028 Estado
Rugidos ecoaram pela floresta, o urso colossal e o corpo frágil de Ye Chen se entrelaçavam numa batalha desigual. A diferença de tamanho era gritante, mas, por mais que o urso empregasse toda sua força, não conseguia atingir Ye Chen de verdade. O animal estava tomado por uma fúria misturada à vergonha. Como soberano daquela mata, nunca fora tratado assim; sentia-se insultado, seu rugido transformando-se em uma nota estranha de raiva.
— Grandalhão, a raiva não vai te ajudar em nada — disse Ye Chen.
Enquanto o urso atacava com crescente desespero e desordem, Ye Chen movia-se com cada vez mais destreza, como se dançasse sob o ritmo da luta. Em combate, quanto mais tempo se permanece firme e com energia, mais se domina o fluxo da batalha.
O urso, incapaz de compreender as palavras humanas, captava o desafio e a provocação. Rugindo, despejou toda a sua cólera, abandonando as garras e os dentes, lançando-se numa investida furiosa como uma montanha em movimento. Apesar de sua robustez, sua velocidade era impressionante.
Ye Chen, acostumado a tal velocidade, confiava em sua habilidade de esquivar-se, movendo-se com passos ágeis. Contudo, quando pensava estar fora de perigo, o urso mudou de tática: saltou levemente à frente, girando o corpo e apresentando o ombro para Ye Chen. O súbito impulso, quase um salto, acelerou o animal no instante em que estavam prestes a colidir.
Ye Chen percebeu que não conseguiria escapar.
O urso, por sua vez, sentiu que finalmente poderia acertar Ye Chen. A curta distância, Ye Chen viu o brilho de satisfação nos olhos ensanguentados do animal.
Um impacto estrondoso lançou Ye Chen contra uma árvore a vários metros de distância. A árvore tremeu com a força do choque, enquanto o urso não dava trégua. Aproveitando-se da dor e da fratura nos ossos de Ye Chen, o animal investiu novamente com a mesma técnica.
O estrondo fez homem e árvore caírem juntos ao chão.
— Senhor! —
Ao ver as patas do urso aproximarem-se de Ye Chen caído, Wang Hu e os outros exclamaram aflitos, apressando-se a armar os arcos e soltar as flechas, liberando também os cães de caça. Sete cães lançaram-se sobre o urso, com o grande cão de Ye Chen à frente. Apesar do medo, o animal não hesitou em proteger seu dono.
Flechas cortaram o ar, atingindo com precisão o urso, mas sua pele espessa não permitia danos reais. Os cães atacaram ferozmente, mas o urso, com um golpe, lançou um deles longe; não foi necessário um segundo golpe para acabar com o fiel guardião.
O animal continuou a golpear os cães que mordiam sua pelagem. A diferença de força era evidente: os cães conseguiam provocar ferimentos superficiais, nada mortal, enquanto o urso, mesmo em um golpe de raspão, causava danos graves. Um golpe certeiro seria fatal.
Diante da ameaça ao grande cão, Ye Chen finalmente recuperou-se do choque das investidas, completando o ciclo de morte e renascimento, e num salto vigoroso, cruzou os braços para bloquear a pata do urso.
— Vá para o lado, Dahuang — ordenou Ye Chen.
— Wang Hu, vocês devem partir. Não se preocupem, estou bem. Se ficarem, terei que cuidar de vocês também.
— Mas, senhor... deixar você sozinho aqui é perigoso demais — protestou Wang Hu.
Ye Chen se arrependeu por não ter vindo sozinho, mas logo pensou que, apesar de sua resistência, atravessar aquela floresta solitário era inquietante. Por isso, preferia estar acompanhado.
— Talvez eu seja um pouco covarde — riu para si mesmo, voltando-se para Wang Hu e os demais. — Se não vão embora, assistam de perto. Hoje, vou dominar este grandalhão.
Firmando as pernas, ajustando a postura, Ye Chen explodiu numa força colossal, bloqueando a pata do urso e fazendo-o recuar um passo.
Durante todo o combate, Ye Chen não lutava apenas por lutar; cada confronto era um treino de suas próprias técnicas e força. Desta vez, não se tratava de um único golpe, mas de um fluxo contínuo: a força partia das pernas, girava pelo abdômen, estendia-se pelas costas e explodia nos braços. Quando liberada, era um prazer intenso, como beber uma coca-cola gelada no verão: refrescante.
O urso, ao ser obrigado a recuar, não atacou imediatamente. Os olhos negros fixaram Ye Chen, sem entender como aquele verme, que parecia à beira da morte, ainda conseguia se mover.
E mais: o último golpe fora potente!
O urso, nunca tendo experimentado tal situação, duvidava de sua própria existência.
— Haha... é isso que eu queria sentir! —
Renascido, Ye Chen sentia-se leve, toda a sensação da luta explodindo de uma vez, como se estivesse possuído por um sábio. Rindo alto, lançou-se de novo ao ataque.
O urso, apesar de intrigado, não temia aquele pequeno ser; se o derrubara uma vez, podia fazê-lo de novo. Rugiu em resposta.
— Sempre quis te dizer: você precisa escovar os dentes, seu hálito é terrível — disse Ye Chen, franzindo o rosto diante do cheiro insuportável, enquanto desferia um soco.
Pata e punho se encontraram num choque surdo, a força do urso fez Ye Chen sentir dor nas mãos, recuando vários passos. Mas, desta vez, o urso também foi empurrado para trás.
A força, como um vento que começa leve e se torna um furacão, expandia-se do corpo de Ye Chen até explodir nos punhos, com um efeito devastador. Era muito superior à dispersão anterior.
— Vamos continuar! —
Empolgado, Ye Chen avançou novamente. Agora, não havia mais evasivas: homem e urso engajavam-se numa luta direta.
— Como o senhor ficou tão forte de repente? — Wang Hu e os outros, à distância, olhavam com espanto, incapazes de acreditar no que viam.
Nunca imaginaram que a força de um homem pudesse rivalizar com a de um urso.
— Eu... como poderia saber? — Wang Hu, atônito, murmurou: — Talvez... isso seja o poder das artes marciais! —