Capítulo 64: A Fotografia
Depois de brincar um pouco com as colegas de quarto, chegou a hora de apagar as luzes. Flora Pequena subiu para a cama pontualmente, deitou-se e não conseguia parar de pensar em Dona Neve Ameixa.
Quando finalmente adormeceu e começou a sonhar, a primeira pessoa que apareceu em seu sonho foi justamente Dona Neve Ameixa! E era daqueles sonhos datados, com direito a calendário.
Era 25 de abril de 2001, às duas da tarde.
Dona Neve Ameixa havia marcado um encontro com Chu Huai e lhe entregou algumas fotos. Nas imagens, Flora Pequena, ainda no segundo ano do ensino médio, aparecia com o rosto corado, entregando uma carta de amor a Benção Marinha Azul. Havia também uma foto de Benção Marinha Azul segurando o braço dela e outra deles sentados lado a lado, olhando um para o outro, parecendo profundamente apaixonados.
Que astúcia tem Dona Neve Ameixa!
No segundo ano, o pai dela havia lhe comprado uma câmera, e Dona Neve Ameixa se gabava disso, carregava o aparelho pendurado no pescoço e tirava fotos de todos na sala de aula. Naquela época, ela distribuía generosamente as fotos entre os colegas, que morriam de inveja.
Naqueles anos, os celulares estavam começando a aparecer nas grandes cidades. No pequeno lugar onde moravam, os empresários usavam pagers ou telefones enormes, e raramente alguém podia comprar um celular. Mesmo quem tinha, só usava para telefonar; a função de câmera era muito fraca.
Ainda existiam estúdios fotográficos nas ruas, com câmeras enormes e filmes, revelando as fotos em quartos escuros. Para tirar fotos de documentos ou de família, todos iam ao estúdio.
Quando algum colega tinha uma câmera, era um evento e todos ficavam empolgados, jamais imaginando que Dona Neve Ameixa usaria o aparelho para registrar outras coisas.
Por exemplo, ela fez uma série de fotos dedicadas a Benção Marinha Azul, que nunca mostrou a ninguém. Enquanto fotografava os colegas, quem poderia saber que o foco dela era Benção Marinha Azul?
E ao fotografá-lo, capturava também momentos de interação entre ele e Flora Pequena.
A vergonhosa carta de amor rosa nas mãos de Flora Pequena foi entregue por ela em nome de Dona Neve Ameixa. Quanto ao olhar profundo entre os dois, era só uma explicação de exercícios. Flora Pequena nunca teve coragem para seduzir um estudante exemplar!
Dona Neve Ameixa realmente sabia manipular as coisas. Com essas fotos, Chu Huai, que não conhecia os detalhes da escola, poderia mesmo interpretar errado o que via.
Flora Pequena sentiu o coração acelerar, ansiosa para saber como Chu Huai iria reagir.
Mas, nesse momento, o sonho acabou!
Ela parecia ver Chu Huai sorrindo para ela, e então o sonho terminou.
Por sorte, Flora Pequena não acordou de verdade; apenas terminou aquele sonho e logo começou outro.
Dessa vez, quem aparecia era Lírio Esmeralda.
O tempo no sonho era 4 de abril de 2001, justamente o dia seguinte!
Lírio Esmeralda era implacável, preocupada com sua reputação, foi até a porta da empresa de Dom Fortuna e companhia, vestida de branco, com uma fita de cetim preparada, chorando e dizendo que não suportava mais viver, que iria se enforcar ali mesmo.
Dom Fortuna ficou alarmado e a arrastou rapidamente para seu escritório.
“Eu não prometi casar com você? Que piada é essa? Fique tranquila, vou te trazer para a empresa quando nos casarmos,” disse ele, irritado.
Lírio Esmeralda chorava e explicava:
“Mas sua filha não concorda. Ela diz que Flora Pequena é colega dela, insiste que só me aceita se eu for morar na casa do tio de Flora Pequena. Mas minha tia já se casou e vive lá há anos; mulher do campo casada é como água derramada, não pode voltar. Eu queria ir para lá, mas eles não aceitam.”
