Capítulo 108: Miau, Chame-me de Grande Deus Gato
No instante em que Qin Shu matou Xu Xing, o corpo dele se transformou em uma névoa negra e sinistra, que foi absorvida pela faca de cortar ossos nas mãos de Qin Shu.
【Faca de cortar ossos absorveu um fenômeno estranho de nível médio +50, atual nível do artefato estranho: Grau B (188/500), pode ser aprimorado.】
Ela levantou a mão com a faca e pressionou contra o pescoço de Du Wenxing.
— Fala, onde eles foram?
O rosto antes normal de Du Wenxing foi ficando pálido como papel, e seus olhos normais se tornaram pupilas negras como tinta.
— Você... como sabe que não sou eu?
— Isso ainda precisa dizer? Você fala demais. — A faca de cortar ossos cravou uma facada no braço dele. — Onde está o pessoal?
— Quem? — Os olhos vazios de Du Wenxing fixaram-se nela.
Qin Shu franziu a testa, quase sem hesitar, e cortou o pescoço de Du Wenxing mais uma vez.
【Faca de cortar ossos absorveu um fenômeno estranho de nível médio +50, atual nível do artefato estranho: Grau B (238/500), pode ser aprimorado.】
— Vejo que você também não sabe, está perdendo meu tempo. — Qin Shu guardou a faca.
De fato, quanto mais alto o nível do fenômeno estranho, maior sua força e mais energia estranha ele concede.
Após a energia estranha de Du Wenxing ser completamente absorvida pela faca, toda a sala desapareceu instantaneamente.
O cenário ao redor mudou para outro completamente diferente.
Qin Shu estava diante de um templo, e a velha senhora sinistra que a segurara pela mão havia desaparecido.
‘Creeeak, creeeak...’
Inúmeras figuras de papel começaram a avançar em enxame.
Ela estava cercada por todos os lados, restando apenas um caminho para seguir.
Qin Shu olhou para a porta aberta do templo, que parecia uma boca sanguinolenta pronta para devorá-la.
Atrás dela, as incontáveis figuras de papel se aproximavam, determinadas a devorar sua carne.
Sem ousar hesitar, Qin Shu baixou a cabeça e entrou correndo no templo.
As figuras de papel chegaram à porta, mas pararam, sem avançar.
Parecia que algo dentro do templo as impedia de se aproximar, ou de danificar o interior.
Uma enorme estátua de Buda a observava de cima, com um olhar frio e arrepiante.
Qin Shu virou-se e ergueu o olhar para a imensa estátua.
Em vez de sentir a majestade e a solenidade do Buda, ela percebeu uma sensação sombria e aterrorizante, nunca antes experimentada.
Sob a estátua, uma enorme mesa de oferendas estava repleta de tributos.
Dentro do salão do templo, Qin Shu era a única presente.
As figuras de papel não se dispersaram, mas ficaram bloqueando a porta, observando-a ameaçadoramente.
Quanto mais tempo ficava no salão, mais o frio penetrante parecia subir dos seus pés.
Ela caminhou até a mesa de oferendas e fixou o olhar nos tributos por um longo momento, então estendeu a mão para tocar uma laranja sobre a mesa.
No instante em que tocou a fruta, sua pulseira de jade emitiu uma onda de calor intenso.
A laranja que Qin Shu tocara instantaneamente se transformou em três cabeças humanas.
Qin Shu recuou a mão, contemplando as três cabeças empilhadas à sua frente em silêncio.
No pescoço das cabeças, era possível perceber claramente que haviam sido cortadas com uma faca.
As expressões eram horríveis, com olhos arregalados, e as cabeças pingavam sangue e lágrimas.
Claramente, antes de morrer, haviam sofrido um grande choque e tormento.
Que absurdo! Que templo decente seria dedicado a cabeças humanas?
Qin Shu deu a volta na estátua do Buda e, por fim, fixou o olhar novamente na mesa de oferendas.
A mesa estava coberta por um enorme pano amarelo, repleto de escrituras.
Ela não resistiu e tirou a faca de cortar ossos, preparando-se para afastar o pano e examinar o que havia por baixo, quando um vento sombrio soprou dentro do templo.
