Eu vim.

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2513 palavras 2026-02-09 14:17:29

— Por que ainda não chegou? — Ye Chen estava de vigília em cima de uma grande árvore havia quase o dia inteiro, observando o céu escurecer. Ele não estava impaciente, mas era desconfortável se mover naquele galho, e seu traseiro já doía de tanto tempo sentado.

— Já consigo sentir a presença dele — sussurrou Li Erhu, agachado entre os arbustos ao pé da árvore, enquanto passava a língua pelos lábios. O instinto do caçador alertava-o para o perigo do predador que se aproximava.

— Silêncio total, está vindo algo — murmurou Zhang Shan, que segurava uma corda com gancho, emboscado do outro lado. Ele também percebera algo.

Que sentidos aguçados!

— Erhu, ao norte — Ye Chen, observando tudo do alto, também ficou alerta com as reações dos companheiros. Subitamente, avistou um par de olhos sombrios.

Olhos de tigre, ocultos nos arbustos, espreitavam friamente em meio à vegetação. O corpo do animal permanecia imóvel; a pelagem, quase indistinguível das folhas ao redor, tornava-o invisível.

Num murmúrio quase inaudível, Li Erhu e os demais assentiram, sem fazer qualquer movimento desnecessário, mas todos já haviam percebido o grande tigre escondido ali.

As armas nas mãos mudaram sutilmente de direção, deslizando devagar, sem sequer balançar uma folha dos arbustos.

— Esse sujeito é realmente cauteloso — pensou Ye Chen, do alto, ao observar o animal magro, tão diferente daquele que um dia o devorara.

O tigre que o devorara exalava pura imponência.

Este, porém, parecia decadente, próximo ao fim da vida. Mas nos olhos deste, Ye Chen viu uma astúcia que não existia no outro.

Ye Chen nunca caçara um tigre, mas o olhar daquele animal...

Li Erhu e os outros já estavam expostos.

Ainda assim, o grande predador não parecia disposto a desistir das presas ofegantes no solo.

Ele aguardava.

Disputava paciência com Li Erhu e seus companheiros.

— Isso vai ser complicado — murmurou Ye Chen.

O que ele percebia, os experientes caçadores também já tinham notado.

— Vamos recuar! — decidiu Li Erhu, após hesitar por um instante. O grupo começou a se afastar.

Não podiam vencer o tigre num jogo de espera.

Se escurecesse totalmente, estariam em desvantagem absoluta.

Naquele momento, o tigre tornar-se-ia um assassino implacável, impossível de deter.

Enquanto a penumbra se adensava, Li Erhu cravou os dentes e decidiu bater em retirada — o plano de capturar o tigre fracassara.

Enfrentar o animal abertamente? Por mais velho e fraco que fosse, ainda era um tigre. Encarar um felino fora de uma armadilha não era coisa de caçador, mas sim de um herói lendário.

Preparavam-se para sair, desistindo da caçada — mas Ye Chen não ia embora.

— Esperem — murmurou ele, saltando da árvore.

Após um dia inteiro de trabalho em vão, era normal para um caçador, mas Ye Chen acreditava que ainda havia uma chance.

— Senhor, cuidado! — O súbito movimento de Ye Chen assustou o grupo, que correu para protegê-lo. Aquilo o expunha completamente ao olhar do tigre, e se este decidisse atacar...

O grande tigre, saindo devagar do matagal ao notar Ye Chen e as ações dos demais, aproximou-se ainda mais.

O dorso curvado, rosnando baixo, olhos cravados, ele não atacava — apenas rondava, confrontando o grupo.

De ambos os lados, os olhares se cruzavam, atentos a cada movimento. O vento agitava as folhas, mas nada parecia desviar a atenção daquele duelo silencioso.

O silêncio era quase absoluto, interrompido apenas pelo estalar ocasional de folhas sob os pés.

— Esse animal nos escolheu como alvo — murmurou Li Erhu, conhecedor dos tigres pela linhagem de sua família. O animal via todos ali, não só o veadinho caído, como presas.

— Senhor, não aja sozinho. Precisamos nos manter juntos. Tigres gostam de dispersar suas presas; se nos separarmos na fuga, ninguém sobreviverá — alertou Zhang Shan em tom sombrio. — Tigre velho é astuto. O corpo pode falhar, mas a mente só fica mais perigosa. Se não nos mexermos, ele também ficará esperando. Está aguardando o anoitecer, não está?

Os animais não são tolos.

Sabem quando caçar é mais vantajoso.

Por isso, aguardam pacientemente, esperando a melhor oportunidade, ou que a presa cometa um erro.

— Vamos recuar juntos, devagar — instruiu Li Erhu.

— E se atacássemos de uma vez? Somos cinco, talvez consigamos derrubar esse bicho magro — sugeriu um jovem caçador, ansioso por nunca ter enfrentado um tigre.

— Cala a boca — cortou Li Erhu friamente. — Não é porque tem uma faca na mão que é invencível. Podemos até matá-lo, mas ele levaria pelo menos um de nós junto. A fúria de um tigre não é brincadeira.

Apesar de seu jeito enérgico, a calma de Li Erhu transmitia segurança ao grupo.

— Eu vou. Vocês preparem os arcos e fiquem prontos para atirar — disse Ye Chen de repente.

Os outros o encararam, atônitos.

— Senhor, não é hora de brincadeira. Fique tranquilo, o tigre pode ser esperto, mas não quer largar o veadinho. Se recuarmos o suficiente, ele desiste.

— Não estou brincando. Quero mesmo enfrentar esse sujeito — Ye Chen sorriu, batendo de leve no ombro de Li Erhu. — Não estou desesperado nem inconsequente, tenho meus motivos. Se eu não aguentar, vocês me dão cobertura com os arcos.

Enquanto falava, Ye Chen sentiu a energia vital percorrer-lhe o corpo, afastou os demais com força e caminhou lentamente na direção do tigre.

— E agora, Erhu? — sussurrou Zhang Shan, sem conseguir segurar Ye Chen.

— Só nos resta observar e, se preciso, atacar juntos — respondeu Li Erhu, olhando para a própria mão. Não esperava que Ye Chen fosse tão forte; não conseguira segurá-lo. Isso lhe deu alguma tranquilidade — força é sempre um trunfo.

— Está olhando o quê? — provocou Ye Chen, avançando passo a passo. O tigre recuou dois passos, como se enfrentasse um inimigo formidável.

— Não quero nada além de testar minha força. Meio ano atrás, um dos seus me deixou completamente indefeso. Agora, com meses de treino, energia vital, força e reflexos aprimorados, quero saber até onde cheguei. Se vencer, será minha primeira grande conquista neste mundo.

Ye Chen não era obcecado pela vitória, mas também não era um derrotado resignado.

— Venha, querido! — exclamou.

Com um impulso dos pés, saltou, cerrando os punhos envoltos em energia vital e, com toda a força do corpo, desferiu um golpe direto contra o tigre.