031 Inabalável

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2508 palavras 2026-02-09 14:17:44

Agência de Escolta do Portão do Dragão.

Quando não havia pacientes no consultório, Ye Chen costumava vir aqui para praticar artes marciais com Lin Tie.

Lutar contra feras e lutar contra pessoas são dois estados completamente diferentes.

Enfrentar feras é um estímulo selvagem e feroz, sem técnica, sem golpes definidos, apenas uma luta mortal num piscar de olhos, o que serve para aprimorar a força de forma mais eficaz.

Já ao lutar contra pessoas, é possível aplicar com flexibilidade o que se aprendeu com os animais.

Caso contrário...

O físico e os hábitos de feras e humanos são totalmente distintos; se não souber empregar flexibilidade, todo o esforço pode acabar sendo em vão diante de um adversário humano.

— Irmãozinho, tua investida é realmente vigorosa, faz-me lembrar os enormes ursos das montanhas.

Enquanto trocavam golpes, Lin Tie demonstrava grande destreza; seus movimentos eram puros, ainda que faltasse aquela espontaneidade de técnicas completamente livres, cada soco e chute trazia o ímpeto e a disciplina do exército, transmitindo a Ye Chen uma sensação de vento, fogo, montanha e floresta.

Já os movimentos de Ye Chen não eram tão rígidos ou poderosos como os de Lin Tie, cheios de disciplina militar. Ele prezava pela variedade, mudava de técnica constantemente, cada articulação do corpo podia tornar-se uma arma, explodindo repentinamente, o que tornava difícil para Lin Tie defender-se.

Como agora há pouco: um giro lateral, concentrando toda a força no ombro num impacto veloz, fez Lin Tie recuar mais de dez passos. Se Ye Chen não tivesse segurado um pouco, talvez Lin Tie tivesse sido lançado pelo ar.

— Este golpe aprendi justamente observando os ursos das montanhas, mas infelizmente não tenho o físico robusto deles, por isso falta aquele ímpeto e força de um monte desabando — disse Ye Chen, um pouco desapontado. — Além disso, ainda não consegui integrar totalmente este golpe ao Punho Longo do Templo Ancestral. Fico muito preso à forma, mas fora dela, não sei como utilizar.

Balançou a cabeça, e, embora tivesse feito Lin Tie recuar, não estava satisfeito com o próprio desempenho.

— Irmãozinho, tuas palavras me deixam envergonhado — comentou Lin Tie, estalando a língua, achando que Ye Chen estava sendo modesto demais.

— É diferente — respondeu Ye Chen, sem se explicar. Naquele golpe, ele havia usado energia interna, que atuou como um acelerador, ampliando a velocidade e a potência do impacto.

Lin Tie apenas ficou em silêncio.

— Irmãozinho, vejo em ti traços de um verdadeiro mestre das artes marciais — disse Lin Tie, admirado após um momento de silêncio.

— Mestre das artes marciais?

Ao ouvir isso, Ye Chen apenas sorriu, sem responder. Tornar-se um mestre era apenas questão de tempo.

— Irmão Ye, pai, terminaram o treino?

Enquanto conversavam, o filho mais velho de Lin Tie — aquele jovem que comprara poemas de Ye Chen — veio correndo, demonstrando entusiasmo ao ver Ye Chen.

— Saudações, jovem Lin.

Ye Chen fez uma reverência formal, sorrindo educadamente para aquele jovem fervoroso.

Não sentia nem simpatia nem antipatia; para ele, era apenas uma relação comercial simples.

— Irmão Zhang, escreveu algo novo ultimamente? — perguntou o primogênito, trajando uma túnica erudita e abanando-se com um leque, curioso.

Ye Chen arqueou as sobrancelhas ao ouvir isso.

— Já usaste os quatro poemas que te vendi?

— Bem... na verdade, eu não queria, mas meu mestre insistiu, então não tive escolha — respondeu coçando a cabeça, visivelmente constrangido.

