Capítulo 115: O irmão pede dinheiro emprestado
Hua Xiaoman voltou para o dormitório já passava das nove da noite. Ela tinha planejado estudar um pouco mais, mas o computador de Dong Shuangshuang estava transmitindo uma novela coreana, e Lin Jiajing também estava assistindo, então ela decidiu se juntar ao grupo para se divertir.
Pouco depois, o telefone tocou.
Era o telefone do dormitório, e ninguém parecia disposto a atender. Dong Shuangshuang e Lin Jiajing estavam tão envolvidas na novela que não queriam se levantar. Hua Xiaoman não teve escolha senão atender.
— Alô, olá, com quem gostaria de falar? — perguntou.
— Olá, gostaria de falar com Hua Xiaoman — respondeu uma voz masculina agradável, um pouco tímida.
Hua Xiaoman ficou surpresa; o telefone realmente suavizava as vozes, tornando a conversa diferente.
— Cao Tianle? — perguntou ela.
— Irmã, eu estava morrendo de saudades! — respondeu ele.
— Onde você está? Já se inscreveu na escola? A vovó está bem? E o tio e a tia? — Apesar de quaisquer desentendimentos anteriores, a distância sempre fazia com que ela perguntasse.
— Estou na escola, só que tenho algumas dúvidas e queria que você me ajudasse a pensar.
— Sobre o que? Fale logo, a ligação não é gratuita, sabia? — Hua Xiaoman apressou.
Com o cartão de longa distância, a chamada era mais barata do que no armazém, mas ela queria mesmo era voltar a ver a novela.
Ao ouvir a pressa de Hua Xiaoman, Cao Tianle começou a explicar:
— Irmã, eu não quero mais estudar. Este curso técnico não vai me levar a lugar algum. Minha prima, Liu Cuiying, disse que seu marido está contratando motoristas na empresa deles, e o chefe paga mil yuans por mês.
— Eu pensei que, mesmo com o curso técnico, meu salário não chegaria a mil. Melhor eu trabalhar agora, porque se eles contratarem outra pessoa, essa chance vai acabar.
Ao ouvir isso, Hua Xiaoman franziu a testa, quase disse que Liu Cuiying estava armando uma cilada, mas se conteve e respondeu:
— Não posso te dar um conselho. Sua vida é sua responsabilidade. O importante é que você saiba o que quer, pense bem e tome uma decisão da qual não se arrependa depois.
Cao Tianle era um daqueles ingratos que sempre buscavam benefícios próprios. No passado, Hua Xiaoman já tinha sofrido por tentar ajudá-lo, pois, se ele não ganhasse alguma vantagem, acabava culpando-a. Embora sentisse pena, ela sabia que não podia se deixar enganar.
Além disso, ele já tinha dezesseis anos, não era mais uma criança, e após o ensino fundamental, deveria ter algum discernimento.
Ele pensou por um momento e suspirou:
— Na verdade, eu gostaria de terminar o curso técnico, pelo menos para ter um diploma e uma especialização. Assim, não seria eu quem estaria implorando por um emprego; seriam as empresas que me procurariam.
— Então estude direitinho, não pense tanto — disse Hua Xiaoman, acompanhando o raciocínio dele.
Cao Tianle, claro, aproveitou para reclamar:
— Mas você sabe, irmã, ele não é meu pai biológico. Agora ele só está morando conosco e não dá dinheiro para minha mãe, muito menos para a minha escola.
— O dinheiro da escola técnica foi reservado por minha mãe. Tenho medo de ficar sem dinheiro no meio do caminho.
Ele fez uma pausa, esperando que Hua Xiaoman respondesse.
Ela permaneceu em silêncio, incentivando-o a continuar.
Um pouco constrangido, ele falou:
— Irmã, você poderia me emprestar um pouco? Para que eu consiga pagar a escola no próximo ano.
Hua Xiaoman riu de repente.
No passado, ele teria conseguido o dinheiro dela assim que pedisse.
Agora, ela só conseguia rir da situação:
— Eu não sou sua mãe. Eu mesma preciso trabalhar para pagar meus estudos. De onde eu tiraria dinheiro para te emprestar?
Cao Tianle ficou visivelmente constrangido e suspirou:
— Acho que só me resta abandonar a escola e virar motorista.
— A vida é sua, você decide. Seja qual for o caminho, decida e se esforce — respondeu Hua Xiaoman.
Ela ouviu as risadas de Dong Shuangshuang e Lin Jiajing e se preparou para se juntar a elas na novela.
— Se não for nada mais, vou desligar. A ligação é cara e não quero desperdiçar seu dinheiro — disse educadamente, sem nem dizer adeus, e desligou.
Depois de desligar, Hua Xiaoman ficou pensativa sobre muitas coisas do passado e não se juntou mais às colegas para assistir à novela. Em vez disso, ligou para o celular de Chu Huai.
Como Chu Huai ainda não havia se instalado no dormitório, não deixara o número lá, então só podia ligar para o celular.
Ele atendeu rapidamente, claramente com o número de Hua Xiaoman salvo, e antes mesmo dela falar, perguntou:
— Xiaoman?
— Sim, sou eu.
Era incrível; Chu Huai parecia ter desenvolvido uma habilidade especial, capaz de “ver” as pessoas através do telefone.
Hoje em dia, os celulares têm principalmente função de voz; videochamadas geralmente são exclusivas de grandes empresas com equipamentos especiais.
Mas a habilidade de Chu Huai criava um efeito de videochamada só com a ligação.
Por isso, ao vê-la mesmo pelo telefone, seu humor melhorou, embora percebesse que Xiaoman parecia um pouco triste.
— O que te fez ligar para mim?
— Senti sua falta.
— Nada de mentiras. Mentir é coisa de cachorro.
— Au... — respondeu ela, imitando o latido.
— Fui atingido em cheio — disse Chu Huai, fazendo uma expressão de coração partido.
Ele sabia que ela estava brincando e queria provocá-lo.
— Tudo bem, eu admito, realmente senti sua falta — suspirou Hua Xiaoman, mas logo se recompôs.
— É isso, não tenho mais nada. Vou desligar. Boa noite.
— Boa noite — respondeu Chu Huai quase automaticamente.
A ligação encerrou.
Chu Huai ficou olhando para o telefone, vazio sem a presença dela, sentindo-se um pouco perdido e impotente.
Queria ligar de novo, mas pensou melhor. Embora Hua Xiaoman tenha concordado em ser sua namorada, o relacionamento ainda era recente e não íntimo.
Ele não queria parecer pegajoso e assustá-la.
Do lado dela, após desligar, ficou parada por um momento antes de ir tomar banho.
Quando saiu, já de pijama, enxugava o cabelo com a toalha.
Lin Jiajing e Dong Shuangshuang brincavam imitando seu jeito de falar:
— Eu admito, realmente senti sua falta.
— Eu senti sua falta.
Ouvindo as colegas imitarem suas palavras, Hua Xiaoman sorriu, divertindo-se com elas, o que melhorou muito seu humor.
Justamente nesse momento, o telefone tocou de novo.
Hua Xiaoman congelou, empurrou Lin Jiajing e disse:
— Você atende, se for meu irmão, diga que não estou.
— E se for Chu Huai? — perguntou Lin Jiajing.
— Aí eu estou, claro — respondeu Dong Shuangshuang, ajudando Hua Xiaoman.
Ela corou e assentiu timidamente.
Lin Jiajing, de bom humor, foi atender o telefone.