Capítulo 39 O cão que late ao vê-la

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 1912 palavras 2026-02-09 13:55:33

Ao seu lado, o som ofegante do marido ecoava, enquanto Qin Shu, que permanecia deitada, retirou o artefato do primeiro cenário.

A boneca de Nini, filha de Zhang Fuguai, que lhe oferecera o item em agradecimento, podia ser usada três vezes para arrastar qualquer entidade sinistra para o espaço de Nini e brincar com ela.

O marido, que estava atrás de Qin Shu, sumiu diante de seus olhos; os olhos verde-claros da boneca em suas mãos brilharam com uma luz estranha.

Enfim, o silêncio reinou. Qin Shu, de olhos fechados, suspirou aliviada, torcendo para que a boneca conseguisse manter aquele marido sinistro preso por bastante tempo.

Com tudo ao redor em paz, o sono venceu Qin Shu, que adormeceu.

O velho Yan, sempre atento ao estado de Qin Shu, apontou para o marido sinistro que sumira no ar e perguntou: "O que aconteceu aqui?"

"Deve ser a boneca que ela segura, um artefato estranho", respondeu Li Xuantian, cuja expressão era impassível, mas sentia-se aliviado ao ver que Qin Shu escapara daquela ameaça. Voltou então sua atenção aos demais.

...

Não só Qin Shu foi alvo dos desejos do marido sinistro; Qin Zhenzhen também enfrentou a situação.

Ela possuía uma aptidão de nível S, com a habilidade de Aura de Fascínio. Bastava um olhar de três segundos para mudar a intenção de qualquer entidade sinistra.

Essa habilidade podia ser ativada três vezes a cada quarenta e oito horas, desde que a condição do olhar fosse cumprida.

Porém, naquele momento, ela não ousava usar sua aptidão, pois a regra treze dizia que não deveria abrir os olhos ou responder ao outro.

Somente após desperdiçar um artefato do primeiro cenário conseguiu evitar o perigo.

Na manhã seguinte, Qin Shu foi despertada por batidas insistentes na porta.

Ao abrir os olhos, a primeira coisa que fez foi olhar as horas no relógio infantil. A regra estipulava que ela deveria levantar às seis da manhã para preparar o café da manhã da família.

O marido sinistro não estava à vista — talvez ainda preso na boneca ou saído cedo.

Qin Shu calçou os sapatos, aproximou-se da porta, hesitou um instante e a abriu.

No instante em que a porta se abriu, uma face pálida e velha fitou-a sombriamente, lançando o olhar também para dentro do quarto.

A sogra sinistra, com o rosto branco como papel e rugas profundas cruzando como canais, tinha um olhar feroz e avaliador, nada amigável ao encarar Qin Shu.

"Onde está seu marido?"

A voz, áspera e entrecortada como fundo de panela arranhado, era perturbadora.

"Ele? Não saiu cedo hoje?", Qin Shu disfarçou o desconforto, fingindo dúvida.

O semblante da sogra tornou-se ainda mais sombrio; empurrou Qin Shu, entrou no quarto, vasculhou o ambiente e, sem encontrar nada de errado, saiu sem dizer palavra.

Observando a saída da sogra, Qin Shu olhou uma vez mais para o quarto vazio, depois saiu e fechou a porta.

Finalmente, pôde examinar com atenção a estrutura da casa.

Ao sair do quarto, encontrou um vestíbulo simples; em frente, outro quarto — o da sogra sinistra, de onde viera o chamado.

O vestíbulo era pobre, com uma mesa octogonal e algumas cadeiras de bambu.

Encostada à parede, uma fotografia mortuária em que o rosto era indistinto, com um cigarro espetado.

Qin Shu procurou pelo local, mas não encontrou a cozinha.

Saiu então para o pátio; à esquerda, descobriu o fogão, à direita, o chiqueiro.

Na porta do chiqueiro, amarrado, estava um cachorro. Assim que Qin Shu apareceu, o animal latiu incessantemente para ela.

‘Au, au, au~’

Qin Shu ficou na porta, observando de longe o cão negro mostrar os dentes; e, para seu espanto, lágrimas de sangue escorriam de seus olhos.

Regra 6: Não há animais de estimação na casa; se encontrar algum, jamais se aproxime.

Essa regra era contraditória, pois afirmava a inexistência de animais.

No entanto, o chiqueiro guardava um cão.

Qin Shu ignorou o animal que latia para ela; precisava preparar o café da manhã para três pessoas antes das nove.

Regra 10: Todos os dias às nove da manhã, a sogra e o marido saem pontualmente, deixando o almoço pronto até as cinco da tarde.

Naquela manhã, ela já passara das seis antes de começar a preparar o café; se não terminasse até as nove, certamente ativaria alguma regra.

Ao mesmo tempo, Qin Shu queria explorar a cozinha e tentar encontrar a segunda parte das regras.

Entrou no fogão, que era típico das zonas rurais.

Ao abrir o barril de arroz, viu-o cheio.

Tateou por dentro, mas não encontrou as regras que procurava.

Abriu também o armário de utensílios: havia cinco pares de tigelas e pauzinhos, além de sobras do jantar anterior.

Perto do fogão, algumas cabeças de repolho; ao levantar a tampa da panela, viu que uma sopa fervia. Mexendo com a colher, Qin Shu notou alguns dedos humanos dentro do caldo.

Após o cozimento, os dedos estavam brancos e inchados.

Depois de procurar, não encontrou a segunda parte das regras.

Decidiu não se preocupar e começou a preparar o café da manhã para a família.

Esquentou a sopa, misturou as sobras do jantar, refogou um repolho — tudo simples e direto.

Levando os pratos ao vestíbulo, Qin Shu abriu a porta do quarto para verificar se o marido sinistro voltara, mas ele seguia ausente.

Deixou de lado e foi até a porta do quarto da sogra, batendo algumas vezes.

Não teve de esperar muito; a sogra, com o rosto pálido e sombrio, saiu, parou diante dos pratos e, surpresa, olhou Qin Shu.