Capítulo 95: Qin Zhenzhen tem algo de peculiar

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 2449 palavras 2026-02-09 13:58:53

"Acho que ontem à noite, alguém se aproximou de mim de forma assustadora."

Qin Shu engoliu em seco, revisando mentalmente tudo que fizera desde que entrou no quarto. Pelo que se lembrava, não havia cometido nenhum erro. Seria possível que aquele espírito feminino tivesse achado sua aparência atraente e, por isso, lhe dera uma atenção especial?

Du Wenxing ergueu uma sobrancelha, como se quisesse mostrar a Yan Rui e aos outros: "Viram? Eu disse que estava certo."

Lu Yuanliang bateu no próprio peito e soltou um suspiro de alívio. "Du, você precisa mudar esse seu jeito. Quase me matou de susto! Fiquei observando a sombra da Qin Shu o tempo todo, com medo de que, de repente, ela desaparecesse e o que estivesse diante de nós fosse algum espírito."

Yan Rui franziu a testa, pensativa. "Vocês três não querem contar o que fizeram no quarto? Por que só a Qin Shu foi escolhida para uma atenção especial?"

Qin Shu também queria saber. Ela olhou para Du Wenxing e Xu Xing em busca de respostas.

Du Wenxing permaneceu em silêncio; até a sombra dele parecia mais animada do que ele próprio.

"Eu dormi em cima da mesa ontem à noite", respondeu Xu Xing, lançando um olhar para Du Wenxing.

Du Wenxing assentiu e voltou-se para Qin Shu.

"Eu também", disse Qin Shu, abrindo as mãos em um gesto de impotência. Ela refletiu um pouco: o espírito passou a noite tentando convencê-la a abrir os olhos, mas ela resistiu e, em vez disso, ouviu o grito aterrorizante de Qin Zhenzhen no quarto ao lado. Qin Shu estava curiosa para saber o que Qin Zhenzhen havia enfrentado para gritar daquele jeito. Ela simplesmente não acreditava que Qin Zhenzhen tivesse medo. Só Wu Xinghe e Qin Nan acreditariam nessas coisas sobrenaturais.

Se as pessoas realmente temessem, não entrariam voluntariamente nos desafios para se tornarem jogadoras profissionais. Além disso, não era a primeira vez de Qin Zhenzhen em um desafio como aquele.

Nessas situações, o mais importante era não se contaminar, não abrir os olhos, nem emitir qualquer ruído. Qin Zhenzhen, no entanto, cometeu ambos os erros.

Na vida anterior, sempre que Qin Shu fazia um desafio com Qin Zhenzhen, escapava por um triz da morte. Nesta vida, sem Qin Zhenzhen, ela sentia que os desafios eram menos perigosos do que antes.

Isso demonstrava que até o mundo dos espíritos diferenciava as pessoas.

Em resumo, Qin Shu tirou uma lição: aproximar-se de Qin Zhenzhen era arriscar a morte certa e, além disso, acabava sempre atraindo espíritos de maneira inexplicável. Esse talento de "encantar multidões" realmente funcionava tanto com humanos quanto com espíritos.

"O talento de Qin Zhenzhen é o de encantar multidões. Sempre que ela o usa, até quem não simpatiza com ela passa a gostar", explicou Qin Shu, olhando para Xu Xing e Du Wenxing. "Tenho uma rivalidade com ela, vocês são meus companheiros de equipe. Ela não vai deixar isso barato."

O que ela queria dizer com aquilo? Xu Xing, arrepiado, imaginou-se transformando-se em alguém bajulador como Wu Xinghe e estremeceu involuntariamente, passando a mão sobre a tatuagem macabra no braço. "Se ela ousar usar esse talento comigo, vou mostrar a ela do que sou capaz!"

Qin Shu apenas pensou: tomara que o espírito dentro de você também não caia no feitiço dela.

Resumindo, Qin Zhenzhen era realmente perigosa.

Qin Shu tirou o relógio de pulso infantil e conferiu a hora. "Já perdemos tempo demais hoje, é melhor cada um voltar para procurar pistas."

A regra cinco da mansão Wu dizia: "No quintal dos fundos há um poço, cuja água é especialmente doce. Se tiverem oportunidade, provem um pouco."

