Capítulo 49: Eu confio nela, e isso basta
— Você só pensa em si mesma e não se preocupa com sua sobrinha. Vou fingir que nunca te dei à luz! — esbravejou a avó da família Liu, lançando insultos a Liu Yuzhi, antes de voltar sua ira contra Hua Xiaoman:
— Hua Xiaoman, explique-se! Da última vez, foi você quem disse que Jia Xiaochuan e nossa Cui Ying tinham feito algo. Você viu ou alguém viu? Fale logo! Uma moça decente, com língua solta, destrói a reputação dos outros. Quem vai querer casar com ela depois?
— Era só uma frase, nada que não pudesse ser dito. Mas agora, essa família inteira veio à minha porta. Acham que podem intimidar a família Cao só porque somos poucos? — respondeu Hua Xiaoman, surpresa com o tamanho da confusão que Liu Cui Ying armara.
Era apenas um comentário casual, mas agora, se Hua Xiaoman cedesse, sentia que Liu Cui Ying ficaria ainda mais insolente. E, acima de tudo, a avó estava furiosa.
A essa altura, a avó da família Cao já tinha ido à cozinha e voltado com uma faca de cortar legumes:
— Eu ainda estou viva, quem ousar encostar em alguém da família Cao, Liu Guifen, experimente! Quem quiser entrar, que passe por cima do meu corpo!
A avó Cao estava fora de si, e os outros não sabiam o que fazer. Afinal, era uma idosa; se algo acontecesse, seria difícil explicar.
Vendo que sua família não tinha saída, a avó Liu sentou-se na porta da casa da avó Cao e começou a amaldiçoar, lançando indiretas a Hua Xiaoman, chamando-a de mulher leviana, acusando-a de roubar o namorado dos outros, de espalhar mentiras e destruir a reputação de moças.
De qualquer modo, a avó Liu não citava nomes, apenas jogava pragas. Quem se sentisse atingido, que respondesse.
A avó Cao estava furiosa; era a tática que sempre usava e agora era imitada por outros.
Liu Yuzhi também sentia-se mal, entre a cruz e a espada. Com sua própria mãe agindo assim, como poderia continuar na casa da família Cao?
Tentou puxar a mãe, mas foi insultada novamente, chamada de filha ingrata, de mulher sem vergonha, de quem esquece a mãe por causa de um homem. Palavras cruéis.
A avó Liu era realmente descompensada, insultando até a própria filha. E os vizinhos, vendo o espetáculo, aproximavam-se cada vez mais, apontando e comentando.
Por sorte, embora a avó Cao reclamasse de Liu Yuzhi, na hora decisiva apoiava a nora — ou talvez só não queria perder uma discussão. Sentou-se ao lado da avó Liu, atraindo a atenção, e as duas começaram uma briga de palavras.
Os moradores do vilarejo eram experientes.
As duas velhas eram conhecidas por arrumar confusão; ninguém ousava tocar nelas. Tanto espectadores quanto parentes mantinham distância, circulando ao redor, mas sem se aproximar.
Elas próprias sabiam, já de idade avançada, que não podiam se arriscar fisicamente. Era só boca, e a discussão pegava fogo.
Enquanto as duas trocavam insultos, Liu Cui Ying, parada à porta, confrontou Hua Xiaoman:
— Hua Xiaoman, saia daí, não se esconda, diga alguma coisa.
— De que adianta minha palavra? Se eu disser que você é uma moça honrada, será que isso basta? — respondeu Hua Xiaoman com um sorriso frio. — Prima, quando você foi à escola me procurar, eu te disse: se quer provar sua inocência, faça um exame no hospital, isso vale mais que qualquer coisa. Assim, não importa o que digam, quando quiser arranjar casamento, joga o resultado na cara deles. Quero ver quem vai ousar falar mal!
Você quer uma explicação minha, mas só posso falar a verdade: há três anos, realmente não vi Jia Xiaochuan fazer nada com você. Não vou testemunhar a favor dele, mas também não posso garantir que você é uma moça pura. Não fico com você o tempo todo, perguntar isso para mim não faz sentido, não acha?