‘Uuu... uuu...’ soou uma lamentação assustadora.
As luzes cintilaram dentro do salão, e o vento forte impedia Qin Shu de abrir os olhos.
Ela levantou a mão para se proteger do vento, entrecerrando os olhos, e percebeu que as três cabeças que antes estavam no chão agora flutuavam no ar.
Elas continuavam a chorar sangue e a emitir gritos de dor.
‘Uuu... uuu...’
O choro das três cabeças assustou as figuras de papel que guardavam a entrada, fazendo-as recuar.
Elas se afastaram até ficarem a três metros do templo.
O papel fino tremulava com o vento, emitindo um som assobiado.
A faca de cortar ossos erguida por Qin Shu parecia ser invisivelmente repelida por alguma força.
A mão com a pulseira emitia um brilho verde translúcido, protegendo Qin Shu firmemente.
Ela recolheu a mão e o vento se acalmou.
A sensação de ser observada desapareceu instantaneamente.
As três cabeças na mesa de oferendas ficaram silenciosas, como se tudo aquilo tivesse sido apenas imaginação de Qin Shu.
Após hesitar por um longo tempo, Qin Shu pegou as três cabeças do chão, mordeu os lábios e saiu do templo.
Quando ela saiu, as figuras de papel na porta pareciam amedrontadas por algo e recuaram constantemente.
Acompanhando Qin Shu estava um espírito feminino aquático, que a observava com olhar vazio, e atrás dela uma multidão de figuras de papel sinistras.
Nenhuma sandália bordada foi encontrada, mas ela ganhou três cabeças humanas.
Qin Shu sentiu que seu gosto estava ficando cada vez mais estranho.
No entanto, ela também acertara a aposta.
Quando as três cabeças foram retiradas do templo, a sensação de vigilância que emanava do templo a seguiu até que, à medida que se afastava, a sensação gradualmente desapareceu.
Certamente, havia algo muito importante sob a mesa de oferendas.
Deve ter alguma relação com essas três cabeças.
Mas e quanto às figuras de papel no ancestral Wu?
A situação parecia cada vez mais complexa e misteriosa.
Qin Shu olhou para o céu e suspirou; ainda faltava uma hora para amanhecer.
Embora as figuras de papel não a atacassem mais, mantinham uma certa distância, seguindo-a de perto.
Na antiga cidade da Lua Sangrenta, sob a lua vermelha do meio da noite,
Qin Shu caminhava pelas ruas desertas, carregando as três cabeças, seguida por um espírito estranho e uma multidão de figuras de papel sinistras.
Eles avançavam em direção à antiga residência da família Wu.
Qin Shu lamentava impotente: este desafio era realmente cruel.
Nenhum dos seus companheiros aparecia.
— Miau~
Enquanto caminhava, ela ouviu uma voz familiar.
À distância, um cachorro amarelo saiu com imponência pelo portão da residência Wu.
Nas costas, carregava um gato preto.
Não eram seus animais de estimação desaparecidos há quatro dias?
— Au au~
O cachorro, chamado Cuihua, ergueu a cabeça e latiu para Qin Shu, com lágrimas brilhando em seus olhos.
Olhou para o gato preto, que caminhava altivo, e Qin Shu ficou sem palavras.
— Onde vocês dois estavam?
O gato preto olhou para as três cabeças nas mãos dela, lambendo os lábios com a língua rosada.
Seus olhos verdes brilhavam com astúcia.
Ele se empoleirou nas costas de Cuihua, batendo com a pata.
— Miau~ Chame-me de Sua Alteza, o Deus Gato.
O quê?
Deus Gato?
Este gato preto falava!
Qin Shu logo percebeu que desconhecia o nível da avó estranha, e também não sabia o nível do gato preto à sua frente.
De fato, fosse gente ou animal de estimação, quem tem capacidade tende a ser orgulhoso.
— Miau~ Chame-me de Grande Deus Gato, vou levar você até seus companheiros.
Essa era sua última teimosia.
Qin Shu ouviu novamente sua voz quase infantil e meiga, confirmando que o gato preto e Cuihua estavam juntos em alguma missão.
— Você sabe sobre as pistas ocultas deste desafio?
Página final.