029 Forçando a Situação

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2528 palavras 2026-02-09 14:17:42

Auuuu~~~

A luta se estendeu desde o amanhecer até o meio-dia, quando o enorme urso soltou um urro e virou-se para fugir. Não havia outra escolha; suas forças estavam no limite. Como fera selvagem da floresta, sabia que provavelmente não era páreo para o adversário à sua frente e, se não escapasse depressa, o desfecho seria fatal.

— Já que nos encontramos, isso é destino. Não vá embora. Por coincidência, nunca provei pata de urso.

Com uma risada leve, Ye Chen liberou toda a sua força, fincou os pés no solo coberto de folhas secas, formando uma pequena cova, e lançou-se como uma flecha recém-disparada diretamente nas costas do urso.

Impacto!

O punho cerrado, com o dedo médio projetado, avançou como um dragão, atravessando pele e gordura espessas, cravando-se no ponto fatal das costas do animal.

Rugido furioso.

E então, com um estrondo, o urso tombou pesadamente ao chão, exalando desespero em seu último bramido.

— Que criatura resistente! Estou exausto — disse Ye Chen, suando em bica, sentando-se ao lado do urso caído.

Diante daquela cena, Wang Hu e os outros não sabiam o que dizer.

Zhang Shan aproximou-se, examinou o corpo e constatou que o urso estava realmente morto.

— Senhor, o senhor é extraordinário — Wang Hu expressou, em nome do grupo, a mais sincera admiração.

Todos haviam presenciado a cena do início ao fim: apenas com socos e pontapés, Ye Chen abateu o urso selvagem.

— Isso não é nada demais. Minha força, comparada à desse urso, ainda é inferior. Hoje, só consegui vencê-lo desgastando até o fim — Ye Chen refletiu. Mesmo auxiliado pela energia vital, seus punhos não eram mais fortes que a força bruta do animal.

É claro, isso se devia em parte ao modo como utilizava a energia. A técnica de punho longo do Grande Ancestral não possuía métodos específicos de manipulação de energia; ele apenas revestia o punho, o que limitava o aumento de poder. Se pudesse fazê-la fluir pelo corpo sem obstruções, sua força certamente duplicaria, igualando-se à do urso.

— Senhor, se isso não é ser forte, então nós não somos nada — Zhang Shan comentou, sorrindo. — Se o senhor não é incrível, o que dizer de nós? Seríamos como crianças.

— Haha... Diante do senhor, somos mesmo como crianças — riram os demais.

Com as palavras de Zhang Shan, todos caíram na gargalhada.

— De qualquer forma, senhor, o senhor fez um excelente negócio. Este urso vale uma fortuna — Wang Hu olhou para o animal, do tamanho de um pequeno monte, com certa inveja.

Entre caçadores, é tradição dividir a presa quando se sai em grupo. Mas como o urso fora abatido por Ye Chen sozinho, ninguém se sentia à vontade para reclamar parte.

— Quem viu, participa. A carne será dividida entre todos — disse Ye Chen, sorrindo. — Vamos levar o urso de volta e repartir.

— Hehe... Em todos esses anos, nunca foi tão fácil — disseram, enquanto juntos erguiam o imenso animal. O peso esmagava os ombros, mas ninguém se importava.

Pelo contrário, estavam todos radiantes.

Tinham entrado e saído da floresta rapidamente e tinham um prêmio tão grande sem quase esforço. Como não estariam felizes?

— O que é isso... Pai, vocês caçaram um urso? — Ao ver o animal na volta à aldeia, Wang Lin ficou boquiaberto. — Agora entendo por que não quis que eu fosse junto. Caçaram um urso às escondidas... Pai, vocês estão bem?

Desta vez, Wang Lin, já casado, não olhou apenas para a caça; preocupou-se com todos. Tornara-se verdadeiramente maduro, entendendo o que realmente importava.

— Hehe... Deveria perguntar ao seu mestre. Foi ele quem matou o urso sozinho — Wang Hu riu, dando tapinhas no ombro do filho. — Chame o velho Zhao. Só ele sabe tirar o couro de urso.

— Podem continuar, eu vou indo — Ye Chen disse.

— Irmão Hu, divida a carne do urso entre todos. O couro, patas, fel e outros, venderemos na cidade e conseguiremos um bom dinheiro. Assim, a vida será mais fácil.

Após uma luta intensa, Ye Chen sentia-se cheio de reflexões e queria retornar para treinar.

— Senhor, esta presa é sua. Já ficaremos felizes com alguns quilos de carne. Mais que isso, não seria justo — Wang Hu recusou, e os outros também, mostrando respeito. Ninguém queria se aproveitar.

— Vocês não querem que eu seja o chefe da aldeia? Por que, se não for, não vão mais me obedecer? — Ye Chen sorriu. — Chega de bobagem. Se toda a aldeia prosperar, minha vida será melhor. Se só eu estiver bem, que dignidade terei para viver aqui?

E, sem mais delongas, Ye Chen seguiu sozinho em direção ao seu pátio.

Ao chegar, sem dizer uma palavra, entrou direto no bosque de estacas de madeira para treino.

Aproveitando o estado de corpo e mente do combate recém-vivido, começou a praticar, fazendo fluir a memória muscular de cada golpe e movimento.

Seus punhos cortavam o vento, olhos cerrados, indiferente ao que estava à frente. Golpe após golpe, seu corpo encontrava e colidia com as estacas, os passos desorientados, mas em meio ao caos buscava equilíbrio, liberando a força.

Como numa luta real, onde imprevistos acontecem, não se pode exigir que tudo siga o plano; é preciso manter-se constante na mudança, garantir que o soco seja sempre firme, não importa tempo, lugar ou situação.

Do lado de fora, Wang Hu e os demais trabalhavam animados em esfolar e limpar o urso, enquanto Ye Chen, entre as estacas, deixava marcas de sua persistência.

Atordoado, corpo coberto de hematomas, saiu do bosque sentindo dor em cada parte do corpo, sem um centímetro de pele ileso.

— Senhor, tome um chá — disse Mi Xue, alta, de pele clara, trazendo uma caneca de chá rústico ao mestre caído no chão, o rosto tomado de preocupação. — Não dói treinar assim?

— Dói, mas é uma dor prazerosa — Ye Chen respondeu, ofegante, sentando-se e sorrindo. — Treinar nunca é fácil. É preciso passar por isso, assim como você estudando medicina. Já decorou aquele enorme livro de ervas?

Mi Xue quis aprender medicina, e Ye Chen não viu motivo para recusar. Deu-lhe logo um tratado de plantas medicinais para decorar antes de tudo. Assim, ela passava os dias estudando em sua casa, e em poucos dias já quase embranquecia de preocupação diante de tanto conteúdo árduo.

O problema era não compreender de verdade, faltando exemplos práticos e explicações. Decorar por decorar era realmente penoso.

Mas...

Aprender é assim mesmo.

Às vezes, é preciso insistir.