Hua Xiaoman surpreendeu a todos com sua franqueza. Uma jovem, na idade da vergonha, falando com tamanha ousadia!
Liu Cui Ying ficou atônita, com os olhos vermelhos. Hua Xiaoman não havia prometido ajudá-la a limpar o nome? Por que voltou atrás? Se pudesse apresentar um exame, não teria todo esse trabalho.
Liu Cui Ying, esperta demais para o próprio bem, se tivesse apenas confrontado Jia Xiaochuan, talvez Hua Xiaoman ajudasse, afinal eram parentes e Jia Xiaochuan era realmente detestável. Mas ela armou um escândalo, foi à casa alheia, e se Hua Xiaoman ainda ajudasse, pareceria fraca demais.
A intenção de Liu Cui Ying era que a família, em peso, lhe desse apoio e pressionasse Hua Xiaoman, mas o resultado foi outro.
Diante da tensão entre Liu Cui Ying e Hua Xiaoman, as duas velhas pararam de brigar, especialmente a avó Cao, que, satisfeitíssima, ria alto:
— Quando o exemplo de cima é torto, o de baixo sai pior! Olhe para sua neta, só pela cara dela, dá para ver que não tem coragem. Se não sabe se comportar com homem, por que precisa de inocência? Igualzinha a você quando jovem, quer parecer virtuosa depois de ser leviana!
— Com quem você está falando? E como sabe que Hua Xiaoman é pura? Pedir que Cui Ying faça aquele exame no hospital não é vergonhoso? Por que Hua Xiaoman não vai?
— Por que eu deveria ir? Quem não deve, não teme. — respondeu Hua Xiaoman com um sorriso frio.
— O namorado dela confia nela, isso é suficiente. — Chu Huai, que só observava, finalmente se levantou, abraçou Hua Xiaoman e falou: — Não precisam dizer essas bobagens. Eu só acredito em Xiaoman.
— Você, rapaz novo, não sabe nada. Ficou tonto por causa de uma moça bonita, nem sabe se ela é gente ou não! — reclamou a avó Liu.
— Uma moça decente, passou a noite no frio e não aconteceu nada? Quem sabe o que houve naquela noite? — continuou a avó Liu.
— Naquela noite, eu fui à montanha e a salvei. Era algo privado, não preciso explicar para vocês, mas a senhora insiste em espalhar boatos, é demais. — respondeu Chu Huai. — Senhora, cuide de sua família e não incomode mais Xiaoman e a avó Cao. Senão, não hesitarei em chamar a polícia. Chegaram aqui em grupo, isso pode ser considerado invasão e tentativa de roubo.
— O quê? Você ainda quer me prender?
— Prendê-la talvez não, mas aquelas outras, por amarrar e ameaçar pessoas, podem sim passar uns dias na delegacia. — dito isso, Chu Huai pegou o telefone e ligou para o capitão Zhang, da equipe policial.
A avó Liu ficou sem reação. Isso era possível?
— Dajun, solte Jia Xiaochuan! Erjun, ajude sua irmã, vamos embora. — a velha era esperta, mandou dispersar o grupo. Afinal, a polícia não viria prender gente em casa, não é?
O vilarejo era pequeno, e a polícia só intervinha em grandes problemas.
O capitão Zhang era claramente amigo de Chu Huai; da última vez, Chu Huai havia ajudado muito, então para esse pequeno incidente, a resposta foi rápida.
E Jia Xiaochuan, o malandro, não era fácil. Depois de tanta humilhação, ao ver os policiais, começou a fingir, dizendo que foi agredido, amarrado, que queriam matá-lo.
Mesmo sabendo que era um aproveitador, os policiais tinham que seguir o protocolo, levando todos os citados para depor.
A avó Cao não hesitou, deu todos os nomes da família Liu, acusando-os de usar o número para roubar uma idosa solitária. Os citados tiveram que ir junto.
As duas idosas, já de idade, os policiais não ousavam tocar. Hua Xiaoman e Chu Huai também se prepararam para ir à delegacia prestar depoimento.