Capítulo 105: O Professor Kuang, um Homem de Conhecimento Profundo

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2383 palavras 2026-03-25 12:42:11

Kuàng Qīngrén percebeu a hesitação de Huā Xiǎomǎn, sorriu levemente e, em vez de insistir, decidiu contar-lhe sobre o Ping’an Yù (Jade da Segurança):

— Chǔ Huái é uma das minhas maiores orgulhosas discípulos. Ele entrou tarde na escola, mas progrediu rapidamente, embora sempre acabasse se machucando. Quando examinei seu destino, descobri que ele tem uma constituição vulnerável.

Se eu soubesse disso antes, talvez não o teria aceitado. Talvez uma vida comum o poupasse de tanta dor.

Mas, uma vez aceito, a nossa ligação começou no dia em que ele me chamou de mestre.

Por ele, quebrei a cabeça e, finalmente, consegui um Ping’an Yù para sua proteção, diretamente de um santuário taoísta. Não esperava que ele fosse tão apaixonado ao ponto de querer lhe dar essa joia.

Dizem que cada gole e cada pequeno gesto são predestinados. Ele te entrega o Ping’an Yù, enfrentando perigos, e você o ajuda a superar esses riscos.

E talvez, a pessoa para quem você entregar o Ping’an Yù seja o começo de uma nova sorte em sua vida.

Um livro sagrado, talvez?

Huā Xiǎomǎn sentiu uma leve dor de cabeça. Ela compreendia as palavras isoladamente, mas, ouvidas assim, pareciam tão enigmáticas.

Não seria melhor uma vida simples?

Mas ela havia reencarnado — já isso era um mistério que a ciência não explicava.

Ela ouviu em silêncio, sem entender muito, pois era assim que aprendera ao longo dos anos: quando não compreendia, permanecia calada.

Chu Huái, vendo sua expressão, comentou com um sorriso resignado:

— Mestre, você assustou ela, ela nunca estudou metafísica.

Kuàng Qīngrén sorriu gentilmente:

— Desculpe, não falarei mais sobre isso. Aliás, Huā Xiǎomǎn, você disse que é caloura na Universidade de Jiangnan, certo?

— Que coincidência! No próximo sábado, darei uma palestra no auditório do novo campus. Não esqueça de vir.

— O senhor é… professor da nossa universidade? — ela perguntou baixinho, incerta.

— Ainda não, mas logo serei. Para te aceitar como aluna, vou me tornar professor! Um professor que dá palestras!

Huā Xiǎomǎn olhou para Kuàng Qīngrén com outra expressão, mudando de cética, com os olhos dizendo “não me engane, charlatão”, para admirada: “Professor, que incrível!”

Chu Huái sorriu amargamente, pensando que, se não fosse pela diferença de idade, ele também poderia ser professor e palestrante. Mas o mestre era uma relíquia histórica e cultural.

— Mestre, quando você der a palestra, quero duas cadeiras na primeira fila para mim e para a Xiǎomǎn.

— Pode ser, quatro cadeiras, traga seus amigos também — respondeu Kuàng Qīngrén, com boa aparência, mesmo na cama do hospital.

Chu Huái ficou sem palavras: quatro cadeiras? Não preciso de dois “holofotes”! O mestre realmente não tem experiência com relacionamentos, coitado, com essa idade ainda está solteiro.

— Xiaochu, está me xingando? — perguntou o mestre.

— De jeito nenhum.

Kuàng Qīngrén logo se cansou da conversa com Chu Huái e voltou a falar com Huā Xiǎomǎn.

Ele percebeu que falar sobre ser discípula a assustara, então mudou de tom.

Huā Xiǎomǎn era universitária, admirava professores, e agora ele poderia se mostrar como um erudito!

Assim, diante do olhar de admiração dela, o professor Kuàng começou a falar longamente sobre a antiga cultura de Jiǔzhōu, remontando ao período dos Cem Escolásticos de mais de dois mil anos atrás.

