Capítulo 83: Conspiração para Roubar e Matar

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2384 palavras 2026-03-04 15:01:08

Flor Pequena sentia saudades da avó, queria apenas voltar para vê-la rapidamente, na verdade não pretendia se demorar muito em casa.

A senhora Liu, conhecida por sua língua afiada e propensão a espalhar boatos, já tinha dito por aí que Flor Pequena estava possuída por algo ruim—depois de passar uma noite na neve durante o Ano Novo, voltou para casa completamente mudada.

Não era que a velha Liu não tivesse seus motivos; numa aldeia pequena onde todos se veem todos os dias, a mudança em Flor Pequena era realmente notável, parecia mesmo haver algo de estranho. Por mais que Chu Huai tentasse explicar que isso era superstição, não conseguia mudar o modo de pensar tradicional dos moradores.

E agora, as coisas só pioraram: Flor Pequena voltou da escola e acabou mandando Jia Pequeno Chuan para o hospital. Uma moça tão frágil, conseguindo ferir um homem adulto a ponto de hospitalizá-lo? Isso definitivamente não era normal!

Seu primo Cao Tianle ficou tão assustado que encolheu o pescoço, sem ousar dizer palavra, com um olhar que só fazia as pessoas pensarem ainda mais. Que medo era esse de Flor Pequena? O menino estava apavorado.

Antes de partir, Flor Pequena ainda ouviu a tia Zhang, da casa ao lado, cochichando com o marido:

— Uma moça sair sozinha no meio da noite, não tem medo de andar por estradas escuras? É isso, já não é mais a mesma pessoa.

O rosto de Flor Pequena mostrava claro desagrado; sentou-se ao lado de Chu Huai no carro, aborrecida.

Chu Huai não falou muito. Sabia que as pessoas do vilarejo tinham pouca educação formal, e naquela época não havia muitas opções de lazer além da televisão, das cartas e das conversas—não dava para calar a boca dos outros.

No fim das contas, o problema vinha mesmo dessa família Liu que só dava trabalho. Pensando nisso, Chu Huai soltou uma breve risada:

— Quer ir comigo ao hospital?

— Hospital? Não estou doente.

— Dong Rico ainda deve estar lá fazendo exames — zombou Chu Huai. — Suspeito que alguém esteja querendo tirar vantagem e até matar. Como seu psicólogo, tenho responsabilidade com ele.

— Você, rindo assim, parece até um vilão de novela — Flor Pequena sorriu.

— Hã... Os estudantes de hoje têm mesmo a imaginação fértil?

— Desculpa — disse ela, levantando as mãos em sinal de rendição, mas logo ficando séria de novo. — Chu Huai, obrigada. Mas não precisa. Não quero que faça nada que vá contra sua consciência por minha causa. Eles não valem a pena.

Chu Huai balançou a cabeça, sorrindo:

— Não leve tudo tão a sério. Eu não sou santo, sou uma pessoa comum, também penso em mim. E, de qualquer forma, tenho meus próprios limites, pode confiar. Como psicólogo, alertar o paciente sobre os perigos ao seu redor é meu dever.

— Entendi — respondeu Flor Pequena, sem insistir.

O trajeto era curto, e com o carro direto, em menos de vinte minutos chegaram ao hospital do condado de Montanha de Arroz. Chu Huai levou Flor Pequena ao seu consultório, trocou de jaleco, pegou uma maleta de medicamentos e seguiu para a ala VIP.

Dong Rico sempre gostou de ostentar; toda vez que ia ao hospital, ficava na ala VIP. Por esse lado, era bom: o hospital lhe dava prioridade no atendimento com os melhores médicos, nada de filas, poupava tempo.

Mas hoje, depois de tudo o que aconteceu, acabou até fazendo lavagem estomacal—foi um verdadeiro desgaste.

Liu Cuiying não ousava dizer nada, apenas cuidava dele com cautela.

Chu Huai entrou sem cerimônia, foi direto até Liu Cuiying e lhe deu um tapa no rosto.

— O que você pensa que está fazendo? — Liu Cuiying ficou furiosa.

