Capítulo 98 Qin Shu nunca tinha encontrado alguém tão extraordinário quanto você.

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 2552 palavras 2026-02-09 13:59:06

— Xu Xing, como foi que você se meteu com esse bando de figuras de papel?
Qin Shu estava sem palavras.
Dentro dele não morava um espírito perverso?
Será que ainda tinha medo dessas figuras de papel?
— Como diabos eu vou saber? Nem cheguei perto do templo ancestral e já fui atacado por essas coisas malditas, não dá para matá-las!
Xu Xing continuava puxando Qin Shu para correr, resmungando e praguejando.
Qin Shu franziu as sobrancelhas, lembrando das palavras de Qin Nan há pouco.
Wu Xinghe também tinha ido ao templo ancestral. Essas figuras de papel, com certeza, estavam ali porque eles se aproximaram do templo e ativaram alguma regra, por isso estavam sendo perseguidos.
Virando-se, olhou para a mulher espectral que os seguia de perto — Xu Xing ficou completamente perplexo.
— Droga... desde quando apareceu mais uma mulher fantasma?
Qin Shu só ficou em silêncio. Ela não tinha estado ali o tempo todo?
Então, quando você me puxou para correr, nem notou que tinha um fantasma atrás de mim.
— Quero ir ao templo ancestral dar uma olhada — seu instinto lhe dizia que havia algum segredo terrível escondido lá.
— Agora está cheio dessas figuras de papel por toda parte, como você vai?
— Você não pode atrair todas para longe? — Qin Shu respondeu, cheia de razão.
Virou-se e deixou Xu Xing para trás, correndo na escuridão da noite.
Xu Xing ficou boquiaberto.
— Caramba, Qin Shu, nunca vi alguém tão profissional quanto você em abandonar o companheiro de equipe. Droga, de novo?
As figuras de papel, não se sabe como, apareceram atrás dele e começaram a cercá-lo.
Sem ter para onde fugir, ele escalou uma coluna.
Em um instante, as figuras de papel o rodearam, lançando-lhe sorrisos estranhos.
Faziam sons estranhos, como “huff, huff”.
Suando em bicas, ele viu cada vez mais figuras de papel se aproximando.
Olhando para o lampião vermelho pendurado ali, estendeu a mão, arrancou-o e lançou no meio das figuras de papel.
Um clarão abrupto se espalhou.
Gritos lancinantes ecoaram, arrepiando até os ossos.
Todo o corredor virou um mar de chamas num piscar de olhos.
Abraçado à coluna, Xu Xing sentiu as chamas queimando suas nádegas e, com o rosto contorcido de dor, teve de soltar uma mão para apagar o fogo em si mesmo.
Qin Shu, adentrando a escuridão, usou o brilho verde do bracelete para enxergar o caminho à frente.
A mulher espectral seguia atrás dela, flutuando lenta e silenciosamente.
Seguindo a direção por onde as figuras de papel haviam passado, Qin Shu logo encontrou o templo ancestral.
De longe, viu algumas figuras de papel rondando na entrada do templo.

