Capítulo 59: Sempre estarei ao seu lado

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 1827 palavras 2026-02-09 13:57:10

— Já vi, sim — Qin Shu pegou a foto das mãos dele e a analisou, mentindo sem mudar a expressão: — Vi há alguns dias no Hotel Lua Sangrenta.

O homem de rosto apodrecido ficou visivelmente excitado ao ouvir isso.

— Agora são oito e meia, às nove horas sai um ônibus da vila para o Hotel Lua Sangrenta. Não gostamos de forasteiros por aqui, é melhor você ir logo embora.

Qin Shu devolveu a foto ao homem de rosto apodrecido, que, contente, a recebeu e foi embora sem olhar para trás.

Observando-o sumir à distância, Qin Shu ficou em silêncio por um bom tempo até ver a velha espectral e o marido espectral saírem. Foi ao encontro deles.

— Vovó, acabei de ver um forasteiro perguntando por uma moça com uma foto na mão.

A expressão da velha espectral e do marido espectral tornou-se imediatamente mais feroz, os rostos pálidos deformando-se de raiva.

— Você viu um forasteiro? E ainda falou com ele?

Qin Shu, fingindo não notar as feições ameaçadoras dos dois, assentiu e apontou na direção do templo ancestral.

— Falei sim, mas... não conheço a pessoa da foto. Mandei ele perguntar para outros.

O tal forasteiro tinha seguido mesmo na direção do templo ancestral.

A velha espectral e o marido espectral seguiram na direção indicada por Qin Shu, envoltos em uma névoa negra mais espessa do que antes, seus corpos transbordando aquela energia sombria.

Qin Shu observou os dois se afastarem, pegou as roupas na bacia e desceu até o riacho, onde esperou por Yan Rui e a outra companheira.

Após cerca de meia hora, finalmente viu Yan Rui chegar.

Esperou mais uns quinze minutos, mas Lu Yuanliang não apareceu.

— Yuanliang deve ter tido um destino cruel — Yan Rui franziu as sobrancelhas, visivelmente preocupada com o colega.

Mas nada podiam fazer: nem sabiam de qual família da vila ele fazia parte.

A vila era cheia de estranhezas.

Cada casa parecia um espaço isolado; uma vez dentro, a pessoa passava a fazer parte daquele núcleo.

Por isso Qin Shu nunca saía sem Cuihua: era uma forma de não errar a porta e acabar entrando na casa errada, encontrando outra velha espectral e outro marido espectral.

— Melhor relembrarmos o que aconteceu ontem conosco. Acho que já deduzi qual é a pista oculta deste cenário — sugeriu Qin Shu.

As duas checaram os acontecimentos do dia anterior e descobriram que eram praticamente idênticos. Suas suspeitas pareciam se confirmar.

— Faltam seis dias. Mesmo que não o vejamos antes, no décimo quarto dia haverá o banquete de casamento na vila. Lá poderemos saber se Lu Yuanliang está vivo ou morto — Qin Shu tentou tranquilizar a amiga.

Ela própria só tinha visto Lu Yuanliang duas vezes, bem menos do que Yan Rui; sua possível morte não a entristecia, apenas lamentava a perda.

— Sim, entendi — Yan Rui respirou fundo, tentando manter a calma.

— Então mantemos o combinado? Nos encontramos aqui no riacho nos próximos dias? — Yan Rui olhou para as outras jogadoras que se aproximavam do rio. — Se Lu Yuanliang morreu, como vamos fazer com a cozinha?

Tinham acabado de combinar os preparativos para o décimo quarto dia.

— Veremos na hora. No pior dos casos... ainda temos uma chance — respondeu Qin Shu, lavando as roupas. Ergueu a cabeça e viu, a uma certa distância, Qin Zhenzhen e Tian Xi’er, que tinha uma expressão estranha no rosto.

O semblante de Qin Zhenzhen, antes tão puro e gentil, havia perdido toda aquela compaixão de outrora. Quando viu Qin Shu ali, vivíssima diante de si, uma sombra sombria cruzou seus olhos.

— Qin Shu, Beichen também está neste cenário. Eu contei a ele que você está aqui, e ele pediu para te dizer... para não ter medo. Ele já encontrou a pista principal deste cenário e, no décimo quarto dia, poderá nos tirar daqui juntos.

Yan Rui franziu ainda mais o cenho, olhando para Qin Shu com estranheza, como se perguntasse se ela estava ouvindo direito.

— Ah é? E que pista principal foi essa? Conta pra gente — Qin Shu largou as roupas, subiu a margem e se aproximou passo a passo.

Depois da última vez, em que quase fora morta por Qin Shu, Qin Zhenzhen finalmente aprendeu a ser mais cautelosa. Ao ver Qin Shu se aproximar, deu vários passos para trás.

— Ei, não precisa recuar assim. Como vou conversar com você desse jeito? — Qin Shu parou e, franzindo a testa, observou a outra se afastar para manter uma distância segura, sem saber se ria ou se irritava.

— Eu sei que você gosta do Beichen, Qin Shu. E que tem inveja de eu ter crescido na família Qin, sendo melhor em tudo... Por isso quer me matar — Qin Zhenzhen disse entre dentes, cheia de raiva. — Mas eu também não sou fácil de engolir.

— Da última vez só caí porque fui descuidada. Se não fosse pelo Beichen, eu não teria te perdoado.

Yan Rui ficou sem palavras.

— Está bem, fico aqui então. Se você vier até mim, a gente resolve isso agora mesmo: ou eu morro, ou você. Topa? — Qin Shu riu, irônica.

Olhou para trás de Qin Zhenzhen, onde Tian Xi’er a seguia de perto, o rosto escurecido, o corpo coberto de manchas cadavéricas azuladas. Atrás de Tian Xi’er vinha ainda outra jogadora, grávida.

Os outros jogadores, ao vê-las reunidas, se afastaram discretamente.