Capítulo 113 — Animal de estimação?
Após a refeição, Hua Xiaoman de repente percebeu que a carne à sua frente não tinha mais aquele aroma apetitoso.
— Eu não sou cachorro.
— Eu sou, e não me importo! — Lin Jiajing transformou sua tristeza em apetite, tomando o prato de Hua Xiaoman para ajudá-la a acabar com a carne.
Hua Xiaoman achava curioso que Lin Jiajing sempre comesse bastante; ela era praticamente uma carnívora, consumindo o dobro da carne que Hua Xiaoman normalmente comia. Hua Xiaoman só exagerava um pouco nas refeições quando tentava mudar seu destino; no restante do tempo, mantinha uma quantidade de comida que uma dama normal teria.
Lin Jiajing simplesmente comia demais, e o estranho é que a carne que ela consumia não parecia se acumular em seu corpo — sua silhueta era perfeita, com pernas longas e finas, despertando inveja em todos.
Hua Xiaoman olhou para as longas pernas de Lin Jiajing, tomou seu suco tranquilamente e decidiu não comer mais carne.
— Você ainda vai comer? — Lin Jiajing fitava as poucas fatias de carne restantes no prato de Hua Xiaoman; o churrasco de Chu Huai estava realmente muito bom.
— Você fica com essa ração de cachorro, eu estou de dieta! — respondeu Hua Xiaoman, mordendo o canudo, um pouco emburrada.
— Hehe, então vou aceitar sem cerimônias. Mestre, aqui, uma porção de ração para você! — Lin Jiajing disse alegremente enquanto continuava a comer.
O professor Kuang balançou a cabeça resignado. Ele entendia o mundo dos jovens; não era velho, tinha apenas pouco mais de trinta anos. Sabia bem o que era um solteiro sendo alimentado com "ração de cachorro" e não tinha como argumentar contra isso — ele também era um solteiro.
— Xiao Chu é eficiente, mais do que seus outros irmãos aprendizes. Encontrou uma namorada tão boa tão rápido — comentou o professor Kuang, começando a comer também.
Hua Xiaoman deixou de lado o canudo mordido, pegou o pegador de churrasco que Chu Huai lhe ofereceu e continuou a assar para eles. Afinal, estava de dieta; só experimentaria algumas fatias de carne, não queria comer mais.
Após a refeição, o professor Kuang chamou Lin Jiajing para conversar, parecia ter algo importante a tratar, e pediu a Chu Huai que levasse Hua Xiaoman para casa primeiro.
Quando os quatro se separaram, Hua Xiaoman acenou para Chu Huai:
— A entrada da escola fica logo ali, o campus é seguro, não precisa me acompanhar. Já está ficando tarde, você ainda não se mudou, e deve levar uns trinta minutos de volta de carro, então pode ir pra casa.
— Xiaoman, você está me evitando? — Chu Huai parecia um pouco magoado.
— Não é isso, é que realmente não precisa. Eu sou grande, ficaria estranho — Hua Xiaoman tentou explicar, mas era difícil colocar em palavras, era uma sensação de independência.
Ela realmente gostava de Chu Huai, mas gostar de alguém não significava estar juntos o tempo todo; cada um tinha sua vida.
Chu Huai estava um pouco desapontado:
— Você está mentindo, não se esqueça, eu sou psicólogo.
— E eu, veterinária? Isso funciona com você? — Hua Xiaoman respondeu com uma piada sem graça.
Para sua surpresa, Chu Huai não se abalou:
— Então me trate como seu cachorro de estimação, com abraços, carinhos e escovação do pelo.
— Ah? — Hua Xiaoman corou.
Abraços? Carinhos? Escovar o pelo?
Na imaginação de Hua Xiaoman, era um cachorro com o rosto de Chu Huai, a quem ela abraçava, escovava e alimentava, ainda fazendo carinho na cabeça.
A cena era tão bonita que ela nem conseguia descrevê-la.
Chu Huai não sabia da fantasia de Hua Xiaoman, ele também ficou um pouco envergonhado, mas a negativa energia acumulada nele o deixava quase fora de controle.
