Capítulo 101: Wu Xinghe: Qin Shu quer chamar minha atenção?

A verdadeira herdeira perdeu o controle no jogo de terror Rabanete salgado ao vapor 2569 palavras 2026-04-01 07:05:44

Qin Shu voltou, trazendo consigo um exército de figuras de papel. Atrás dela seguia uma mulher espectral.

Wu Xinghe estava tão furioso que quase cuspiu sangue, querendo fechar a porta do quarto. Mas Qin Shu, como se tivesse calculado o tempo exato, escorregou rapidamente pela fresta da porta. A mulher espectral também flutuou para dentro do quarto, passando diante dele. A porta se fechou com estrondo e, de repente, estavam todos ali: quatro pessoas e uma aparição, encarando-se em silêncio.

Do lado de fora, as figuras de papel batiam incessantemente na porta, fazendo um barulho ensurdecedor, como se a qualquer momento fossem arrombar e invadir o cômodo.

— Qin Shu, você... fez isso de propósito — murmurou Wu Xinghe entre dentes, lançando-lhe um olhar assassino.

Qin Shu, ofegante, abriu as mãos num gesto de impotência.

— Veja como você fala. Afinal, somos companheiros de missão. O destino nos reuniu aqui, deveríamos ajudar uns aos outros.

Por ora, aquelas figuras de papel não iriam embora. Ela poderia aproveitar para procurar novamente os sapatos bordados dentro do quarto.

— Qin Shu, o que você está fazendo? — perguntou Wu Xinghe, a expressão carregada, observando Qin Shu revirar tudo.

Agora ele tinha certeza: Qin Shu entrara de propósito no seu quarto. Ela vasculhava tudo como uma ladra, mexendo em tudo, menos no espelho de cobre e no vestido vermelho de noiva.

As cobertas da cama e as do armário foram deixadas em completa desordem, algumas até caíram no chão e foram pisadas.

— Não está vendo? Estou procurando algo.

— Você veio ao meu quarto procurar alguma coisa? — Wu Xinghe soltou uma série de risadas de puro escárnio.

O olhar de Qin Zhenzhen escureceu.

O que Qin Shu estava tramando?

Será que havia alguma pista secreta escondida no quarto de Wu Xinghe?

Qin Shu estava abusando demais.

Wu Xinghe cerrava os dentes com tanta força que as veias saltavam em seu rosto. Se não fosse pelas figuras de papel cercando do lado de fora, ele teria partido para cima de Qin Shu.

— Isso mesmo, vim procurar um par de sapatos bordados. Wu Xinghe, entregue logo pra mim.

Ela vasculhou cada canto do quarto, mas nem ela mesma conseguiu encontrar. Então resolveu confrontar Wu Xinghe, estendendo a mão e exigindo os sapatos.

Atrás dela, a mulher espectral deixou um brilho gélido cruzar os olhos negros, fitando Wu Xinghe friamente.

Sapatos bordados?

Ao ouvir essas palavras, o rosto de Qin Zhenzhen ficou lívido.

Qin Zhenzhen encarou fixamente Qin Shu, o coração tomado por uma tempestade de sentimentos.

Como Qin Shu sabia que ela havia colocado um par de sapatos bordados debaixo da sua cama?

Mas algo não fazia sentido: por que Qin Shu procurava os sapatos no quarto de Wu Xinghe? Eles não estavam no quarto dela?

Agora Qin Zhenzhen estava confusa. Será que os sapatos bordados tinham se movido sozinhos?

— Que sapatos bordados? Qin Shu, pare de arranjar confusão — Wu Xinghe sentia-se o mais azarado deste jogo, por ter se envolvido com Qin Shu.

Aquela mulher era claramente intencional. Chegava a suspeitar que Qin Shu fazia de tudo para chamar sua atenção.

Zhenzhen já tinha dito: na família Qin, Qin Shu sempre usava seu status de filha legítima para humilhar Zhenzhen.

Certamente, agora que viu os dois juntos, queria aproveitar a situação para se fazer notar.

Se era isso, ela subestimava Wu Xinghe.

— Qin Zhenzhen, você sabe de algo? — Qin Shu lançou-lhe um olhar, pensando que, talvez, Qin Zhenzhen tivesse levado ontem os sapatos do quarto de Wu Xinghe.

— Eu... eu não sei do que está falando. Que sapato bordado? Nunca vi isso — Qin Zhenzhen mentiu descaradamente.

Qin Shu deu de ombros, sem vontade de discutir.

