Capítulo 58: O Forasteiro que Surgiu Repentinamente
Diante de olhares estranhos e desconcertantes, o pátio estava tomado por risadas irritantes. Qin Shu sentiu a mente vacilar por um instante, sacudiu a cabeça e apertou o bracelete em seu pulso. O calor do bracelete dissipava a poluição trazida pelas gargalhadas no pátio.
Cuíhua, que ela levara para a cozinha, encolhia-se atrás da porta, o corpo tremendo, até o rabo caído. Pelo que dissera a velha sinistra, aquelas pessoas iriam passar a noite em casa. Na casa, havia apenas dois quartos: um da velha, outro compartilhado por ela e o marido estranho. Iriam todos dormir na sala?
Qin Shu não era ingênua a ponto de acreditar que eram apenas convidados. Embora o salão ancestral tivesse sido palco de constantes ilusões, ela já havia chegado às suas próprias conclusões. Mas... ainda não era o momento certo.
O desafio duraria quinze dias inteiros; para sair dali, só no décimo quarto, quando o vilarejo celebrasse novamente um banquete de casamento. Ou então, sobreviver até a manhã do décimo quinto dia, sendo assim reconhecida como vencedora.
Ao abrir a tampa da panela, só encontrou restos de comida, e, analisando com cuidado, conseguiu distinguir pedaços de tecido humano. A carne cozida vinha do banquete, e Qin Shu encontrou dez ovos na cozinha, quebrou-os e bateu bem numa tigela, cortou algumas cebolas e fritou tudo junto.
Pegou também algumas batatas e preparou uma grande tigela de batatas cozidas. A carne cozida foi refogada brevemente, depois adicionou um pó branco achado no quarto da velha, despejando um pacote e misturando bem antes de tirar do fogo.
— Já terminou? Os convidados estão famintos — a velha entrou na cozinha, lançando um olhar de desaprovação para a barriga de Qin Shu e franzindo os lábios.
— Leve os pratos para fora e depois volte para seu quarto esperar.
Esperar? Esperar o quê?
Qin Shu crispou os lábios, levou a comida para fora e, sob o olhar atento dos estranhos, arrumou as tigelas e os talheres.
— Gangbeng, você não presta mesmo, sua mulher ainda não engravidou até agora? — ouviu alguém dizer enquanto voltava à cozinha para pegar dois pães recém-cozidos. Abraçando Cuíhua, dirigiu-se ao quarto.
Atrás dela, as vozes continuavam. O marido estranho, com o rosto pálido e um sorriso perturbador, sentou-se e serviu bebida aos outros.
— Não é que eu não posso, é que a mercadoria não vale, me passou a perna. Pensei em pedir ajuda para vocês, talvez repassar...
Ao ouvir as palavras do marido estranho, Qin Shu reprimiu um sorriso frio. Entrou no quarto, trancou a porta e posicionou o espelho em frente à entrada. Mandou Cuíhua deitar ao lado da cama e começou a contar os pacotes de pó branco que encontrara no quarto da velha nos últimos dias.
Um por dia. Só essa noite ela descobriria o verdadeiro uso desse pó branco. Havia também pistas ocultas por vários dias; quem sabe se amanhã não surgiria uma diferente.
“Como coisas desaparecem frequentemente em casa, a velha suspeita de ratos e sempre traz um pacote de veneno ao voltar.”
“A velha sempre sai com o marido às nove e volta às cinco da tarde. Depois da morte dele, passou a sair com o filho e, ao retornar, sempre traz uma mercadoria que agrada os moradores.”
“Você sabia? A velha não tem filho.”
“O veneno de rato serve não só para ratos, mas também para outros animais.”
“Não há mulheres grávidas há muito tempo no vilarejo. Tenha cuidado, não se aproxime delas.”
Olhando para as pistas, Qin Shu fitou Cuíhua, que encolhida, com a cabeça baixa, fechava os olhos. Ela acariciou a cabeça da cadela:
— Fique tranquila, vou te levar comigo quando for a hora.
— Au au... — Cuíhua choramingou baixinho.
Qin Shu tirou o relógio infantil e observou o tempo passar, segundo a segundo.
Após uma hora, um barulho irrompeu no pátio, considerável o bastante para que ela adivinhasse o que acontecia sem sair do quarto. Gritos de dor ecoaram lá fora, e o espelho no quarto tremia violentamente, como se a mulher trancada ali dentro tentasse escapar.
Qin Shu franziu a testa, acariciou a cabeça de Cuíhua e falou:
— Fique quieta, só até amanhecer.
Bocejou e se deitou para dormir.
— Parece que Qin Shu já encontrou a chave para vencer o desafio — comentou Li Xuantian, sorrindo ao ver Qin Shu no monitor entrando em sono leve.
O velho Yan observava ora Qin Shu, ora os demais. Yan Rui e Lu Yuanliang, por exemplo, também usaram o pó branco achado no quarto da velha misturado na comida.
Quanto a Xu Xing, foi radical: quando alguns estranhos invadiram seu quarto de madrugada, libertou o demônio dentro de si e devorou todos eles.
Du Wenxing, por sua vez, fez algo inusitado: deixou sua sombra deitada em seu lugar na cama e se escondeu no armário, libertando a mulher do espelho para enfrentar os outros.
Enfim... cada um escolheu um método diferente, mas todos sobreviveram à noite.
Às seis da manhã, Qin Shu levantou-se. Assim que abriu a porta, deparou-se com vários rostos lívidos.
Qin Shu franziu a testa, impaciente.
De novo?
Todo dia esse mesmo teatro. Não se cansam?
Um grupo de homens, todos com rostos pálidos como a neve...