“Não tenho outra saída, se quiser me matar, faça isso logo.”
Lírio Esmeralda era esperta; enquanto falava, sentava-se no colo de Dom Fortuna, envolvia o pescoço dele com as mãos e, chorando, enterrava o rosto no peito dele.
Ela usava uma camisa branca de gola baixa e, ao puxá-la, abriu mais um botão, deixando um vislumbre do corpo. A saia curta, por causa da postura, levantava ainda mais.
“Ah, minha querida, como eu ia querer te matar? Se fosse para morrer, seria de prazer,” Dom Fortuna riu, acariciando Lírio Esmeralda.
“Você só sabe se aproveitar de mim,” ela enxugou as lágrimas, o rosto vermelho de vergonha, empurrou levemente, mas foi presa e deitada no sofá de atendimento do escritório.
“Eu não abuso de ninguém, só de você, porque é minha esposa,” disse ele, começando a beijá-la desordenadamente.
“Devagar, tem gente lá fora,” Lírio Esmeralda murmurou, com voz de gata.
O resto da cena desapareceu.
Flora Pequena sentiu-se confusa e constrangida. Já era adulta e sabia o que acontecia, mas era impossível não se sentir envergonhada diante de um prelúdio tão explícito. Era a primeira vez que via algo assim com os próprios olhos.
Por sorte, o tempo passou rápido e a cena mudou.
Ambos estavam novamente vestidos, Lírio Esmeralda de salto alto, pernas em posição ligeiramente aberta, de pé diante da mesa de Dom Fortuna.
Dom Fortuna, com a barriga de cerveja estufada, parecia satisfeito, com marcas de batom no rosto, que provavelmente não percebeu. Olhou para Lírio Esmeralda com olhos semicerrados e falou:
“Vá para casa esperar notícias. Vou te casar com pompa. Se não se sentir segura, podemos pegar o certificado agora.”
“Pronto, não fique magoada, seja boazinha, tome um banho e durma bem. Sei que você é uma boa moça, me deu sua primeira vez. Neve Ameixa é apenas uma criança, não se preocupe com ela, é minha única filha e eu a estraguei.”
“Eu sei, para você, sua filha sempre vem primeiro.”
“No futuro, você será tão importante quanto ela, ambas serão minhas pessoas mais íntimas.”
“Hum. Então vamos pegar o certificado agora.”
Os dois saíram, e a cena terminou abruptamente. Flora Pequena acordou assustada.
Ainda era madrugada; ao ouvir as colegas dormindo profundamente, sentiu-se um pouco deslocada.
Deitou-se, esforçando-se para não pensar demais, tentando dormir logo.
Sobre Lírio Esmeralda, realmente não precisava se preocupar; ela conseguiu casar com Dom Fortuna. Eram mesmo como tartaruga e feijão-verde, se encarando. Ela gostava de homens ricos, ele gostava de moças ousadas e sedutoras, um par perfeito?
Lírio Esmeralda não tinha a mesma paciência de Flora Pequena na vida anterior; era proposital ao acusar Dona Neve Ameixa e sabia usar seu valor, oferecendo um pouco de prazer a Dom Fortuna depois de reclamar, evitando ser rejeitada. Pelo visto, aquela família seria ainda mais animada no futuro.
Flora Pequena pensava mais em Chu Huai.
Como ele reagiria ao ver aquelas fotos? Será que iria interpretar mal? Afinal, de uma perspectiva de estranho, sem conhecer o contexto, ao deparar-se com tais imagens, era fácil imaginar coisas.
Mas não deveria, ele era Chu Huai. Ele prometeu confiar nela, esperar por ela.
Por outro lado, Chu Huai era humano e também sentiria ciúmes, poderia perder o controle por preocupação. Se realmente gostasse dela, ficaria irritado, não?
Felizmente, Dona Neve Ameixa marcara encontro com Chu Huai para o dia quinze de abril, no próximo domingo. Flora Pequena ainda podia encontrá-lo no fim de semana e explicar tudo!
Pensando assim, seu coração se acalmou. E sem perceber, já era manhã!