Capítulo 76: O Telefonema que Irritou o Pai Enigmático

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 1919 palavras 2026-02-09 13:57:41

No momento em que atendeu ao telefone, o rosto do pai sombrio estava coberto por uma névoa negra, fitando Qin Shu com um olhar gélido e ameaçador. A mãe, por sua vez, parecia desconfortável e evitava encará-lo.

“É a vovó, deve ser a vovó!”, exclamou o irmãozinho sombrio, correndo animado na direção do telefone, já esticando o braço para pegá-lo.

Antes que ele conseguisse tomar o aparelho, Qin Shu não chegou nem a ouvir direito o que diziam do outro lado e, sem hesitar, desligou o telefone com um estalo seco.

Sem demonstrar qualquer emoção, ela declarou: “Era alguém querendo vender seguro.”

Ao voltar para a mesa de jantar, aproveitou e puxou o fio do telefone, desconectando-o.

O pai e a mãe trocaram olhares frios, observando sem expressão cada movimento calculado de Qin Shu.

Sentou-se, pegou um pãozinho e começou a comer.

“Papai, mamãe, comam logo. Se demorarmos mais, vamos nos atrasar.”

Os dois seres sombrios consultaram o relógio e a névoa negra que os envolvia se dissipou. Baixaram a cabeça e continuaram o café da manhã em silêncio. Quando terminaram, Qin Shu se prontificou a arrumar a mesa e a cozinha.

Depois, ficou com o irmãozinho à porta, acenando para os pais que saíam de casa.

Assim que a porta se fechou, o irmãozinho a olhou com expectativa, a cabeça erguida: “Mana… mana… agora pode brincar comigo?”

Que garotinho insistente, pensou Qin Shu. Estava claro que, se não cedesse, ele não a deixaria em paz.

Sem responder, Qin Shu simplesmente ergueu a mão.

Com um movimento firme, arrancou a cabeça dele, segurando-a nas mãos, enquanto o irmãozinho permanecia atordoado.

“Certo, como você quer brincar? Jogar bola? Ou montar blocos?”, perguntou ela, sorrindo de maneira afável.

O irmãozinho a olhava sem acreditar.

Qin Shu arqueou as sobrancelhas e, antes que ele pudesse escolher, começou a quicar a cabeça dele no chão algumas vezes.

“Está divertido? Quer continuar?”, provocou.

Após ser pressionado contra o chão várias vezes, o irmãozinho via estrelas diante dos olhos. Antes que pudesse reagir, seu corpo foi desmontado, ficando com os pés para cima e as mãos para baixo. A cabeça tocava o chão, o bumbum apontava para o alto.

Piscando os grandes olhos, parecia ter descoberto uma nova brincadeira e gritou empolgado: “Que divertido! Continua, continua!”

Qin Shu ficou desconcertada. Realmente... em cada mundo há crianças levadas. Só que, no mundo sombrio, elas brincam de modo ainda mais selvagem.

Suspirando resignada, desmontou o corpo do irmãozinho mais uma vez. Desta vez, pendurou a cabeça dele sobre o bumbum.

“Pronto, agora preciso voltar aos meus estudos. Pode brincar sozinho”, disse Qin Shu, batendo palmas e dando uma leve pancada na cabeça dele, sorrindo.

Passaram-se quase duas horas de brincadeiras. Já eram mais de dez da manhã.

Era hora de voltar ao quarto para conhecer melhor o tablet.

Desde a vida passada, Qin Shu nunca havia realmente compreendido o mundo sombrio. Agora, ao ver uma mãe idêntica à que a criou, a curiosidade aguçou-se de vez.

De volta ao quarto, trancou a porta, sentou-se à escrivaninha, ligou o tablet e começou a navegar por sites e vídeos.

A estética do mundo sombrio era de fato diferente da do mundo humano. Tudo transbordava um toque de violência e sangue. Por fim, Qin Shu deteve-se no grupo da turma.

O grupo tinha poucas mensagens, apenas algumas perdidas. Depois de um rápido olhar, ela ignorou o restante.

Voltou a assistir vídeos curtos e noticiários do mundo sombrio.

Toc, toc, toc.

O irmãozinho voltou a bater na porta do quarto. Desta vez, porém, o tom era muito mais suave que das outras. Sua voz soava normal, como a de um irmãozinho carinhoso, grudado e obediente.

Olhando para o relógio, já passava do meio-dia.

Quando a mãe saiu, deixou cem notas de dinheiro do além para eles, instruindo Qin Shu a levar o irmão para comer fora ou pedir comida pelo tablet.

Tão entretida com os vídeos, perdeu a noção do tempo.

Ao abrir a porta e ver o irmãozinho com a cabeça ainda pendurada sobre o bumbum, Qin Shu suspirou, desmontou o corpo dele e remontou tudo no lugar certo.

Deu um tapinha na cabeça dele e perguntou: “Está com fome? Espere, vou ver se temos ingredientes na cozinha, podemos preparar algo simples para o almoço.”

Seguiu para a cozinha, mas o irmãozinho a segurou.

Com um brilho nos olhos, estendeu duzentas notas de dinheiro do além: “Vamos comer fora!”

Qin Shu parou e o encarou por um instante, vasculhando na memória do segundo desafio: “Ônibus do Ciclo da Morte número 44”.

Ponto de ônibus – Matadouro – Colégio da Lua Sangrenta – Restaurante da Lua Sangrenta – Hospital da Lua Sangrenta – Condomínio Doce Lar – Zoológico da Lua Sangrenta – Vila da Felicidade

Entre o restaurante e o condomínio, havia o hospital da Lua Sangrenta.

Pelas regras do mundo sombrio, ela ainda não podia sair do perímetro do condomínio Doce Lar. Caso ultrapassasse os limites, seria corrompida e viraria um monstro daquele mundo.

Mas as regras que encontrou na segunda metade, dentro da geladeira, deixavam claro: ela podia descer e circular pelo condomínio e arredores.

Aliás, as regras mencionavam repetidamente pessoas estranhas e forasteiros sendo encontrados no condomínio. Talvez esse fosse o segredo para vencer o desafio.

“Está bem, vou trocar de roupa. Fique aqui e me espere.”

O irmãozinho ficou radiante com o consentimento de Qin Shu e assentiu com alegria.

Qin Shu entrou no quarto, pegou o tablet na mesa e saiu.

O irmãozinho esperava por ela, comportado e ansioso.