Capítulo 89: Xu Xing — Não deixe Qin Shu nos subestimar

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 2496 palavras 2026-02-09 13:58:27

Essas palavras não eram ditas em tom de brincadeira.

No passado, a equipe Chamas já enfrentara situações assim: um grupo fora atacado e apenas uma pessoa conseguiu retornar viva. Tomada por uma culpa insuportável, aquela sobrevivente acabou enlouquecendo e perdeu o juízo.

Ninguém sabia realmente o que acontecia dentro dos desafios.

— Entendido, é melhor verificarmos o tamanho desta vila antiga e logo encontrarmos um abrigo para passar a noite — sugeriu Qin Shu.

Ela dirigiu ao redor de toda a Vila da Lua Sangrenta; o lugar não era grande e, em vinte minutos, conseguiu ter uma boa noção de sua estrutura geral.

Além da vila, havia apenas um mar de névoa branca. Aproximar-se daquela névoa causava uma sensação de queimadura.

Estavam presas ali, sem poder sair, até que desvendassem o segredo daquela vila.

— Assim como em Vila da Felicidade, vamos nos reunir todos os dias ao redor do poço, bem no centro da vila.

Após a volta de reconhecimento, decidiram que o centro, tendo o poço como ponto de referência, era o melhor local para se encontrar.

— Combinado. Precisamos encontrar onde ficar antes do pôr do sol.

Depois de deixar Yan Rui e Lu Yuanliang em seus destinos, Qin Shu voltou-se para Du Wenxing e Xu Xing, que estavam no banco de trás.

Era a primeira vez que formavam um grupo juntos, e todos haviam recebido a mesma identidade para o desafio.

Diferente das experiências anteriores, agora eram três pessoas de poucas palavras reunidas. Ninguém parecia disposto a quebrar o silêncio.

Após um longo tempo, Qin Shu, que já se considerava alguém reservada, percebeu que os dois eram ainda mais frios que ela.

— Para onde vamos? — perguntou.

— Não vamos para a mansão ancestral da família Wu? — Xu Xing olhou para Qin Shu, confuso.

Ele supunha que isso já estava decidido. O lugar mais perigoso costumava ser o mais seguro.

Além disso, como tinham o papel de exploradores, os três deveriam ir até a mansão para buscar pistas ocultas.

Qin Shu coçou o nariz, sentindo um olhar fixo em suas costas. Era o olhar da entidade sombria dentro de Xu Xing.

Quanto a Du Wenxing, ele não dissera sequer uma palavra desde o início da missão.

— Chegamos à mansão — anunciou Qin Shu, parando o carro.

Ao virar-se para falar, percebeu que ambos já tinham descido.

Qin Shu ficou momentaneamente sem palavras.

Apertou os punhos, sentindo vontade de dar uma surra nos dois.

Xu Xing bateu no vidro: — Não vai descer?

Sem alternativa, Qin Shu desceu também.

Após guardar o carro, lembrou-se dos companheiros do desafio anterior: o gato preto e Cuihua.

Um presente da avó fantasma: mais um gato preto (habilidades desconhecidas, o jogador precisa descobrir).

E também um cão infernal de baixo nível (com olfato aguçado, capaz de distinguir humanos de entidades sombrias; com ele, você nunca se perderá).

Assim que soltou Cuihua e o gato preto, os dois começaram a brigar, um amarelo e um preto, em meio a arranhões e mordidas.

Em apenas um minuto, Cuihua já estava subjugada, com o gato preto triunfante em cima de sua cabeça, patas na cintura, peito estufado, encarando Qin Shu e soltando um “miau” vitorioso.

Xu Xing lançou um olhar estranho para Qin Shu; a entidade que habitava seu corpo o alertava para não provocar o gato preto, pois nem ela conseguiria salvá-lo, caso algo acontecesse.

Du Wenxing estava tranquilo, sua sombra sempre o acompanhava, mas, ao ver o gato preto, desviou silenciosamente para o outro lado.

Diante da mansão da família Wu, dois leões de pedra protegiam a entrada, cujas portas estavam fechadas com solidez e austeridade.