A mulher espectral às suas costas era insistente demais.

— Viu meus sapatos? — a mulher espectral voltou a fitar Qin Shu com olhos gelados.

Qin Zhenzhen, ao ver a aparição insistindo nos sapatos, sentiu uma satisfação imensa.

Agora entendia por que Qin Shu estava tão desesperada: estava sendo perseguida pela mulher espectral.

Embora não soubesse como os sapatos sumiram, era grata a quem os roubara.

Agora queria ver como Qin Shu sairia viva desta missão.

— Deixe para lá, vou perguntar diretamente a um fantasma — Qin Shu desistiu de questionar Qin Zhenzhen, virou-se para o espelho de cobre e ficou ali parada, encarando o reflexo. Logo, um rosto espectral, pálido, apareceu diante dela.

A aparição, ao ver Qin Shu, recuou assustada.

Qin Shu não hesitou, agarrou a cabeça da mulher espectral e a puxou para fora.

— Não fuja. Me diga, quem pegou os sapatos debaixo da cama?

A mulher espectral choramingou, balançando a cabeça como um sino, soluçando mais do que qualquer outro fantasma.

— Não sabe? — Qin Shu estava impaciente.

Perguntou mais algumas vezes, mas a mulher seguia negando.

Sem escolha, soltou a aparição do espelho e se voltou para Wu Xinghe:

— Wu Xinghe, não foi você que escondeu os sapatos bordados?

— Que sapatos bordados? Por que haveria sapatos assim no meu quarto? — Wu Xinghe respondeu com um sorriso frio, mas seus olhos estavam cheios de malícia ao olhar para a mulher espectral atrás de Qin Shu.

Ele não era tolo: ao ver Qin Shu tão ansiosa atrás dos sapatos e a mulher espectral a perseguindo, entendeu tudo.

Qin Shu estava marcada pelo fantasma.

E, naquele jogo, quem era marcado por aquelas presenças raramente sobrevivia para sair.

Qin Shu o encarou por um instante, desconfiada.

Será que não era ele mesmo quem escondera os sapatos?

Ou será que outra pessoa os pegou?

Até agora, só vira Qin Zhenzhen e mais alguns, os outros ainda não tinha encontrado.

Segurando a faca de cortar ossos, girou-a nas mãos e se aproximou de Wu Xinghe:

— Se não entregar, vou procurar eu mesma.

— Qin Shu, o que pretende? Não faço ideia desses sapatos — Wu Xinghe recuava, furioso, o rosto aflamejado.

Aquela mulher era mesmo insuportável.

— Não foi você? Então foi você, Qin Zhenzhen? — Qin Shu voltou o olhar para Zhenzhen.

Ela empalideceu ainda mais, recuando para trás de Wu Xinghe:

— Não sei do que está falando, que sapatos bordados? Qin Shu, pare de me acusar com mentiras, você só quer se aproveitar da situação, inventando desculpas tão ridículas.

Com os olhos vermelhos, olhou para Wu Xinghe:

— Xinghe, eu já disse. Qin Shu quer que eu morra neste jogo, olhe para ela. Agora até você ela está envolvendo.

Ao lado, Gu Yufu observava silenciosa, fitando Qin Shu.

Ela realmente suspeitava que Qin Shu tivesse matado Gu Beichen, mas... Qin Shu prometera dar uma satisfação à família Gu, e agora, tendo enxergado a verdadeira face de Qin Zhenzhen, começava a duvidar das palavras dela.

Será que foi mesmo Qin Shu quem matou seu irmão?

Antes, Qin Zhenzhen sempre chorava diante dela e do irmão, dizendo que era maltratada por Qin Shu, a legítima filha do Sr. Qin.

Agora, porém, Gu Yufu começava a duvidar do caráter de Zhenzhen.

— Qin Zhenzhen, vamos deixar claro, quem colocou aqueles sapatos bordados debaixo da minha cama foi você — Qin Shu sorriu friamente — Eu teria vindo ao quarto de Wu Xinghe para quê? Está cega?

Quanto a por que viera ao quarto de Wu Xinghe procurar os sapatos, qualquer um com um pouco de inteligência já teria entendido.

— Qin Shu, não me force. Se insistir, talvez você não consiga me matar — Wu Xinghe lançou um olhar às figuras de papel do lado de fora, que batiam furiosamente na porta.

Estava tão perto da porta que, ao abri-la, as figuras invadiriam em massa, e ninguém ali escaparia.