Capítulo 108: Novo Colega
Como representante de turma, Dong Shuangshuang atrasou-se logo no primeiro dia da cerimônia de abertura. Para ela, essa era uma humilhação inaceitável.
Segurando a frustração, Dong Shuangshuang esperou até a hora do almoço, chamou Hua Xiaoman para irem ao refeitório e, assim que se sentaram com suas bandejas, começou a desabafar:
— Xiaoman, você tem algo contra mim? Somos colegas de classe; se tem algum problema, pode falar na minha cara. Por que tentar me prejudicar de propósito?
Hua Xiaoman olhou para Dong Shuangshuang sem dizer nada, sentindo apenas uma ponta de melancolia: era tão parecida, realmente muito parecida. Não apenas na aparência, mas também no temperamento!
Parecida com quem? Com Dong Xuemei, é claro.
Inicialmente, ao ver que Dong Shuangshuang se parecia com Dong Xuemei, Hua Xiaoman não sentiu nada de especial. Afinal, na vida passada, quem a prejudicou foi Dong Xuemei, não Dong Shuangshuang, e ela não pretendia descontar a raiva em outra pessoa. No entanto, não havia necessidade de ser excessivamente íntima de alguém de quem não gostava; forçar uma amizade não valia a pena. Por isso, Hua Xiaoman sempre manteve apenas o necessário para manter as aparências.
Hoje, ela a avisara antes apenas por causa da cena que vira em um sonho, para evitar uma grande briga no dormitório. Quem diria que Dong Shuangshuang seria tão frágil a ponto de se atrasar por algo tão trivial.
Ao ver que Hua Xiaoman continuava calada, Dong Shuangshuang ficou ainda mais irritada:
— Xiaoman, você não quer mais ser minha amiga só porque virei representante de turma?
Hua Xiaoman permaneceu em silêncio: "Por favor, nunca fomos amigas. Não se leve tão a sério. Não digo isso apenas para não ferir seu orgulho."
Vendo que Hua Xiaoman não respondia, Dong Shuangshuang sentiu-se ainda mais frustrada:
— Xiaoman, não seja assim. Somos as únicas duas meninas da turma. Se houver algo, pode me contar. Precisamos nos dar bem.
— Eu não tenho nada, você tem? — Hua Xiaoman não conseguiu se conter, e a frase deixou Dong Shuangshuang furiosa.
— Xiaoman, pare de fingir! Você não me chamou de propósito esta manhã, não foi?
— O quê? — Hua Xiaoman hesitou por um momento antes de compreender: — Você quer dizer que o seu atraso na cerimônia é culpa minha?
Diante da resposta, a fúria de Dong Shuangshuang arrefeceu. Ambas eram adultas e não podiam ser irracionais; ela não tinha olhado o relógio e se atrasara, então, realmente, não parecia ser culpa de Hua Xiaoman. Ainda assim, Dong Shuangshuang sentia-se incomodada:
— Mas por que você não me chamou?
— Eu chamei, você é que não respondeu.
— Eu não ouvi. — Dong Shuangshuang pensou um pouco e, sendo minimamente sensata, concluiu: — Já sei, eu estava com o chuveiro ligado e a porta do banheiro fechada.
— Pois é, eu não podia me atrasar junto com você.
Parecia fazer sentido.
Antes que Dong Shuangshuang pudesse dizer mais algo, Hua Xiaoman já havia pegado sua bandeja e mudado de mesa. A mensagem era clara: "Não quero almoçar com você!"
Dong Shuangshuang sentiu-se um pouco constrangida, mas como eram da mesma turma, outros colegas também comiam por perto, e seria péssimo se vissem a cena. Sem alternativa, Dong Shuangshuang pegou sua bandeja, seguiu a colega e sentou-se à força na frente de Hua Xiaoman:
— Por que você está fugindo?
— Estou com fome e quero comer. No meu povoado, temos um ditado: o céu é grande, mas a hora da refeição é a maior prioridade. Por favor, não me interrompa enquanto como. — Hua Xiaoman retrucou, visivelmente incomodada.
— Tudo bem, tudo bem, vamos comer. — Dong Shuangshuang sentiu-se envergonhada. Ela falara tanto que sua comida esfriara. Mas, espere, a dela estava fria, a de Hua Xiaoman não! Enquanto ela falava, Hua Xiaoman continuava com a cabeça baixa, comendo sem lhe dar muita atenção.
Diante desse temperamento, Dong Shuangshuang não teve escolha a não ser comer primeiro e tentar conversar depois. Afinal, eram garotas; talvez pudesse presenteá-la com algo. Ah, sim! Hua Xiaoman parecia não ter um sabonete facial, ela ainda usava sabonete comum para lavar o rosto e tomar banho. Que tal comprar um sabonete facial para ela?