Os traços dessas figuras eram assustadores, principalmente o sorriso — realmente perturbador.
Elas não saíam da porta, vigiando cada centímetro.
Pelo visto, seria preciso pensar em outro jeito de entrar no templo.
— Você viu meus sapatos?
A mulher espectral pairava atrás de Qin Shu, e ao vê-la parar, repetiu a pergunta, sem emoção.
Qin Shu já impaciente, apontou para o templo: — Seus sapatos estão lá dentro, vá procurar por eles.
A mulher olhou para Qin Shu, depois para a barreira de figuras de papel, mas não se moveu.
— Você viu meus sapatos?
— Tá bom, tá bom, eu levo você para procurar agora.
Saindo das sombras, Qin Shu avançou em direção às figuras de papel.
As figuras que vigiavam o templo logo a perceberam e investiram contra ela de modo rígido e mecânico.
De uma, passaram a duas, de duas para quatro, e assim continuavam a se multiplicar…
Qin Shu gritou: — Esquece, não dá para enfrentar!
Virou-se e fugiu o mais rápido que pôde.
Duas mãos não vencem quatro punhos.
Era impossível matar todos!
Agora entendia por que nem Xu Xing, que tinha um espírito dentro de si, podia fazer mais do que correr.
Cedo ou tarde, acabariam mortos de exaustão.
Xu Xing acabava de escorregar pelo poste, pisando nas cinzas das figuras de papel que queimara.
Viu Qin Shu correndo em sua direção, pegando-o pela mão e fugindo a toda velocidade.
— Corre!
Xu Xing ficou sem reação.
Ao se virar, percebeu — ótimo… tinha ainda mais do que antes.
— Qin Shu… isso é castigo!
Logo percebeu que, correndo ao lado deles, vinha também a mulher espectral inchada.
— Nossa, Qin Shu, você… você também provocou esse espírito?
Ele não queria correr junto de Qin Shu, mas as figuras de papel já se aproximavam, então gritou: — O lampião! Queima eles com fogo!
Qin Shu ouviu, sacou a faca de cortar ossos e, sem hesitar, atirou-a contra um dos lampiões.
O lampião caiu no chão, e as figuras de papel que as perseguiam foram novamente consumidas pelas chamas.
Qin Shu arfava, observando as figuras de papel em chamas ainda tentando persegui-los, atônita.
— Essas figuras de papel são mesmo dedicadas, nos perseguem até o fim!
— Perseguem você, não a mim — corrigiu Xu Xing, sem piedade.

Também ofegante, ele se apoiou em algo para não desabar de cansaço.
O que tocou estava molhado — ao olhar de lado, deu de cara com o rosto inchado da mulher espectral, que o fitava fixamente.
Assustado, puxou a mão de volta: — Qin Shu, por que essa coisa está sempre atrás de você?
Qin Shu, exausta, agachou-se e respondeu ofegante: — Não fui eu que fui procurar o poço no quintal? Foi aí que ela apareceu, querendo que eu achasse os sapatos dela.
Sapatos?
Xu Xing lembrou-se, naquele instante, dos sapatos bordados que Qin Shu tinha dado à sombra.
— Aqueles sapatos, você não tinha…
Ele não terminou a frase. Olhou para o céu, que começava a clarear.
Toda a antiga mansão da família Wu despertou ao som do canto do galo.
As figuras de papel, que haviam sido reduzidas a cinzas, desapareceram instantaneamente.
Até a mulher espectral sumiu sem deixar vestígio.
Era como se, naquela noite, eles tivessem participado de uma fuga desesperada das figuras de papel — mas nada daquilo tivesse de fato ocorrido.
Qin Shu olhou ao redor — tudo já voltara ao normal.
Sacudiu o pó das roupas: — Pronto, essa noite foi trabalho perdido para nós dois.
— Vamos, é melhor ir dormir um pouco.
Xu Xing suspirou, depois de correr a noite toda, estava morto de cansaço.
Qin Shu também estava exausta, ambos de cabeça baixa voltaram para o alojamento.
Nesse momento, Du Wenxing saiu, vendo os dois entrarem um após o outro em seus quartos.
Du Wenxing parou diante deles, sem dizer uma palavra, mas o olhar era inquisitivo.
Os dois, só pelo olhar, contaram tudo o que haviam passado na noite anterior.
— Não aguentamos mais, hoje você vai sozinho procurar Yan Rui e as outras — Xu Xing bocejou, não aguentava mais, só queria dormir profundamente.
Qin Shu concordou: — Du, conto com você.
Du Wenxing apenas os olhou em silêncio.
— Me chame de tio — disse Du Wenxing, de repente, olhando para Qin Shu.
— Tio, posso ir dormir agora?
Du Wenxing assentiu, vendo-a entrar no quarto.
Depois, lançou um olhar frio para a porta entreaberta do quarto ao lado de Qin Shu.
Tocou na sombra, mandando-a ficar ali, e saiu sozinho da antiga mansão Wu.
Assim que Du Wenxing partiu, Qin Zhenzhen saiu do quarto com o rosto sombrio, lançando um olhar para a porta fechada de Qin Shu.
O fantasma da mulher da noite anterior, com certeza, tinha sido Qin Shu quem deixou entrar, só para prejudicá-la.