvi da Cui Ying que você está se dando bem aqui na nossa cidade, Xiao Chu. Conhece o diretor Fang da escola da Xiaoman?

— Já ouvi falar, mas não tenho muita intimidade — respondeu Chu Huai, tentando cortar as expectativas de Liu Yuzhi.

Mas Liu Yuzhi insistiu:

— Cui Ying disse que você conhece muitos empresários da cidade, será que pode ajudar o nosso Lele? Só queria que ele conseguisse entrar no ensino médio, se faltar uns pontos, a família toda faria o impossível para conseguir uma vaga.

— Esse eu realmente não conheço muito — Chu Huai ficou ainda mais constrangido.

Foi Hua Xiaoman quem o livrou:

— Tia, não fale essas coisas na frente do Lele. O ensino médio aqui só se entra com mérito, mesmo o filho do prefeito tem que passar no exame, não adianta querer conseguir por influência. O ensino médio é aqui, mas na faculdade, vai querer influenciar na capital? Nossa família não tem esse tipo de poder.

— Verdade, acho que pensei demais. Lele, coma logo e depois vá estudar.

Cao Tianle concentrava-se no ensopado de carne; a avó cozinhava tão bem, com tantos pratos na mesa, se não aproveitasse, estaria perdendo.

A avó Cao não resistiu a comentar:

— Você só pensa pequeno, ainda nem definiram o namoro e já quer que ele resolva tudo pra você. Pensa que arrumou uma filha fácil? Eu ainda estou viva, os assuntos da Xiaoman não são você quem decide.

Falar essas coisas sem motivo só faz os outros nos desprezarem. Deixa pra lá, não precisa mais pedir favores, coma bem e leve seu filho para estudar.

Sem cerimônia, a avó Cao despediu-se, mas no fundo, ainda cuidava do filho; reservou alguns pratos para Cao Guozhu, colocou tudo em uma bandeja grande para Liu Yuzhi levar.

Chu Huai não queria ficar na casa da garota por muito tempo, para evitar fofocas sobre Hua Xiaoman. Quando todos se foram, ele percebeu que não poderia ajudar mais e se despediu.

Hua Xiaoman apressou-se a recolher a louça, ajudando a avó a lavar e limpar. E, claro, ouviu os conselhos da senhora.

— Xiao Chu é um bom rapaz, minha neta tem bom gosto. Quando estiver fora de casa, não gaste o dinheiro dele à toa, senão vão te desprezar. Somos pobres, mas temos dignidade.

— Sim — Hua Xiaoman concordou, era exatamente o que pensava.

Talvez por ter crescido com a avó, muitos de seus valores vieram dela.

A avó Cao sempre foi uma mulher forte, apesar de gostar de falar, era determinada em seu íntimo.

— Não, vovó, a senhora realmente está enganada. Eu e Chu Huai não estamos namorando, ele só disse aquilo para me ajudar, senão como eu poderia falar naquele momento? A senhora viu o que aconteceu hoje, eu ia explicar para Liu Cui Ying, mas ela foi tão autoritária, trouxe tanta gente.

— Você é muito dócil, Liu só te aproveita por ser fácil de conversar. Ainda bem que este ano você acordou, não ajudou eles, senão aquela família toda ia se aproveitar e nos prejudicar sem que percebêssemos.

— Sim — Hua Xiaoman concordou, e então tentou tocar no assunto do cartão:

— Vovó, meus avós maternos são ricos? Parece que eles depositaram muito dinheiro no cartão, continuam depositando.

— Mas é dinheiro dos outros, você nunca viu essas pessoas, não é correto usar o dinheiro delas. Se um dia aparecer alguém mal-intencionado, e quando você crescer quiserem te vender para pagar a dívida? Ouvi dizer que famílias ricas arrumam casamento assim, chamam de alianças.

— Eu sei — Hua Xiaoman ficou frustrada. Era só um teste, queria ouvir a opinião da avó; se ela concordasse, poderia sacar um pouco para alugar uma casa na cidade, evitando que a avó morasse sozinha no vilarejo.

Mas como a senhora não concordou, Hua Xiaoman desistiu.

A avó Cao continuou falando consigo mesma:

— Se você realmente passar na faculdade, não me oponho a usar o dinheiro para pagar a matrícula; faculdade é importante. Mas lembre-se, o dinheiro dos outros sempre será dos outros, um dia terá que devolver. Vá ao banco e veja quanto tinha no cartão há oito anos, com os juros, esse é o dinheiro que seus pais deixaram pra você. Esse pode gastar como quiser.

— Sim, está bem — ela finalmente percebeu essa possibilidade!

A avó Cao prosseguiu:

— O dinheiro não pode ser gasto de qualquer jeito. Sei que você quer que eu tenha uma vida melhor, seu pai sempre dizia isso, os dois até me levaram para morar na cidade alguns dias, mas não me adaptei. Não conhecia ninguém, não tinha onde ir, só aquela casa quadrada, parecia uma prisão.

Nada como o campo, tudo que se quer comer se planta fresco, na cidade até uma verdura custa caro. Não tem graça nenhuma.

Realmente, a avó a conhecia melhor do que ninguém: Hua Xiaoman nem precisou falar, a senhora já adivinhou. Era verdade, no vilarejo todos se conhecem, vizinhos e amigos se visitam, tudo é familiar. Na cidade, teria menos problemas, mas também menos alegria; a avó quase não sabia ler, iria querer ficar em casa estudando?