Capítulo 80: A avó sinistra de repente matou Qin Shu
Neste horário, o pai e a mãe fantasmagóricos não deveriam estar no trabalho.
— Vovó? Onde estão meus pais? — perguntou ela.
A avó fantasmagórica a fitou por um longo tempo com um olhar estranho. — Seus pais foram trabalhar.
— Não faz sentido, ainda são apenas sete horas — disse Qin Shu, conferindo o relógio. Estava certo.
— Vovó, pode não sair com o meu irmãozinho hoje? Não estou me sentindo muito bem... meu estômago dói muito — Qin Shu falou, segurando a barriga e com expressão abatida.
Ela vigiava nervosa a expressão da avó, que permaneceu imóvel, com um semblante estranho, encarando-a por muito tempo. O olhar gélido da velha parecia congelar o ar ao redor, espalhando um frio que penetrava até os ossos.
O irmãozinho fantasmagórico, abraçado à perna da avó, olhava para cima e insistia, sem querer soltá-la: — Vovó, vovó, vamos ao parque de diversões!
Mas a avó parecia não escutar, mantendo os olhos sombrios fixos em Qin Shu.
— Irmãozinho, seja bonzinho, a mana trouxe biscoitos de ursinho para você. Fique comigo em casa hoje, quando papai e mamãe voltarem a gente pensa nisso — disse Qin Shu, afagando a cabeça do irmão, que, embora contrariado, não ousou desobedecê-la diante de sua firmeza dos últimos dias. Por fim, saiu emburrado e entrou no quarto em frente.
Qin Shu franziu a testa, voltando o olhar para a avó. A velha segurava um gato preto no colo, cujos olhos verdes a observavam sem piscar. A atmosfera era estranhamente opressora, o ar parecia denso e uma sensação gélida a envolvia.
— Vovó, prometi os biscoitos de ursinho para o meu irmãozinho. Ele deve estar muito triste por não ter ido ao parque. Vou vê-lo um instante — disse Qin Shu, passando de lado pela avó.
A aura sombria da velha era ainda mais assustadora que a do pai e da mãe, chegando a um nível de terror que Qin Shu não conseguia compreender totalmente. Ficar perto dela a deixava tensa, preferia mil vezes a companhia do irmãozinho.
Bateu suavemente à porta do quarto do garoto, chamando com doçura: — Irmãozinho, sou eu, a mana. Vou entrar agora, tá?
Atrás dela, os olhos da avó brilhavam de forma sinistra, lançando-lhe uma energia maligna jamais sentida antes.
De repente, Qin Shu cuspiu sangue, tudo escureceu e ela desmaiou.
No Departamento de Lendas Macabras, o silêncio era total. Qin Shu tinha morrido? No monitor, sua cabeça rolava ensanguentada pelo chão, e atrás dela estava a avó, envolta por uma aura sobrenatural.
Naquela casa, a verdadeira ameaça era a avó.
Não, não era ela. Era a regra...
Qin Shu havia disparado uma regra! Mas não estava escrito em lugar algum que era proibido entrar no quarto do irmãozinho. O que teria provocado sua morte nas mãos da velha?
Felizmente, Qin Shu havia escapado usando a boneca substituta, e agora estava sentada normalmente à escrivaninha do quarto, acariciando o pescoço dolorido, sentindo a estranha separação entre cabeça e corpo — uma sensação nada agradável. Enfim, entendeu o valor de um amuleto de proteção.
A avó fora cruel demais, e Qin Shu, naquela situação, era apenas uma paciente mental. Ainda assim, a avó não hesitou em agir daquela forma com a neta.
Naquele dia, o pai e a mãe pareciam ter desaparecido do nada. Ela sabia que não podia sair do quarto. Mas e se a avó levasse o irmãozinho com ela? Isso a deixava inquieta.
Depois de uma experiência de morte, ficou claro para Qin Shu que havia um tabu naquele quarto. Não podia entrar ali — ao menos não sob o olhar da avó ou da mãe.
Compreendendo esse ponto, Qin Shu voltou para a mesa do computador e retomou seus estudos.
O tempo passou até o meio-dia, quando alguém bateu à porta.
Era a voz do irmãozinho: — Mana, estou com fome...
Qin Shu estranhou. Não era para a avó estar em casa? Por que o irmãozinho vinha pedir comida a ela?
Hesitou um pouco, mas a batida insistia. Ao abrir a porta, viu o garoto com uma expressão feroz, que se desfez ao vê-la, transformando-se num sorriso estranho e forçado: — Mana, estou com fome...
Qin Shu olhou para a sala, onde a avó sentava diante da televisão, impassível.
Depois de um momento, afagou o irmãozinho: — Seja bonzinho, o que você quer comer? Vou pedir comida para você.
— Quero hambúrguer, frango frito e refrigerante! — exclamou ele, animado.
Qin Shu assentiu, mas notou que os braços do garoto estavam cobertos de hematomas roxos.
Agarrou a mão dele e puxou sua camisa, revelando o corpo pequeno tomado de manchas arroxeadas, sinais de necrose, enquanto a energia sobrenatural ao redor aumentava assustadoramente. O irmãozinho, antes uma entidade menor, estava ascendendo rapidamente de nível, tornando-se uma criatura terrível.
Qin Shu ajeitou as roupas do garoto às pressas e colocou um pacote de biscoitos de ursinho em sua mão: — Aqui, espere só um pouco que a comida já chega.
Ela sorriu docemente e afagou-lhe a cabeça.
O rosto monstruoso do irmãozinho voltou ao normal, e ele saiu alegre, indo sentar-se ao lado da avó.
Qin Shu voltou ao quarto, fez o pedido de comida pelo tablet — incluindo pratos de massa para ela e para a avó —, e só então saiu novamente, indo ao encontro da avó e do irmãozinho.