Capítulo 82: O diário cor-de-rosa no quarto do irmão mais novo
Quando Qin Shu entrou no quarto, deixou a porta entreaberta discretamente.
Ela viu a mãe de Gui abrir a porta, e do lado de fora estava a avó de Gui, que havia partido repentinamente no dia anterior.
O rosto da mãe de Gui estava sombrio; o modo como olhava para a avó não era de quem vê um parente, mas sim um inimigo.
Qin Shu ficou em silêncio. Ela claramente viu a mãe de Gui abrir a boca para falar, enquanto a avó permanecia parada na porta, intimidada diante da mãe, sem a ferocidade que demonstrara ontem ao brigar com o pai de Gui.
No instante em que a avó apareceu, o irmãozinho de Gui saiu do quarto e abraçou a perna dela, insistindo para que o levasse ao parque.
Qin Shu hesitou por um momento, mas, reunindo coragem, abriu a porta e perguntou: “Irmãozinho, você não quer mais a sua irmã?”
Ela olhou tristemente para o irmãozinho, que continuava agarrado à perna da avó.
A mãe e a avó de Gui voltaram o olhar para ela ao mesmo tempo.
“Vovó, hoje pode não levar o irmãozinho ao parque?”
O rosto da mãe de Gui, já pálido, tornou-se gradualmente contorcido.
A avó perdeu ainda mais o ímpeto, fitando Qin Shu com um olhar complicado.
“Não vou~”
Qin Shu suspirou aliviada, aproximou-se e pegou o irmãozinho nos braços, levando-o de volta para o quarto.
Observando a mãe e a avó paradas à porta, ela já tinha uma ideia do que estava acontecendo.
Respirou fundo, tirou um pirulito do bolso e colocou na boca do irmão.
“Pronto, se não quiser ir ao parque, eu brinco de bola com você!”
O irmãozinho ficou em silêncio, um pouco desconcertado.
Para garantir que ele não fugisse atrás da avó, Qin Shu alternava entre resolver exercícios e vigiá-lo, até que ao meio-dia a mãe de Gui bateu novamente à sua porta.
Ao abrir, deparou-se com o olhar complexo da mãe.
“Venha comer.”
A mãe disse isso de forma indiferente.
Qin Shu sorriu, assentiu e saiu do quarto, certificando-se de que a avó não estava por perto antes de se sentar à mesa. Proativamente, ajudou a mãe a trazer os pratos.
O olhar escuro da mãe de Gui era sempre frio e difícil de encarar.
Nem a avó nem o pai estavam presentes; apenas a mãe permanecia na casa.
O calendário indicava que era fim de semana, então Qin Shu supôs que a mãe ficaria o dia todo em casa.
Amanhã seria seu último dia neste cenário, e, de acordo com as regras, bastava sobreviver ao quinto dia para completar a missão.
Contudo, Qin Shu sabia que ainda podia desvendar mais segredos.
Como, por exemplo, descobrir a verdade oculta nesta família: como o irmãozinho morreu? Por que o pai e a avó nunca aparecem juntos? E se amanhã ambos surgirem ao mesmo tempo, o que fazer?
Ela suspeitava fortemente que a avó era responsável pelo desaparecimento do irmão.
Do contrário, não teria havido aquela briga entre o pai e a avó.
Qin Shu suspirou.
Para conseguir a melhor classificação possível, precisava entrar no quarto do irmãozinho e da mãe, e, quem sabe, sair viva deste cenário.
Ela já tinha desvendado quase todos os segredos ocultos deste desafio.
O problema é que o amanhã ainda era um mistério.
Frequentemente, o último dia é o mais perigoso.
Largou os talheres, levantou a cabeça e, cautelosamente, perguntou:
“Mãe, posso entrar no quarto do irmãozinho para ajudá-lo nas tarefas?”
A mãe, com os talheres nas mãos, hesitou.
Depois de lançar um olhar para o lado e apertar os lábios pálidos por um tempo, respondeu:
“Se quiser entrar, entre.”
Desta vez, ela não proibiu.
Por que, então, naquele outro dia, quando tentou entrar no quarto do irmão, foi impedida pelas regras do cenário?
Qin Shu estava apreensiva; olhou para o irmãozinho sentado ao lado, que não havia tocado na comida.
“Irmãozinho, não é certo ser tão exigente com comida.”
Disse, impotente. Aos olhos da mãe, Qin Shu era uma irmã carinhosa e dedicada.
O irmãozinho apenas olhou para ela, desconsolado.
“Por que essa expressão de novo?”
Ela deu um tapinha na cabeça dele e apontou para o prato:
“Coma tudo, senão não terá biscoitos de ursinho amanhã.”
A mãe ficou na porta da cozinha, observando Qin Shu por um longo tempo, com um olhar sombrio e complicado.
Essa criança... estava cada vez mais doente.
Ela olhou para o lugar ao lado de Qin Shu e, em seu rosto pálido, surgiu um traço de tristeza.
O irmãozinho, sentindo-se ameaçado, abriu a boca cada vez mais, até engolir de uma vez o prato e os talheres, fazendo estalos com os cacos de porcelana.
Encolheu o pescoço, engoliu tudo e mostrou a boca vazia para Qin Shu, indicando que tinha terminado a refeição.
Qin Shu, satisfeita, afagou a cabeça dele e tirou um pacote de biscoitos de ursinho do bolso.
“Muito bem, irmãozinho. Criança que não escolhe comida é uma boa criança.”
Levantou-se, segurou a pequena mão dele e foi até a porta do quarto.
“Venha, vou ajudá-lo com a lição de casa.”
Ao chegar à porta, sentiu o olhar atento da mãe.
Desta vez, não sentiu aquele frio na espinha.
Estava certa de que podia entrar no quarto do irmãozinho.
Apertou a maçaneta e abriu a porta.
O quarto estava mergulhado na escuridão, e Qin Shu tateou pela parede...