Pensando nisso, após o almoço, Dong Shuangshuang insistiu que Hua Xiaoman fosse ao pequeno supermercado abaixo do refeitório.
Muitos estudantes compravam itens essenciais naquele início de semestre, e Hua Xiaoman não queria enfrentar filas. Porém, voltar ao dormitório também não era uma opção, pois sonhara que uma "bomba" explodiria lá dentro, e ela não queria ser a primeira a chegar. Sem saída, e para não azedar demais a relação entre colegas, Hua Xiaoman acompanhou Dong Shuangshuang, viu-a pagar vinte e seis yuans por um sabonete facial e voltaram juntas para a escola.
No caminho, Dong Shuangshuang tentou entregar o presente, mas Hua Xiaoman recusou com uma desculpa peculiar:
— Uso sabonete comum desde pequena, sinto que limpa melhor. Não estou acostumada com essas coisas. — O principal motivo era que não tinha dinheiro para manter o hábito! E, mesmo que quisesse, não aceitaria caridade.
Dong Shuangshuang não sabia o que fazer com Hua Xiaoman. De qualquer forma, já tinha comprado; levaria de volta e tentaria entregar em outra oportunidade.
Ao chegarem ao dormitório, Dong Shuangshuang parou surpresa: a porta estava aberta? Ela fora a última a sair de manhã para a cerimônia e tinha certeza de que a trancara. Será que tinham sido roubadas? Ela tinha um computador ali, não podia ser levado.
Assim que empurrou a porta, Dong Shuangshuang sentiu a raiva subir. Seus pertences, que estavam sobre a mesa e a cadeira da cama número dois, haviam sido jogados no chão. E, na cama dois, havia uma garota de cabelos longos arrumando o colchão.
Pelo visto, alguém fora realmente alocado no dormitório delas.
Dong Shuangshuang estava furiosa, mas conteve o temperamento para tirar satisfações com a garota:
— Olá, colega. Meu nome é Dong Shuangshuang. Você é a nova moradora?
— Sim, fui transferida para o curso de Medicina Veterinária. Sou Lin Jiajing. — A garota ergueu a cabeça e presenteou Dong Shuangshuang com um sorriso radiante.
— Minhas coisas estavam na sua mesa. — disse Dong Shuangshuang.
Lin Jiajing sorriu: — Sem problemas, eu as movi para você. Da próxima vez, não ocupe o lugar dos outros, ou será um incômodo.
— Você jogou minha mochila do computador no chão! — Dong Shuangshuang estava fervendo.
— Como eu ia saber de quem era? Você deixou em cima da minha mesa. Se eu não tirasse de lá, como eu ia arrumar minhas coisas? — Lin Jiajing também não era de levar desaforo para casa.
As duas começaram a trocar farpas e, como esperado, a discussão escalou. Hua Xiaoman, querendo distância daquela confusão, pegou um livro, subiu na cama e ficou lendo deitada.
Quando a briga cessou e o clima no quarto ficou estranho, Lin Jiajing se acalmou e lembrou-se de cumprimentar Hua Xiaoman:
— Olá, bonita! Você deve ser a Hua Xiaoman, certo? Quando pedi a transferência, ouvi dizer que na nossa turma de Medicina Veterinária havia uma garota belíssima. Você realmente não me decepcionou.
— Olá. — Hua Xiaoman respondeu brevemente, apenas por educação.
Mas Lin Jiajing, interessada, aproximou-se para conversar:
— Eu vim do curso de História. Aliás, vou lhe contar um segredo: sou muito boa em pesquisa histórica e cultural. Tenho até um mestre chamado Kuang Qingren.
— ...
Hua Xiaoman parou por um segundo e deu um sorriso forçado. Por que em seu sonho ela só viu as duas discutindo e nada mais? Sonhos realmente não são nada confiáveis. Kuang Qingren era uma figura implacável; ele realmente tinha esse poder todo de transferir o curso de um discípulo?
— Meu mestre disse que você lhe pareceu alguém agradável e que talvez você venha a ser minha "discípula-irmã" mais nova, por isso ele me pediu para cuidar de você. Não tenha medo. Se aquela ali te tratar mal, eu te defendo. Se não resolver na conversa, a gente resolve na briga; eu sei lutar muito bem.
Ainda bem que Dong Shuangshuang tinha ido ao banheiro lavar roupas, caso contrário, ficaria ainda mais irritada ao ouvir aquilo.