Capítulo 39 O cão que late ao vê-la
Ao seu lado, o som ofegante do marido ecoava, enquanto Qin Shu, que permanecia deitada, retirou o artefato do primeiro cenário.
A boneca de Nini, filha de Zhang Fuguai, que lhe oferecera o item em agradecimento, podia ser usada três vezes para arrastar qualquer entidade sinistra para o espaço de Nini e brincar com ela.
O marido, que estava atrás de Qin Shu, sumiu diante de seus olhos; os olhos verde-claros da boneca em suas mãos brilharam com uma luz estranha.
Enfim, o silêncio reinou. Qin Shu, de olhos fechados, suspirou aliviada, torcendo para que a boneca conseguisse manter aquele marido sinistro preso por bastante tempo.
Com tudo ao redor em paz, o sono venceu Qin Shu, que adormeceu.
O velho Yan, sempre atento ao estado de Qin Shu, apontou para o marido sinistro que sumira no ar e perguntou: "O que aconteceu aqui?"
"Deve ser a boneca que ela segura, um artefato estranho", respondeu Li Xuantian, cuja expressão era impassível, mas sentia-se aliviado ao ver que Qin Shu escapara daquela ameaça. Voltou então sua atenção aos demais.
...
Não só Qin Shu foi alvo dos desejos do marido sinistro; Qin Zhenzhen também enfrentou a situação.
Ela possuía uma aptidão de nível S, com a habilidade de Aura de Fascínio. Bastava um olhar de três segundos para mudar a intenção de qualquer entidade sinistra.
Essa habilidade podia ser ativada três vezes a cada quarenta e oito horas, desde que a condição do olhar fosse cumprida.
Porém, naquele momento, ela não ousava usar sua aptidão, pois a regra treze dizia que não deveria abrir os olhos ou responder ao outro.
Somente após desperdiçar um artefato do primeiro cenário conseguiu evitar o perigo.
Na manhã seguinte, Qin Shu foi despertada por batidas insistentes na porta.
Ao abrir os olhos, a primeira coisa que fez foi olhar as horas no relógio infantil. A regra estipulava que ela deveria levantar às seis da manhã para preparar o café da manhã da família.
O marido sinistro não estava à vista — talvez ainda preso na boneca ou saído cedo.
Qin Shu calçou os sapatos, aproximou-se da porta, hesitou um instante e a abriu.
No instante em que a porta se abriu, uma face pálida e velha fitou-a sombriamente, lançando o olhar também para dentro do quarto.
A sogra sinistra, com o rosto branco como papel e rugas profundas cruzando como canais, tinha um olhar feroz e avaliador, nada amigável ao encarar Qin Shu.
"Onde está seu marido?"
A voz, áspera e entrecortada como fundo de panela arranhado, era perturbadora.
"Ele? Não saiu cedo hoje?", Qin Shu disfarçou o desconforto, fingindo dúvida.
O semblante da sogra tornou-se ainda mais sombrio; empurrou Qin Shu, entrou no quarto, vasculhou o ambiente e, sem encontrar nada de errado, saiu sem dizer palavra.
Observando a saída da sogra, Qin Shu olhou uma vez mais para o quarto vazio, depois saiu e fechou a porta.
Finalmente, pôde examinar com atenção a estrutura da casa.
Ao sair do quarto, encontrou um vestíbulo simples; em frente, outro quarto — o da sogra sinistra, de onde viera o chamado.
O vestíbulo era pobre, com uma mesa octogonal e algumas cadeiras de bambu.
Encostada à parede, uma fotografia mortuária em que o rosto era indistinto, com um cigarro espetado.
Qin Shu procurou pelo local, mas não encontrou a cozinha.
Saiu então para o pátio; à esquerda, descobriu o fogão, à direita, o chiqueiro.
Na porta do chiqueiro, amarrado, estava um cachorro. Assim que Qin Shu apareceu, o animal latiu incessantemente para ela.
‘Au, au, au~’
Qin Shu ficou na porta, observando de longe o cão negro mostrar os dentes; e, para seu espanto, lágrimas de sangue escorriam de seus olhos.
Regra 6: Não há animais de estimação na casa; se encontrar algum, jamais se aproxime.
Essa regra era contraditória, pois afirmava a inexistência de animais.
No entanto, o chiqueiro guardava um cão.
Qin Shu ignorou o animal que latia para ela; precisava preparar o café da manhã para três pessoas antes das nove.
Regra 10: Todos os dias às nove da manhã, a sogra e o marido saem pontualmente, deixando o almoço pronto até as cinco da tarde.
Naquela manhã, ela já passara das seis antes de começar a preparar o café; se não terminasse até as nove, certamente ativaria alguma regra.
Ao mesmo tempo, Qin Shu queria explorar a cozinha e tentar encontrar a segunda parte das regras.
Entrou no fogão, que era típico das zonas rurais.
Ao abrir o barril de arroz, viu-o cheio.
Tateou por dentro, mas não encontrou as regras que procurava.
Abriu também o armário de utensílios: havia cinco pares de tigelas e pauzinhos, além de sobras do jantar anterior.
Perto do fogão, algumas cabeças de repolho; ao levantar a tampa da panela, viu que uma sopa fervia. Mexendo com a colher, Qin Shu notou alguns dedos humanos dentro do caldo.
Após o cozimento, os dedos estavam brancos e inchados.
Depois de procurar, não encontrou a segunda parte das regras.
Decidiu não se preocupar e começou a preparar o café da manhã para a família.
Esquentou a sopa, misturou as sobras do jantar, refogou um repolho — tudo simples e direto.
Levando os pratos ao vestíbulo, Qin Shu abriu a porta do quarto para verificar se o marido sinistro voltara, mas ele seguia ausente.
Deixou de lado e foi até a porta do quarto da sogra, batendo algumas vezes.
Não teve de esperar muito; a sogra, com o rosto pálido e sombrio, saiu, parou diante dos pratos e, surpresa, olhou Qin Shu.