Capítulo 50: Qin Zhenzhen, você está fazendo isso de propósito?
Ao ver o ar misterioso dela, Qin Shu também teve sua curiosidade despertada. Afinal, o que exatamente ela teria descoberto no quarto da velha sinistra?
— O que você encontrou? — perguntou ela.
Yan Rui olhou ao redor, tirou alguns bilhetes do bolso e sussurrou: — Veja isto... há um grande segredo escondido nesta aldeia.
Qin Shu observou os bilhetes nas mãos dela e tirou os que havia encontrado, comparando um a um. Eram praticamente iguais.
Ao ver Qin Shu, como num passe de mágica, sacar bilhetes idênticos aos seus, Yan Rui ficou completamente pasma.
— Como isso é possível?
A expressão de Qin Shu ficou ainda mais séria:
— Sim, nossas pistas são as mesmas. O que significa que... a estrutura familiar em cada casa é basicamente igual.
— Marido sinistro, velha sinistra, mulher do espelho, foto em preto e branco, cachorro amarelo grande — Qin Shu enumerou calmamente as figuras de sua própria casa.
Ou seja, elas viviam, dia após dia, exatamente a mesma rotina.
A Aldeia da Felicidade, seria mesmo feliz?
Todas tinham o mesmo marido, a mesma sogra que só pensava em ver a nora grávida, o mesmo sogro que havia restado apenas numa foto preta e branca.
E ainda... a mulher de cabelos longos dentro do espelho.
Quanto mais pensava, mais aterrorizante parecia.
Qin Shu franziu ainda mais a testa, sentindo que alguma pista importante lhe escapava.
Yan Rui permaneceu de boca entreaberta, sem conseguir dizer nada por longos instantes.
— Qin Shu, será que isso não é exatamente a pista oculta deste desafio? — perguntou ela, com uma animação nervosa.
Qin Shu assentiu:
— As experiências em nossas casas são idênticas, como se, ao cruzar a porta, passássemos a pertencer a espaços diferentes.
— Talvez por isso precisamos levar o cachorro amarelo grande ao sair de casa. Caso contrário... talvez a casa para onde voltamos não seja a mesma, e o marido também não.
— Ainda bem que segui o seu conselho. Nunca saí sem o cachorro — desabafou Yan Rui.
Yan Rui apertou os lábios, tirou as carteiras de identidade e mostrou para Qin Shu.
— E quanto a isso... continuam iguais?
Havia três carteiras em sua mão, com os nomes de Yan Rui, Zhang Cuihua e Yang Qing.
— Iguais. Só os nomes são diferentes, o resto bate em tudo.
Qin Shu retirou de seu próprio bolso a identidade e a carteirinha de estudante encontradas no quarto da velha.
Yan Rui preferiu calar-se, engolindo as palavras.
— Amanhã será o sétimo dia. Talvez... amanhã encontremos a pista que tanto procuramos. Por hoje, basta — disse Qin Shu, a garganta seca.
As duas se calaram e caminharam até a beira do riacho.
Ali, Qin Zhenzhen permanecia como no dia anterior, ao lado de Tian Xier, cujo rosto estava ainda mais pálido.
A outra mulher que haviam visto ontem, por incrível que pareça, em apenas um dia, agora ostentava um ventre enorme, como se estivesse prestes a dar à luz.
Yan Rui e Qin Shu trocaram um olhar e, instintivamente, mantiveram certa distância.
Qin Zhenzhen estava visivelmente abatida. Não progredira em nada até agora.
Tian Xier não a largava e, claramente, algo estava errado com ela — aquele rosto assustadoramente pálido deixava Qin Zhenzhen inquieta.
E, como se não bastasse, a garota grávida, com ar ainda mais sinistro que Tian Xier, fazia com que Qin Zhenzhen desejasse desesperadamente se livrar das duas.
Porém... ela mesma havia se juntado a Tian Xier por iniciativa própria. Livrar-se de Tian Xier e da jogadora grávida não seria nada fácil.
Discretamente, espiou Qin Shu, que aparentava estar bem, com a pele clara e viçosa.
Ao lado dela, Yan Rui também não parecia em estado anormal.
Qin Zhenzhen rangeu os dentes, furiosa com sua má sorte. Por que tivera de acabar com uma parceira tão azarada quanto Tian Xier?
Não servia para nada.
Ao contrário de Qin Shu, que dera sorte e colara-se a alguém forte.
— Zhenzhen, você está me ouvindo? — Tian Xier, que não parava de segui-la, só então percebeu que falava sozinha havia um bom tempo. Irritada, largou as roupas molhadas que segurava.
A água espirrou, molhando ambas.
— Tian Xier, o que foi isso? Não sabe conversar sem fazer escândalo? — Qin Zhenzhen olhou as próprias roupas encharcadas. Mimada como sempre fora, explodiu de raiva.
Já bastava Tian Xier não ser útil; ainda precisava lhe criar problemas?
— Eu... Eu tentei conversar direito, mas você não ouviu nada do que eu disse...
Os olhos de Tian Xier se encheram de lágrimas. Nos últimos dias, vivia sob tensão, obrigada pela velha a ingerir coisas horríveis. À noite, sentia dores e um cansaço insuportável.
O olhar perdido da mulher grávida ao lado, com aquele ventre assustador, só aumentava seu pavor.
Temia que, no dia seguinte, sua própria barriga também crescesse.
Em que família uma mulher ficava grávida de um dia para o outro? Aquilo só podia ser um feto amaldiçoado.
Saíra de casa hoje justamente para evitar a jogadora grávida, mas, estranhamente, onde quer que fosse, ela a seguia.
Assustador demais.
Se aquilo continuasse, enlouqueceria.
— O que você queria que eu fizesse? — Qin Zhenzhen respondeu entre dentes. — Você sabe que cada saída é difícil. Ao voltar, enfrentamos situações diferentes. Como posso te ajudar?
Tian Xier mordeu os lábios, as lágrimas correndo involuntariamente.
— Zhenzhen, você não é uma jogadora de nível S? Deve ter um jeito, não é? — disse ela, cerrando os dentes, o olhar carregado de ressentimento. — Ou será que você está fazendo de propósito...?