Capítulo 51: Cuidado com as mulheres grávidas
— Xier, o que você está dizendo? Eu... eu também não tive escolha — os olhos de Qin Shuhong se avermelharam, o rosto repleto de mágoa. — Você sabe melhor do que ninguém como é Qin Shu.
— Ela é tão poderosa, como poderia não ter saída? — mordeu o lábio enquanto as lágrimas caíam como pérolas de um colar rompido. — A culpa é minha. Apesar de ter talento de nível S, tenho poucos recursos em mãos. Não sou como Qin Shu, que conseguiu se agarrar a um protetor.
— Eu também queria te ajudar, mas... estou de mãos atadas. Ah, se o Bei Chen estivesse aqui...
Com Bei Chen por perto, Qin Shu certamente faria de tudo para se aproximar dele. Naquele momento, não haveria nada que ela não pudesse ter.
Os valores de Yan Rui estavam completamente abalados. — É a primeira vez que vejo alguém tão falsa, e ainda por cima... tão desprovida de bom senso.
— Qin Shu não tem nenhum laço com vocês, por que motivo deveria ajudá-las? — Yan Rui não se conteve e ironizou.
— Amiga, se fomos sorteadas para o mesmo desafio, isso é destino — Qin Zhenzhen discordou com um aceno de cabeça. — Não seria bom nos ajudarmos mutuamente?
Ela hesitou e olhou para Qin Shu. — Além disso, não somos totalmente estranhas. Sou irmã dela.
Yan Rui olhou, chocada, para Qin Shu. — Ela é mesmo sua irmã?
Qin Zhenzhen sorriu com ar vitorioso, os olhos fixos em Qin Shu. Viu? Quando ela queria, ninguém duvidava do que dizia.
Qin Shu franziu a testa, segurou com força a faca de desossar e se afastou de Yan Rui. Era sempre assim: bastava Qin Zhenzhen chorar e fingir inocência, que todos passavam a acreditar nela sem questionar.
Se a morte pudesse libertá-la dos anos vividos sob o domínio de Qin Zhenzhen, ela não hesitaria em matá-la cem vezes.
Parece que Qin Zhenzhen também havia aprendido a se precaver, atenta à possibilidade de Qin Shu atacá-la de repente. Mantinha-se distante, posicionada à beira do rio; se Qin Shu investisse contra ela, fugiria imediatamente para casa.
— Ainda bem que você não é como essa falsa — disse Yan Rui, tampando o nariz com expressão de nojo. — O cheiro de falsidade chega até aqui, misturado com um fedor de falta de vergonha.
Qin Shu olhou para Yan Rui, um tanto intrigada.
Qin Zhenzhen arregalou os olhos, atônita diante das palavras.
— Desculpe, nunca vi nada igual. Existe mesmo irmã tão sem escrúpulos, disposta a cavar a própria cova para a irmã, até desejando sua morte? Que laços fraternos profundos... — Yan Rui lançou um olhar mordaz à Qin Zhenzhen, que ficou vermelha de raiva.
— Tian Xier, não é? — voltou-se para ela. — Se ela tem coragem de trair a própria irmã, imagine o que pode fazer com um estranho. Pense bem em como sobreviver até o fim do desafio.
— Mais vale confiar em si mesma do que depositar esperanças nos outros — Yan Rui levantou o queixo com orgulho e ajeitou uma mecha solta de cabelo. — Claro, nem todo mundo tem a sorte de encontrar uma companheira de equipe tão sensata quanto eu.
Qin Shu mordeu os lábios, tentando conter o sorriso, e olhou para Yan Rui com uma alegria difícil de descrever. Era a primeira vez que alguém se posicionava de maneira tão firme ao seu lado diante das manipulações de Qin Zhenzhen.
O rosto de Qin Zhenzhen alternava entre o pálido e o lívido. — Qin Shu, você... você me odeia tanto assim?
— Por que eu te odiaria? Será que você mesma não sabe? — Qin Shu devolveu a pergunta. — Aliás, não é só ódio; a cada instante, penso em como acabar com a sua vida.
Pena que, da última vez, você teve sorte e usou um boneco substituto para escapar da morte.
Ela jurou que, se tivesse outra chance, não hesitaria em matá-la de novo. Tomara que Qin Zhenzhen fosse tão sortuda quanto antes e ainda tivesse algum talismã de proteção.
Qin Zhenzhen cerrava os punhos, incapaz de controlar a expressão sombria no rosto. Tian Xier, assustada, olhava atônita para a até então gentil e bondosa Qin Zhenzhen, que agora lhe parecia alguém cruel e vingativa.
Qin Shu estava de ótimo humor naquele dia. Queria ver, nesta vida, sem a presença dela como coadjuvante, quantos dos seguidores de Qin Zhenzhen ainda lhe seriam leais.
— Qin Zhenzhen, nunca imaginei que você fosse assim.
Sabendo que Qin Shu desejava sua morte, ainda assim a mandava correr perigo. Que coração maldoso.
Tian Xier encarou Qin Zhenzhen, furiosa.
Qin Shu torceu as roupas e saiu com Yan Rui, sem vontade de se envolver na discussão entre Qin Zhenzhen e Tian Xier. Podia sentir o olhar de Qin Zhenzhen em suas costas, como se quisesse perfurá-la mil vezes.
— Você não acha estranho o comportamento de Tian Xier e daquela jogadora que está com ela? — Yan Rui puxou Qin Shu de lado e perguntou em voz baixa.
Qin Shu assentiu: — Tian Xier está um pouco melhor, mas aquela jogadora já não tem salvação.
Ela havia observado discretamente e notou que a barriga da jogadora estava assustadoramente grande. Chegou a ver a criatura sinistra se movendo dentro dela.
O rosto da jogadora estava completamente sem cor, o olhar vazio, como uma morta-viva.
— Tome cuidado quando voltar, não beba os tônicos preparados pela velha sinistra, e... o marido sinistro também não é confiável — Yan Rui se encolheu ao lembrar da barriga da jogadora.
Qin Shu concordou: — Cuide-se você também. O resto, falamos amanhã quando nos encontrarmos.
Amanhã seria o sétimo dia.
[Regra 18: A cada sete dias, alguém no vilarejo celebra um casamento. Como parte da comunidade, é seu dever contribuir de alguma forma.]
Ou seja, amanhã certamente algo aconteceria. Talvez fosse o dia mais perigoso de todo o desafio.
Numa data tão importante, talvez ainda encontrassem outros jogadores além de Qin Zhenzhen, Tian Xier e suas companheiras.
Depois de se separarem, cada uma voltou para sua casa.
Qin Shu largou o que carregava e, em seguida...