Capítulo 45: Ding, o Esposo Misterioso Faz um Convite
De volta à casa, Qin Shu estendeu as roupas para secar e depois limpou o quintal e o interior da casa até que tudo ficasse impecável.
Um verdadeiro exemplo de esposa dedicada, caseira e filial.
Observando o lar limpo por dentro e por fora, Qin Shu pôs as mãos na cintura, satisfeita com sua obra-prima.
Foi à cozinha, preparou um pouco de mingau e, junto ao cão, sentou-se no quintal para almoçar em perfeita harmonia.
...
— Qin Shu já encontrou Dona Yan, e... Du Wenxing e Xu Xing também se encontraram, só não temos notícias de Lu Yuanliang, que ainda não saiu do quintal — comentou o velho Yan enquanto via, na tela, Qin Shu partilhando o mingau com o grande cão amarelo, seu rosto iluminado de alegria.
— Muito bem, muito bem, agora posso ficar meio tranquilo — disse, aliviado.
Quanto a Lu Yuanliang, realmente era uma situação delicada. Esperava que o jovem Lu conseguisse superar os desafios e sair são e salvo.
...
Satisfeita após a refeição, Qin Shu bocejou, conferiu o horário — quase meio-dia —, trancou-se no quarto e deitou-se para um cochilo.
Na noite anterior, por dividir a cama com o estranho marido, Qin Shu não dormira bem, então o sono do meio-dia foi especialmente profundo.
Nem percebeu quando o espelho coberto no quarto foi destapado e uma peça de roupa escorregou ao chão.
Do espelho, uma face pálida e sinistra surgiu, rangendo assustadoramente, ocasionalmente chamando por Qin Shu.
Ela, no entanto, permaneceu alheia, respirando tranquilamente em seu sono.
A assombração feminina do espelho, frustrada, rosnou baixo e arrastou metade do corpo para fora, debruçando-se sobre a cama e puxando o cobertor que cobria Qin Shu.
Quando a manta foi puxada, revelou-se o torso de Qin Shu, que segurava uma faca de açougueiro ensanguentada.
Ao ver o instrumento, a aparição gritou e, num piscar de olhos, sumiu de volta para o espelho.
O grito agudo despertou Qin Shu. Ela sentou-se, esfregou os olhos, pegou a manta caída e cobriu-se novamente, voltando a dormir.
Os funcionários que observavam cada movimento de Qin Shu no cenário alternativo prenderam a respiração, tensos.
Até o momento, a senhorita Qin era, sem dúvida, a jogadora mais calma que já haviam visto.
Aquele cochilo se estendeu até as três da tarde.
Sentada na beira da cama, Qin Shu ficou imóvel por meia hora, até que, ao lembrar de algo, bateu na própria testa, levantou-se e foi até a cozinha, iniciando uma busca minuciosa.
Não deixou nenhum canto por examinar.
— O que Qin Shu está fazendo? Já não procurou na cozinha? O que será que ela está procurando agora? — perguntou o velho Yan, ajustando os óculos e observando a tela, onde Qin Shu parecia prestes a desmontar a casa.
Li Xuantian, segurando o caderno de regras anotadas pela equipe, franziu o cenho, depois relaxou e riu baixinho.
— Qin Shu está procurando uma chave.
— Uma chave? — O velho Yan ergueu as sobrancelhas, pegou sua cópia das regras e leu: “Regra 15: Ultimamente, coisas têm sumido em casa. A sogra é muito cautelosa, por isso sempre tranca a porta ao sair.”
Qin Shu suspeitava que o objeto perdido pela sogra era a chave do quarto?
Enquanto se perguntavam, Qin Shu fez um esforço, moveu o pote de arroz e revelou um buraco de rato.
Debaixo do pote, uma chave estava presa à entrada do buraco.
— Ela realmente encontrou — exclamou o velho Yan, surpreso ao ver a chave nas mãos de Qin Shu.
Li Xuantian sorriu, elogiando:
— Sim, Shu Shu é mesmo esperta. Mas... as regras estão bem claras; basta prestar atenção para captar informações cruciais.
Observando a vida de Qin Shu na Vila da Felicidade, nota-se que seu ambiente de infância não devia ser muito diferente dali.
Por isso ela compreende tão bem a rotina rural.
O velho Yan suspirou e balançou a cabeça, comovido:
— Uma verdadeira senhorita, que deveria ser mimada em casa, acabou criada no campo... Deve ter sofrido bastante.
Constava nos registros que Qin Shu foi criada pela avó. Seus pais adotivos morreram quando ela ainda era pequena.
Ficou ao lado da idosa, sobrevivendo da venda de grãos e vegetais.
Desde que se entendia por gente, Qin Shu ajudava nas tarefas; depois que a avó adoeceu, até o trabalho de plantar, colher e vender recaiu sobre seus ombros.
Talvez esse ambiente tenha feito de Qin Shu alguém mais resiliente do que as crianças criadas em berço de ouro.
Com a chave em mãos, Qin Shu recolocou tudo em seu devido lugar.
Guardou a chave, conferiu a hora no relógio de pulso infantil e voltou à sala, onde endireitou as fotos em preto e branco.
No exato momento em que ajeitou os retratos, sentiu um olhar rancoroso cravado nela.
Qin Shu começou a cantarolar baixinho. Se não estivesse enganada, o espírito das fotos só aparecia em horários específicos.
E logo seriam cinco horas; a sogra fantasma e o marido fantasma estavam prestes a voltar.
De fato, quando Qin Shu terminou de preparar o jantar, os dois espectros retornaram, um após o outro.
A primeira coisa que a sogra fez foi entrar no quarto com a cesta.
O marido fantasma sentou-se, mantendo os olhos fixos em Qin Shu.
Pois bem, naquele momento, havia dois pares de olhos sobrenaturais a observá-la em casa.
Aquela sensação de estar constantemente sob vigilância, para Qin Shu, era quase gratificante.
Sim, gratificante.
Talvez por ter sido tão ignorada pela família Qin em sua vida anterior, nesta existência ela se tornara sensível a olhares.
A sogra saiu do quarto, lançou um olhar às fotos em preto e branco e, sentando-se, analisou Qin Shu de tempos em tempos.
Durante todo o tempo, Qin Shu manteve um sorriso suave e gentil — um sorriso como uma máscara, perfeitamente profissional.
E assim começou o jantar...