Capítulo 44 – Amigas de Verdade Sabem Como Atingir Onde Mais Dói
— Se não sabe falar, cale a boca. O que quer dizer com “como você está pensando”? Então me diga, como estou? — Qin Shu largou as roupas que segurava, apanhou uma pedra e, de surpresa, agarrou o braço dela, puxando-a para frente e pressionando a pedra contra sua boca.
Com a energia sombria acumulada em dois ciclos do jogo, a força de Qin Shu atingira um novo patamar. Qin Zhenzhen, diante dela, era como um frango indefeso.
Qin Shu praticamente a imobilizou, empurrando a pedra com força para dentro da boca de Qin Zhenzhen, que por mais que se debatesse, nada conseguia fazer.
— Mmm, mmm! — Os sons abafados de Zhenzhen ecoavam.
Tian Xier, ao lado, ficou paralisada de medo, olhando para a expressão feroz de Qin Shu e para o olhar suplicante de Zhenzhen.
Seriam mesmo irmãs de sangue? Pareciam inimigas mortais. Era assustador, mais aterrorizante do que qualquer entidade sobrenatural. Bastava um desentendimento para partirem para a violência. Vendo o sangue escorrer da boca de Zhenzhen, toda a insatisfação que Tian Xier sentira por Qin Shu evaporou-se.
— Pare, pare agora! — gritou Tian Xier, aterrorizada.
Qin Shu lançou-lhe um olhar feroz antes de soltar Zhenzhen. Esta, ainda com sangue nos lábios, mal teve tempo de lançar um olhar ameaçador, quando sentiu uma dor aguda no abdômen: Qin Shu acabara de esfaqueá-la.
O sangue escorreu de seu corpo, espalhando-se pelo rio.
— Ah! Você... você realmente matou alguém! — Tian Xier tapou a boca, gritando de horror. Jamais imaginara que Qin Shu seria tão insana a ponto de matar alguém por tão pouco.
Zhenzhen não dizia que aquela era sua irmã mais nova?
Qin Shu retirou a faca ensanguentada e empurrou Zhenzhen, que estava coberta de sangue:
— Continue tagarelando e mato você também.
Caída na água, Zhenzhen foi envolta por uma luz esverdeada e, no instante seguinte, reviveu.
Ela agarrou a bacia e correu para longe, mantendo-se a uma boa distância. Seu olhar sombrio fixou-se em Qin Shu, como uma víbora vingativa, sibilando entre dentes cerrados:
— Qin Shu! Você ousa me matar? Espere só, quando voltarmos, vou contar tudo ao papai e à mamãe.
— Hmph, você nunca mais vai pôr os pés na família Qin — Qin Shu ergueu o olhar frio, sorrindo de escárnio. — Se tem coragem, fique aí e deixe-me matar você de novo.
— Você... — Zhenzhen ficou sem palavras, tremendo ao olhar para a faca ensanguentada nas mãos da irmã. Qin Shu era insana, capaz de matá-la sem pestanejar. Se não fosse pela sorte de ter usado o boneco substituto no último segundo, já estaria morta.
— Cale-se, só de ouvir sua voz me dá vontade de matar alguém.
Qin Shu respondeu com desprezo. Que azar absurdo era esse, até nos jogos tinha de encontrar essa criatura.
Tian Xier estava apavorada. Observando o olhar feroz de Qin Shu e o olhar igualmente sombrio de Zhenzhen, decidiu, no íntimo, manter-se o mais distante possível das duas irmãs.
No Departamento de Narrativas Sobrenaturais, o velho Yan e Li Xuantian, ao assistirem às ações insanas de Qin Shu, ficaram em silêncio.
— Que tipo de sofrimento essa menina passou na família Qin para agir assim, tentando matar a irmã logo que se encontram? — O chefe Yan, com o rosto carregado, olhava para Zhenzhen, que mesmo esfaqueada, ainda ameaçava Qin Shu. — Investiguem a família Qin.
Li Xuantian assentiu em silêncio. Pegou o celular discretamente e enviou uma mensagem.
...
Qin Shu terminou de lavar as roupas; já passava das dez e meia. À frente, o grande cão amarelo liderava o caminho, enquanto ela o seguia calmamente, até que uma voz familiar chamou por seu nome pelas costas.
— Qin Shu, Qin Shu.
[Regra nº 22: Se ouvir alguém chamar por você pelas costas, jamais olhe para trás.]
Ou seja, quem a chamava não era humano, mas uma entidade sobrenatural.
Qin Shu ignorou e apressou o passo em direção a casa. A coisa atrás dela insistia, seguiu-a, colocando a mão em seu ombro.
— Qin Shu, por que está fugindo?
Vendo a situação, Qin Shu apertou a faca de cortar ossos e golpeou para trás.
Um grito miserável ecoou. Finalmente, o silêncio reinou.
Qin Shu olhou para o cachorro trêmulo, dando-lhe um leve chute:
— Com essa coragem, melhor nem ser cachorro.
— Au, au, au! — O cão ergueu a cabeça, parecendo inconformado, latindo algumas vezes. Mas, ao cruzar o olhar com os olhos semicerrados de Qin Shu, logo se calou, esfregando o focinho na perna dela.
Qin Shu, impaciente, empurrou-o com o pé:
— Chega de fazer charme. Vamos para casa.
Ainda tinha tempo e queria voltar para tentar encontrar mais pistas, como... talvez uma chave no quarto da velha entidade.
Deu alguns passos e topou com uma figura familiar.
Yan Rui não esperava encontrar Qin Shu logo em sua primeira partida no jogo. Tinha acabado de sair de casa e, ao vê-la, ficou radiante.
Qin Shu apertou a faca, sem intenção de se aproximar, apenas a observando de longe.
Yan Rui pigarreou:
— Qin Shu?
Qin Shu assentiu:
— Senhora Yan?
Yan Rui sorriu, olhando para a bacia de roupa e o cão ao lado.
— Vai lavar roupa? — perguntou Qin Shu.
Yan Rui confirmou, depois se aproximou e perguntou em voz baixa:
— Como você escapou esta noite?
Não era por mera curiosidade — aquilo que acontecia à noite era terrível demais.
Só lhe restava um último talismã dos sonhos e ainda faltavam muitos dias no jogo; estava realmente preocupada.
— Hã? — Qin Shu olhou para ela, confusa.
Yan Rui corou e disse:
— No último jogo, tive sorte...