Capítulo 57: Um Visitante Irrecusável
Qin Shu observou a vila ao redor, onde além de uma névoa branca nada mais podia ser visto, e assentiu: “Tome cuidado.”
Cuifa, a cadela que conduzia, estava inquieta, girando sobre si mesma e latindo para todos os lados da névoa.
Naquela bruma, havia perigo oculto.
Qin Shu acariciou a cabeça de Cuifa: “Cuifa… Se vamos sair vivas daqui, é tudo graças a você. Não me decepcione.”
Cuifa tremia, erguendo a cabeça e olhando para Qin Shu com um olhar cheio de mágoa.
Qin Shu ignorou o ressentimento da cadela e seguiu em direção oposta à de Yan Rui, levando Cuifa consigo.
Atravessando a névoa densa, Qin Shu caminhava sem rumo, emanando uma leve luz esverdeada que a destacava entre o branco do nevoeiro.
De tempos em tempos, parecia ouvir uma mulher chorando e suplicando junto ao seu ouvido, e até mesmo o resfolegar raivoso de um homem.
Cuifa deu alguns passos, então parou, recusando-se a avançar apesar das tentativas de Qin Shu de puxá-la.
Por mais que ela insistisse, a cadela não se movia, olhando fixamente para a frente e tremendo de medo.
“Uuu, uuu…”
O lamento de uma mulher fantasmagórica se multiplicava, cada vez mais triste e perturbador.
Os choros vinham de todos os lados, e Qin Shu permaneceu parada, encarando rostos horrendos grudados ao seu próprio.
“Qin Shu, Qin Shu…”
A voz de Yan Rui soou atrás dela, com uma mão pousando sobre seu ombro.
O som era tão claro quanto se estivesse ao seu ouvido.
“Uuu, uuu…”
Cuifa chorava, lágrimas vermelhas escorrendo de seus olhos.
Um frio terrível subiu dos pés à cabeça de Qin Shu.
A “Yan Rui” que lhe segurava o ombro continuava chamando: “Qin Shu, Qin Shu.”
A voz carregava um magnetismo, quase lhe dando vontade de virar-se.
Em sua mente, relampejou a regra: “Regra 22: Se alguém te chamar pelas costas, nunca vire.”
Ela fechou os olhos, contou até dez em silêncio e, aos poucos, as vozes ao redor foram diminuindo até se calarem.
Qin Shu respirou fundo, sentindo uma pressão sufocante no peito.
Ao abrir os olhos, viu um rosto pálido colado ao seu, sorrindo de forma sinistra.
Instintivamente, Qin Shu desferiu um soco forte na face fantasmagórica.
“Hi hi… uuu…”
O rosto, mesmo após o golpe, aproximou-se novamente. Qin Shu sacou a faca de cortar ossos e golpeou com força, fazendo o espectro gritar e desaparecer diante dela.
Quando recuperou a consciência, Cuifa estava ao seu lado, olhando-a com um olhar estranho.
Ela… teria caído num delírio?
Inspirando fundo, enxugou o suor das mãos e examinou o cenário ao redor.
A névoa havia sumido, e ela estava diante da própria casa, onde dois grandes lampiões vermelhos pendiam à entrada.
Qin Shu hesitou, abriu a porta e viu o velho quintal familiar. Na janela iluminada, distinguia-se um homem alto dominando uma mulher.
Da casa vinham gritos e choros da mulher, lutando desesperada.
“Au au au…”
Cuifa latia para dentro da casa sem parar.
Qin Shu franziu o cenho, prestes a invadir a cena, mas ao cruzar a porta, tropeçou e tudo ao redor mudou.
Era como se tivesse entrado num beco sem saída, onde cada imagem era ilusória, mas parecia real.
“Au au au…”
O latido de Cuifa ecoou novamente.
Qin Shu procurou a sombra da cadela ao redor.
Cuifa parecia estar sempre junto dela, mas só se podia ouvir seu latido, sem vê-la de fato.
De repente, uma sensação ardente emanou de sua pulseira.
Qin Shu esfriou ao perceber e abriu os olhos abruptamente, encontrando-se diante do templo da família.
Cuifa estava ao seu lado, olhando-a com preocupação.
Ofegante, Qin Shu pegou o relógio infantil e conferiu a hora: já eram quatro da tarde.
Há pouco… parecia ter caído numa armadilha sobrenatural.
E Yan Rui e Lu Yuanliang?
Não havia mais tempo a perder; ela precisava verificar se o ônibus estava na entrada da vila.
Puxou Cuifa para guiá-la até lá.
A entrada ficava junto ao riacho onde costumavam lavar roupa, a menos de cem metros de distância.
A estrada sinuosa atravessava entre duas grandes montanhas, como um cordeiro entrando na boca do tigre, desaparecendo sem deixar vestígio.
Na entrada, havia uma enorme pedra com “Vila da Felicidade” escrito em vermelho, como se estivesse manchada de sangue.
Ao lado, um letreiro de ônibus: “Linha 44, ponto final, Vila da Felicidade.”
A linha 44 era do último desafio enfrentado por Qin Shu.
Junto de Cuifa, ela examinou o horário no letreiro.
“Linha 44, primeira partida às 9h30, última às 16h30.”
Coincidia com o horário em que a velha fantasmagórica e o marido saíam e voltavam para casa.
Eles saíam às nove e voltavam às cinco.
Fazendo as contas, havia um intervalo de meia hora.
Ao verificar, já eram quatro e vinte. Qin Shu voltou ao templo da família.
Quando deu quatro e meia, finalmente Yan Rui e Lu Yuanliang apareceram, ambos com o rosto pálido.