Qin Shu e Xu Xing olharam ao mesmo tempo para Du Wenxing, deixando claro que era ele quem deveria bater.

— Velho Du... agora que Yan não está, você é nosso líder espiritual. É sua vez de mostrar coragem — Xu Xing lhe deu um tapinha no ombro, dizendo em tom relaxado: — Não podemos deixar a Qin Shu, nossa caçula, pensar que somos covardes. Se é homem, vai lá!

Du Wenxing lançou-lhe um olhar, e então sua sombra caminhou até a porta e bateu.

“Tum, tum, tum, tum.”

Na quarta batida, a porta se abriu.

Um idoso de cabelos brancos, rosto vincado de rugas, vestindo roupas desbotadas, segurava uma vassoura na mão livre e mantinha um olhar gélido, sem qualquer calor humano.

Examinou a sombra com frieza.

A sombra desviou para o lado, revelando Qin Shu e os outros dois diante do velho.

Os três olharam imediatamente para os pés do idoso — havia sombra.

Du Wenxing olhou para Xu Xing, que, apesar da pressão, avançou.

— Senhor, viemos para a cerimônia. Viajamos de longe e ainda não conseguimos um lugar para passar a noite. Podemos nos hospedar aqui? Partiremos assim que o casamento terminar.

O velho avaliou Xu Xing dos pés à cabeça.

Xu Xing, de cabelo raspado e olhar límpido, tinha o sorriso de um jovem radiante.

Depois, olhou com desconfiança para Du Wenxing, que usava óculos e demonstrava a seriedade de alguém na casa dos trinta, claramente um tipo intelectual.

Por fim, dirigiu o olhar para Qin Shu, que lhe ofereceu um sorriso dócil: cabelo preso em rabo de cavalo, roupas esportivas pretas e uma pequena mochila nas costas.

Atrás dela, o gato e o cão já haviam entrado sorrateiramente quando o portão se abriu.

Talvez a aparência inofensiva do trio tenha feito o velho baixar a guarda.

Ele abriu por completo a porta e permitiu a entrada dos três.

— Podem entrar. Mas... nosso patrão está ocupado com o casamento do jovem senhor, que acontecerá em cinco dias. Melhor não sair dos quartos sem necessidade.

O idoso seguia adiante com a vassoura, explicando as regras da casa Wu.

Depois de muitas voltas, finalmente parou.

Durante o trajeto, Qin Shu e os outros memorizaram a configuração da mansão.

Em algum momento, o velho tirou um grande molho de chaves do bolso, abriu três portas e as indicou:

— Há muitos convidados para o casamento. Não façam barulho à noite, não incomodem os demais.

Xu Xing coçou o nariz.

No mundo sombrio, a noite era sempre a mais perigosa. Só alguém insano pensaria em incomodar os outros hóspede.

Além disso, naquele desafio, além dos cinco da equipe Chamas, havia outros grupos. Não se sabia se os vizinhos eram humanos ou entidades.

Os três escolheram seus quartos, observando o velho se afastar, curvado pela idade.

— O anoitecer se aproxima. Vamos procurar regras específicas em cada quarto. Amanhã, às oito, nos vemos na porta.

Xu Xing entrou primeiro no quarto à esquerda.

Qin Shu olhou para Du Wenxing.

— Escolha você — disse ele, econômico nas palavras, como sempre.

Qin Shu escolheu o quarto à direita. Ao fechar a porta, ouviu vozes conhecidas.

— Irmão, como pode a irmã Yufu me culpar? Não fiz nada, foi tudo culpa daquele Wu Xinghe, que fez ela entender errado.

— Zhenzhen, não chore. Gu Yufu pôs a culpa pela morte de Gu Beichen sobre nossa família Qin — consolou Qin Nan, suave. — Tudo culpa de Qin Shu. Quem diria que, ao sair da família, ela causaria tamanho desastre.

— Fez a família Gu ir à falência, a família Wu quer romper o noivado, Yufu está magoada... Se encontrar Wu Xinghe, evite-o ao máximo.