Enquanto Hua Xiaoman ainda imaginava o cachorro de estimação, Chu Huai a puxou de repente, a abraçando forte, envolvendo-a num abraço caloroso.
Seus braços estavam firmes, e seu coração acelerado.
Hua Xiaoman ficou um pouco confusa — o avanço estava rápido demais? Mas ela não teve coragem de empurrá-lo. Na vida passada, ela havia falhado com Chu Huai; nesta, não queria magoá-lo.
O rosto de Hua Xiaoman ficou vermelho, ela abaixou a cabeça e encostou no peito dele.
Os braços dele se apertaram instintivamente, como se quisessem fundi-la ao seu sangue.
Ela percebeu a mudança em Chu Huai e, desta vez, não ficou tímida nem desconfortável, mas estendeu os braços e começou a acariciar suas costas com suavidade.
Ah, isso mesmo, ele queria carinho.
Então Hua Xiaoman fez movimentos delicados, como se estivesse escovando um cachorro, passando as mãos pelas costas dele, mesmo que não tivesse pelo.
Seus gestos acalmaram o coração inquieto de Chu Huai.
Ele finalmente a soltou, baixando a cabeça para pedir desculpas:
— Desculpa, te assustei. Nos últimos dias, meu humor não tem sido bom. Vá logo para casa, eu vou embora primeiro.
Chu Huai estava com a voz rouca e parecia abatido, como um cachorro abandonado. Hua Xiaoman não conseguiu resistir e teve uma ideia:
— Eu ia com a Jingjing para o cybercafé, mas ela saiu de repente. Que tal irmos nós dois juntos?
— Claro! — Os olhos de Chu Huai brilharam, seu rosto se iluminou com um sorriso radiante, completamente diferente da sombra que tinha antes.
Às vezes, Hua Xiaoman sentia que Chu Huai carregava muitas coisas no coração; ele tentava parecer alegre e radiante, mas havia muitas nuvens escuras em seu interior.
Ela não ousava tocar nessas nuvens, apenas tentava lhe trazer um pouco mais de sol.
Chu Huai também estava um pouco resignado. As frequentes sessões de interrogatório recentes o colocaram em contato com o culto da Flor de Lótus, um grupo de fanáticos completamente insanos, completamente doutrinados, que acreditavam cegamente em um reino divino e em falsas promessas de salvação.
O que tornava essa seita tão assustadora era a lavagem cerebral que fazia as pessoas acreditarem nessas ilusões, distorcendo completamente sua visão de mundo. Eles nem percebiam que estavam sendo enganados, achavam que eram os únicos lúcidos, querendo salvar os outros.
Essa obsessão intensa e toda a escuridão mental deixavam Chu Huai emocionalmente destruído; ele absorvia tanta negatividade que seu próprio estado mental sofria. Às vezes, até pensava em eliminar esses fanáticos.
Ele sabia que esses pensamentos eram irracionais e perigosos. Por isso procurava Hua Xiaoman: só o sorriso dela já o deixava mais confortável. Quando estava com ela, todo seu foco estava nela, e nada da escuridão das pessoas ao redor o afetava; seu mundo ficava silencioso.
Era como viver num mundo estranho onde sempre havia alguém falando, um ruído constante e insuportável, que só desaparecia quando fixava os olhos em Hua Xiaoman. Ele prezava por essa paz e gostava de estar com ela.
Infelizmente, Chu Huai também era inteligente e sabia que estava sendo um pouco precipitado, avançando rápido demais, assustando Xiaoman.
— Ah... — ele suspirou, meio resignado.
Felizmente, no cybercafé havia alguns jogos para jogar.
Recentemente, Hua Xiaoman, acompanhada por Dong Shuangshuang, criou uma conta no QQ e começou a aprender a conversar anonimamente com estranhos, o que todos achavam muito curioso.
Chu Huai abriu a interface do jogo e, ao ver um nome familiar, ficou surpreso.
— "A Lenda do Espadachim"? Já está popular? É aquele em que investimos em ações?
— Sim — Hua Xiaoman sorriu, com os olhos brilhando — Ouvi dizer que "A Lenda do Espadachim" está bombando, as ações subiram rápido.
Que pena que ela só comprou cinquenta mil ações, enquanto alguém comprou três milhões!