"Se essa regra foi destacada, com certeza o poço guarda algum segredo."

"Certo, então vamos nos separar e nos encontramos aqui amanhã", concordou Yan Rui prontamente, dando um tapinha no ombro de Lu Yuanliang. "Até amanhã, Lu."

Lu Yuanliang estava desanimado. Só de pensar em voltar para dormir cercado de bonecos de papel sentia arrepios. Arrependeu-se de ter gasto todo o dinheiro que ganhou trocando itens por diversão. Se tivesse mais alguns artefatos em mãos, não estaria tão apreensivo agora.

Yan Rui, alheia aos pensamentos dele, ainda pensava se, após o desafio, deveria descobrir quem era a mulher que o via como um alvo tão fácil.

Qin Shu, Xu Xing e o silencioso Du Wenxing voltaram à mansão Wu.

A mansão era composta por três grandes pátios. O primeiro servia de recepção, o segundo era reservado ao patriarca, e o poço mencionado na regra ficava nos fundos, onde moravam as mulheres da família. Qin Shu estava hospedada nos quartos de hóspedes na parte da frente.

Durante o dia, a mansão Wu era estranhamente silenciosa, sem sinal de gente, o que a tornava ainda mais sinistra.

Ao entrarem pelo segundo portão, os três trocaram olhares e se separaram.

Qin Shu seguiu direto para os fundos, enquanto Xu Xing e Du Wenxing tomaram caminhos diferentes.

Nos fundos, a decoração era elegante, com caminhos de pedras arredondadas. Qin Shu caminhou por toda a trilha sem encontrar uma única pessoa — nem mesmo uma empregada limpando.

O que a inquietou ainda mais foi ouvir risadas pelo longo corredor, mesmo estando sozinha. O corredor parecia interminável e, por mais que andasse, não conseguia sair dele.

Quando começou a suspeitar de que tinha caído em algum ciclo sobrenatural, uma mão de repente pousou em seu ombro.

"Hóspede, por que veio ao quintal dos fundos? Não disseram que não se deve andar por aí sem permissão?"

O mordomo, de aparência cadavérica, surgiu atrás de Qin Shu em silêncio, pousando a magra mão ossuda sobre seu ombro e perguntando com voz soturna.

Qin Shu ficou ereta, sem se virar. Forçou um sorriso e apontou para o pátio vazio. "Estou perdida e me pergunto por que não há ninguém limpando esta casa tão grande."

"Quem disse que não há ninguém? Todos estão aqui", respondeu o mordomo.

De repente, ele apareceu diante de Qin Shu, inclinando-se perigosamente perto, fitando-a friamente.

Qin Shu franziu a testa e deu um passo atrás. Olhou ao redor e percebeu que algumas pessoas apareceram varrendo o pátio, embora antes o lugar estivesse deserto.

"Talvez eu não tenha dormido bem por causa do barulho ontem à noite e tenha me confundido", murmurou, olhando para os enfeites da mansão. "O jovem senhor não ia se casar? Por que a decoração da casa não mudou ainda? Não deveriam ter pendurado lanternas vermelhas e fitas para comemorar?"

Não resistiu em comentar: "Será que o patrão não gosta da futura senhora da casa?"

O rosto do mordomo oscilou entre várias expressões até ficar pálido e sombrio. "Não diga isso! Nossa futura senhora é uma dama de família respeitável, criada desde a infância ao lado do jovem senhor. O patrão está muito satisfeito com esse casamento."

"Tenho certeza de que não dormi bem. Olhe, agora vejo as lanternas vermelhas", disse ele, irritado, apontando para as lanternas que surgiram misteriosamente no corredor.

Qin Shu piscou, coçando a nuca e sorrindo de forma embaraçada. "Devo ter ficado sonolenta. Andei tanto por aqui e nem percebi."

"Ah, mordomo, posso perguntar uma coisa? Aqui nos fundos, há mesmo um poço?" Qin Shu olhou em volta, mas não encontrou nenhum sinal de poço.

O rosto do mordomo ficou ainda mais cinzento, e seus olhos também perderam a cor.

"Por que está procurando o poço?" Sua voz ficou muito mais baixa, gélida, provocando calafrios. "Não existe poço algum nos fundos."