Ele era um homem cultíssimo, suas palavras tinham fundamento: falava sobre os Mohistas, Legalistas, Taoístas, Confucionistas, suas filosofias, personagens famosos, e a transmissão cultural, explicando tudo com clareza.

Seus conhecimentos superavam a soma dos professores de língua e história que Huā Xiǎomǎn teve no ensino médio.

Kuàng Qīngrén falava sem parar, até a enfermeira que fazia ronda no quarto VIP do hospital, um quarto individual, não quis sair, ficando para ouvir as histórias. Se fosse um quarto coletivo, outros pacientes poderiam até formar uma plateia.

Mais tarde, Chu Huái percebeu que já era hora e interrompeu o professor:

— Mestre, vou levar a Xiǎomǎn de volta à universidade. À noite tem atividades, e depois, quando estiver mais tranquilo, ouviremos seus ensinamentos.

— Certo, vão com cuidado. Ah, Huā Xiǎomǎn, se quiser mudar de curso, pode me procurar. Posso ajudar a transferi-la para História.

— Talvez depois. Eu gosto do meu curso — respondeu ela, um pouco receosa da empolgação do mestre.

Ao sair do hospital, Huā Xiǎomǎn ainda estava atordoada.

Chu Huái se desculpou:

— Meu mestre é meio “doente acadêmico”. Quando fala de sua área, não para mais.

— O professor Kuàng é realmente erudito e respeitável. Além disso, é muito afável e natural, um verdadeiro ancião digno de respeito — sorriu Huā Xiǎomǎn.

Vendo que ela não se incomodava, Chu Huái ficou aliviado.

...

Huā Xiǎomǎn estava com pressa para a reunião da turma e nem jantou. Comprou um zòngzi (bolinho de arroz) pronto na frente do dormitório para se alimentar rapidamente.

— Xiǎomǎn, você finalmente voltou. Vamos logo — disse Dǒng Shuāngshuāng, impaciente. — Anote meu número, se precisar, me ligue da cabine telefônica lá fora.

A universidade era diferente; havia cabines telefônicas por todo o campus, e o cartão IC deles funcionava tanto no dormitório quanto nas cabines.

Huā Xiǎomǎn assentiu e anotou o número no seu pequeno caderninho para manter contato.

— Xiǎomǎn, vai trocar de roupa? Se não, podemos ir agora e aproveitar para conhecer a sala da nossa turma.

— Nossa sala fica no Edifício 3, sala 306, no setor leste. Normalmente, as aulas práticas são no nosso pequeno grupo, e podemos estudar lá também — explicou Dǒng Shuāngshuāng.

Huā Xiǎomǎn assentiu, sentindo-se um pouco envergonhada por não ser tão ativa quanto Dǒng Shuāngshuāng, que já havia feito amizades e se familiarizado com o ambiente.

— Desculpe por te deixar sozinha hoje, tive mesmo um compromisso — disse Huā Xiǎomǎn timidamente.

Dǒng Shuāngshuāng sorriu e bateu no ombro dela:

— Tudo bem, eu só estava dando uma volta depois da matrícula, sem muito o que fazer. Você tem namorado, então é diferente. Somos colegas, nem precisamos falar disso.

— Ah, Xiǎomǎn, sobre seu namorado, é melhor não contar para a turma ainda.

— Por quê? — Huā Xiǎomǎn não tinha intenção de espalhar, era algo pessoal, desnecessário.

Mas Dǒng Shuāngshuāng insistiu, deixando-a desconfortável.

— É que estamos no primeiro ano, saímos do ensino médio há pouco e já ter namorado pode causar comentários. Ninguém conhece ninguém, então, se ninguém perguntar, é melhor não contar. Se perguntarem, não conte, e eu te apoio, combinado?

Oferecer ajuda sem motivo aparente sempre gera desconfiança.

Huā Xiǎomǎn achou estranho o pedido e não respondeu diretamente, optando pelo silêncio.

Dǒng Shuāngshuāng entendeu o silêncio como um “sim”.