Capítulo 49: Uma Dica Oculta por Dia
— O que fazemos? Parece que a Velha Sombria vai matar Qin Shu.
A funcionária que vinha registrando o andamento da cópia sentiu um frio na espinha por Qin Shu. Observando a tela, onde o miasma da Velha Sombria já quase cobria tudo, até mesmo os agentes do Departamento de Fenômenos Estranhos perceberam que a situação era crítica.
Temiam, sinceramente, que Qin Shu não sobrevivesse. Desde que ela entrou no cenário, tudo correu tão bem, tão tranquilamente, que todos acreditavam que ela conseguiria sair dali facilmente.
Mas, desde que Qin Shu queimou a foto em preto e branco, e a Velha Sombria percebeu que as identidades no quarto haviam sumido, ela entrou em fúria.
Parecia que mataria todos só para aliviar a raiva.
— Xiao Li, o que você acha que essa menina está tentando fazer? — Isso não combina com o jeito cauteloso dela.
O velho Yan estava atônito com a atitude de Qin Shu. Vendo a tela cada vez mais escura, seu coração se apertava de preocupação.
Finalmente tinham alguém promissor entre os jovens, seria uma pena se ela se perdesse nesse cenário.
Li Xuantian franzia tanto as sobrancelhas que parecia esmagar uma mosca. Também não entendia por que Qin Shu de repente resolveu provocar a Velha Sombria.
Na verdade, Qin Shu agia de forma simples: irritar a Velha Sombria era só para testar algumas suposições que tinha em mente.
Ao ver o estado da Velha Sombria, ela já quase tinha certeza, faltava apenas um detalhe, que só poderia ser confirmado no sétimo dia.
Sua estratégia era arriscada, mas jamais brincaria com a própria vida.
Afinal, teve que lutar muito para ter uma segunda chance, valorizava demais sua existência.
Agora, Qin Shu estava diante de duas opções.
Primeira: fugir pela porta, deixando Cuihua para enfrentar a Velha Sombria.
Segunda: voltar para o quarto e deixar o espírito do espelho lutar com a Velha Sombria.
Entre as duas, Qin Shu optou pela segunda.
Afinal, Cuihua mal conseguia lidar com os espíritos das fotos, seria crueldade lançar a grande cadela amarela contra uma entidade intermediária como a Velha Sombria.
Cuihua era essencial nesse cenário.
Ainda não era hora dela agir, então Qin Shu entrou decidida no quarto, bateu a porta e prendeu a dupla fantasmagórica do lado de fora.
“Pá pá pá pá!” Batidas violentas ecoaram, a porta ameaçava ceder.
Qin Shu olhou para o espelho, depois arrastou a penteadeira, posicionando-a de frente para a porta.
Com um estrondo, a porta foi arrancada. A Velha Sombria entrou, segurando o marido pelo pescoço.
Num estalo, o pescoço do marido quebrou, e o corpo caiu mole no chão.
Qin Shu ficou abalada.
Não era à toa que era uma entidade intermediária: com um aperto casual, eliminou o marido em segundos.
A Velha Sombria, envolta em energia maligna, parou por um tempo ao ver o espelho diante de si. Então, a mulher do espelho rastejou para fora.
No instante em que se viram, a Velha Sombria soltou um grito agudo, e as duas criaturas, uma negra e uma pálida, começaram a lutar.
O ressentimento da mulher do espelho não era menor que o da Velha Sombria. Ela abriu a boca e mordeu o rosto da rival, arrancando um pedaço de carne, que mastigou impiedosamente.
A Velha Sombria berrou de dor e, sem ficar atrás, abocanhou a orelha da mulher do espelho.
Qin Shu pegou o relógio infantil: a briga já durava quase uma hora e não parecia ter fim.
Independentemente do resultado, nada disso seria bom para Qin Shu.
Então, ela tirou a boneca e aprisionou ambas as entidades dentro dela, permitindo que duelassem ali até o amanhecer.
Com isso resolvido, Qin Shu começou a limpar a bagunça.
Primeiro, arrastou o corpo do marido até a sala.
Depois, recolocou a porta arrancada no lugar. Nada disso era problema para ela.
Quando terminou tudo, já eram dez horas da noite.
Fechou a porta, colocou a boneca na cabeceira da cama e pegou o bilhete ensanguentado que encontrara no quarto da Velha Sombria.
[Como as coisas costumam sumir em casa, a Velha Sombria suspeitava de ratos, por isso sempre trazia veneno quando saía.]
[A Velha Sombria costumava sair às nove com o marido e voltava às cinco da tarde. Depois que o marido morreu, passou a sair com o filho. Toda vez que voltava, trazia algo que agradava os moradores da aldeia.]
[Você sabia? A Velha Sombria não tinha filho.]
[O veneno para ratos não serve só para eles, também pode ser usado contra outras criaturas.]
Quatro bilhetes, encontrados em quatro cestos diferentes.
Ou seja, cada vez que a Velha Sombria retornava, trazia consigo uma parte do corpo humano.
E em cada cesto havia um bilhete oculto como esse.
Qin Shu sentia a cabeça latejar.
O homem na foto era o marido da Velha Sombria, mas então, o que dizer da certidão de casamento que ela encontrara no quarto?
Talvez apenas Cuihua soubesse a resposta.
Mas Cuihua só sabia latir.
Melhor não pensar nisso agora. O melhor era dormir e resolver tudo depois.
Quando Qin Shu fechou os olhos e logo adormeceu, respirando tranquilamente, todos no Departamento de Histórias Sinistras suspiraram aliviados.
— Essa Qin Shu quase me matou do coração — disse o velho Yan, apertando o peito enquanto terminava o chá medicinal.
— Velho Yan, você não está esquecendo de nada? — lembrou Li Xuantian. — Os bilhetes ocultos nos cestos provavelmente são a chave para passar o cenário. É hora de usar a única dica disponível.
O velho Yan assentiu:
— Tem razão. Não precisa avisar Qin Shu ou Yan Rui. Entre Xu Xing e Du Wenxing, basta avisar um dos dois. Quanto ao… Lu Yuanliang, aquele rapaz…
O velho Yan suspirou, visivelmente preocupado.
Até agora, Lu Yuanliang era o mais azarado.
Depois de cortar seu próprio órgão, foi o que mais sofreu na Vila da Felicidade.
Todos os dias era atormentado pela Velha Sombria e pela esposa fantasma, e até agora sequer havia conseguido sair de casa.
— Também...