Ye Chen não sabia se ria ou chorava daquele rapaz; não era à toa que, apesar de tantos anos tentando, nunca passara nos exames. Ambicioso, mas sem talento, apenas fazia pose de intelectual, sem real conteúdo.

— Tenho mais um poema, mas só o troco por uma técnica de leveza. E será o último, então o preço será mais alto.

Após pensar um pouco, Ye Chen disse isso de repente.

Nesses dias de treino, percebeu que tinha uma deficiência: não sabia usar técnicas de leveza.

Embora pudesse aliviar o peso do corpo canalizando energia interna pelos pés, isso era diferente de dominar uma verdadeira técnica de leveza.

Se soubesse, poderia se mover com facilidade entre as montanhas, colher ervas em penhascos, viajar rapidamente — tudo se tornaria muito mais fácil.

— Preciso de um manual de técnica de leveza.

Sem rodeios, Ye Chen disse diretamente a Lin Tie.

— Técnica de leveza?

Lin Tie ficou um pouco embaraçado ao ouvir isso; ele próprio não sabia nenhuma, e, pelo que lembrava, ninguém de seu círculo dominava tal técnica.

Mas...

Ao encontrar o olhar expectante do filho, Lin Tie não teve coragem de recusar.

— Irmãozinho, não poderias aceitar outra coisa em troca?

Ye Chen balançou a cabeça sorrindo.

— Não é ganância; é que realmente este é o último poema, e ainda por cima, de altíssima qualidade. Portanto, é normal que seja mais caro.

— Mas, se conseguires outro manual valioso, não me oponho. Quanto a ouro ou prata, dispenso.

Lin Tie suspirou.

— Irmãozinho, poderias me dar alguns dias para resolver isso?

— É claro, não tenho pressa — respondeu Ye Chen, sorrindo. — Além disso, esse poema só venderia mesmo para o jovem senhor; duvido que outro se interesse.

— Muito obrigado, irmãozinho.

Ainda que Ye Chen dissesse não ter pressa, Lin Tie sabia que um bom texto sempre teria utilidade. Ficou-lhe grato por guardar aquele poema.

— Posso ao menos dizer o início do poema ao jovem senhor Lin, para que possam apreciar e decidir se vale a pena.

— As águas do Yangtzé correm incessantemente para o leste, as ondas lavam todos os heróis.

A frase foi dita, e Ye Chen parou abruptamente.

— Lin, despeço-me por agora.

Fez uma reverência e partiu.

— Isso...

Com Ye Chen já distante, o jovem Lin sentia como se gatos arranhassem-lhe o coração de curiosidade.

Quis chamá-lo de volta, mas...

— A primeira frase é boa? — perguntou Lin Tie, observando o filho.

— A abertura é grandiosa; não se pode dizer que é excelente, mas é extremamente atraente — respondeu o jovem Lin. — O tom é amplo. Se o resto mantiver o nível, será realmente ótimo.

Lin Tie não insistiu; mesmo que perguntasse, não entenderia. Olhou para o filho e perguntou de repente:

— Os quatro poemas anteriores te ajudaram?

— Ajudaram muito! Chamaram a atenção do mestre, que inclusive os mostrou ao diretor da escola. Ele ficou interessado e quer me conhecer pessoalmente — respondeu o jovem Lin, radiante. — Por isso queria ter mais um poema para recitar diante dele; isso traria grande benefício.

Lin Tie assentiu, pensativo.

— Quando vais encontrar o diretor?

— Ele ainda está no sul; deve demorar uns dois meses para voltar — respondeu o jovem Lin, mas hesitou, lançando um olhar ao pai.

Apesar de alheio aos assuntos externos, tinha alguma noção da situação familiar e sabia que provavelmente não possuíam nenhum manual de técnica de leveza.

— Ainda bem, há tempo — suspirou Lin Tie aliviado. — Filho, preciso ir até a capital.

— Quando servi no exército lá, fiz alguns amigos. Com um pouco de ousadia, acredito que consiga um manual desses.

Bateu no ombro do filho e sorriu:

— Fica tranquilo, vou conseguir esse poema para ti.