Capítulo 74: A Mãe Misteriosa é a Mãe Adotiva de Qin Shu
Se você não abrir a porta, eu mesma vou entrar, estou mesmo entrando.
Do lado de fora, o irmãozinho não parava de bater na porta.
O barulho das pancadas aumentava cada vez mais, cada batida mais forte que a anterior.
— Que barulho é esse? Não sabe que estou estudando? Se eu não passar no vestibular, vou arrancar sua cabeça! — Qin Shu bateu na mesa e gritou de maneira feroz.
O barulho do lado de fora cessou imediatamente.
No quarto, instalou-se um silêncio estranho.
Qin Shu soltou um longo suspiro. Recusar-se a brincar com o irmão usando o estudo como desculpa era sempre a melhor opção.
[Regra 2: O irmãozinho às vezes é travesso e grudento; se ele pedir para brincar, nunca o rejeite. Afinal, nesta casa, além da avó, você é quem mais ama seu irmão.]
Essa regra não era propriamente rígida.
Afinal, [Regra 7: Você é uma estudante do último ano do ensino médio. Seus pais depositam toda a esperança em você, pois eles gostam de filhos com boas notas.]
Essa regra deixava claro.
Ela era uma estudante do último ano, tudo deveria girar em torno dos estudos.
Quando o irmão bateu na porta, Qin Shu não abriu imediatamente, querendo testar a atitude do inquietante irmão do lado de fora.
E os fatos comprovaram que Qin Shu estava certa.
Enquanto ela não abrisse a porta, o estranho irmão não ousaria entrar.
Se tivesse aberto, seria forçada a ceder ao pedido dele.
Depois de despachar o irmão travesso, Qin Shu resolveu mais uma prova de matemática. Logo, barulhos vindos do lado de fora voltaram a soar.
Olhando o relógio, já eram cinco da tarde. Pelo visto, a mãe já havia chegado em casa.
Qin Shu, porém, não tinha intenção de sair para recebê-la. Pegou outra prova e continuou a estudar.
Sua postura era exatamente a de uma aluna se preparando para o vestibular.
Às sete horas, bateram na porta do quarto.
— Jingjing, venha jantar.
A voz da mãe ecoou do lado de fora.
Só então Qin Shu largou a caneta, se espreguiçou, pegou o relógio de pulso infantil para ver as horas e, finalmente, levantou-se para abrir a porta, saindo do quarto pela primeira vez.
Na sala de estar.
O pai estava sentado no sofá, segurando o controle remoto, com os olhos fixos na televisão, onde uma criatura sinistra serrava um corpo.
A mãe ainda estava na cozinha, ocupada com o jantar da família.
O estranho irmão saiu de outro cômodo, viu Qin Shu e exibiu um sorriso macabro.
Naquela tarde, por ter recusado o pedido do irmão, Qin Shu conquistou sua mágoa.
Ela olhou longamente para o irmão antes de desviar o olhar e seguir direto para a cozinha.
Na cozinha, a mãe sinistra empunhava uma faca ensanguentada, cortando um pedaço de carne fresca, impossível de identificar de que parte vinha.
— Mãe, hoje quero comer ovos.
Qin Shu entrou na cozinha, aproximou-se obedientemente e olhou para a carne sobre a tábua.
A mãe sinistra, ao ouvir o pedido, virou a cabeça de forma rígida para encará-la.
Os olhos de Qin Shu brilharam levemente; ao ver aquele rosto tão familiar, ela quase perdeu a compostura.
Apertou o punho, forçou um sorriso inocente e disse:
— Mamãe, por que está me olhando assim? Fui muito comportada hoje, não saí do quarto, fiquei estudando o tempo todo.
— Hum.
A mãe sinistra voltou-se para a carne e continuou cortando, sem atacar a filha.
Qin Shu permaneceu um tempo na cozinha, observando a disposição dos utensílios. Atrás da mãe, havia uma geladeira, mas ela não estava aberta.
Qin Shu não pretendia se arriscar para descobrir seu conteúdo.
O estranho irmão, vendo que Qin Shu o ignorava, foi até a porta da cozinha e a encarou com uma expressão gélida:
— Mana, venha brincar comigo.
Qin Shu estava prestes a se oferecer para ajudar a mãe sinistra quando o irmão fez seu pedido.
[Regra 2: O irmãozinho às vezes é travesso e grudento; se ele pedir para brincar, nunca o rejeite. Afinal, nesta casa, além da avó, você é quem mais ama seu irmão.]
Antes, protegida pela porta do quarto, Qin Shu usou o estudo como desculpa para rejeitar o irmão.
Desta vez, o que faria Qin Shu?
O velho Yan observava a tela, vendo cada passo de Qin Shu desde que entrou no desafio, tudo correndo quase perfeitamente.
Virou-se para Li Xuantian, querendo perguntar o que ele faria em uma situação dessas.
Mas viu que o rosto de Li Xuantian estava sombrio, os olhos fixos na tela.
— O que houve? — Yan franziu a testa, intrigado.
— Isso não está normal... — respondeu Li Xuantian, em alerta, observando a mãe sinistra na tela.
— Qin Shu está indo bem desde que entrou no desafio. O que está errado? — O coração de Yan se apertou, sem compreender.
— A mãe sinistra se parece demais com a mãe adotiva de Qin Shu, já falecida na vida real.
Li Xuantian tirou uma foto da gaveta e entregou a Yan.
Yan pôs a foto sobre a mesa e comparou com a imagem da mãe na cozinha. Era realmente... idêntica.
Agora, ele também passou a se preocupar com Qin Shu.
Os registros mostravam que Qin Shu tinha grande afeto pelos pais adotivos.
Será que estava sendo alvo desse mundo estranho?
— Fiquem atentos. Qualquer coisa suspeita, avisem Qin Shu imediatamente.
Yan respirou fundo.
Embora este parecesse um desafio de três estrelas, para Qin Shu era um enorme desafio.
Qin Shu lançou um olhar profundo para a mãe sinistra e, mais uma vez, recusou o pedido do irmão:
— Acho que não posso, quero ajudar a mamãe a cozinhar.
O rosto do estranho irmão, visivelmente, tornou-se assustador.
A mãe sinistra, ouvindo Qin Shu se oferecer para ajudar...