Flor Pequena ficou atônita. Seria Chu Huai defendendo-a? Mas ele estava de jaleco, ainda no hospital, não era nada adequado! Isso podia dar problema.

— Eu? Eu é que quero saber o que você queria fazer! — respondeu Chu Huai, entre os dentes. — Quem diria, tão jovem e com um coração tão perverso.

— O que aconteceu com Flor Pequena tem a ver comigo? Não fui eu quem mandou! Não venha me acusar sem provas! — Liu Cuiying, fora de si, disparou.

— Ah, então o caso de Pequena também tem a ver com você? Muito bem. Liu Cuiying, é melhor você me dar uma explicação convincente.

Chu Huai fitou-a friamente:

— Eu e o capitão Zhang já suspeitávamos de sua ligação com Lobo Leopardo, que você o ajudava de propósito a enganar os outros. Nunca tivemos provas. Agora que a detenção de Lobo Leopardo está para acabar, você volta a agir, querendo se associar a ele para tirar dinheiro e, quem sabe, matar alguém? Ele, pelo menos, só roubou; nunca matou. Mas você, uma mulher, seria capaz de envenenar o senhor Dong?

Então Chu Huai estava falando do caso de Dong Rico?

Liu Cuiying percebeu imediatamente e correu para a beira da cama de Dong Rico, chorando copiosamente.

Comovido, Dong Rico não resistiu e tentou defendê-la:

— Cuiying não fez por mal, só pegou o remédio errado sem querer.

Mas Chu Huai se voltou para ele e disse:

— Remédio não é brincadeira, pode matar. Senhor Dong, numa situação dessas, até sinto pena de você. Se não quiser se divorciar, aconselho a procurar logo um escritório de advocacia e deixar seu testamento pronto.

Dong Rico assentiu, pensativo:

— Boa ideia.

— Eu juro que não fiz nada.

Liu Cuiying agora estava realmente assustada. Mesmo que Dong Rico a consolasse, já não confiava nela como antes. Ela se arrependeu de ter ouvido a mãe e a avó, de ter tido aquela ideia absurda de prejudicar Flor Pequena.

Agora, vendo que Flor Pequena estava bem e ela mesma é quem estava em apuros, todos a acusando de querer matar por dinheiro, ninguém acreditava que havia sido só um engano com os remédios—na verdade, nem ela mesma acreditava nisso.

Mas as lágrimas são arma das mulheres, e ela sabia chorar, sabia se fazer de coitada, e Dong Rico amolecia sempre.

Vendo que Liu Cuiying estava em maus lençóis, Flor Pequena ficou tranquila. Depois do que Liu Cuiying tentou fazer com Jia Pequeno Chuan, ela não merecia piedade alguma.

Flor Pequena também era decidida; não perdeu tempo com palavras, ficou quieta esperando Chu Huai, paciente, sentada no banco do corredor lendo um livro.

Quando Chu Huai saiu, ela foi ao seu encontro e perguntou baixinho:

— E então?

— Vai dar certo.

— Usei seu telefone agora há pouco para deixar um recado no pager da Neve de Ameixa. Ela é de dar pena, sempre dizia que o pai era maravilhoso, mas faz tempo que ele quase não volta para casa.

"Senhor da Fortaleza de Ouro Inquebrável"

Depois disso, os dois foram embora.

A voz de Flor Pequena era baixa, mas ela sabia que Dong Rico ouviria. As duas mulheres da família Dong não eram fáceis; deixaria que se resolvessem.

Ao descer, Flor Pequena encontrou Neve de Ameixa e a cumprimentou, adiantando o que tinha acontecido.

Ao saber que queriam prejudicar seu pai, e mais ainda, de olho no dinheiro da família, Neve de Ameixa ficou furiosa, bateu os sapatos pelo corredor e subiu correndo.

Flor Pequena mal desceu as escadas, ainda dentro do hospital, já ouviu, do terceiro andar, os gritos agudos de Neve de Ameixa—tão altos que ninguém no hospital conseguiu dormir naquela noite.

Flor Pequena não se interessou mais pelo que vinha depois. Restavam treze dias para o vestibular, e sentia que todas aquelas pessoas logo fariam parte do passado. Não valiam a pena sua preocupação.