Método Singular de Cultivo

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2512 palavras 2026-02-09 14:17:35

Aldeia do Pé da Montanha, encostada nas serranias, com cumes se sucedendo, um junto ao outro.

Ao norte, perto da aldeia, havia um morro baixo de relevo suave, poucas árvores, raros animais selvagens, clareiras e um poço profundo de água, ideal para transformar em terraços agrícolas.

— Senhor, diga-nos como proceder, seguiremos suas ordens.

Na clareira à meia encosta, junto ao poço, Wang Hu e outros seguravam ferramentas, aguardando que Ye Chen desse instruções.

Eles não tinham experiência em criar terraços, mas confiavam em Ye Chen.

Observando o entorno, Ye Chen já tinha tudo planejado em sua mente. Uma vez decidido a fazer terraços, é claro que antes fizera uma inspeção.

Com a pá, traçou uma linha a partir do ponto mais baixo do terreno do poço, estendendo-se por dezenas de metros, até onde a inclinação se tornava mais acentuada.

— Hoje vamos cavar este canal, três pés de largura, um de profundidade por ora. Vamos tentar desviar a água do poço para cá. Em seguida, ao redor da borda deste declive, construiremos a muralha do terraço. O espaço dentro da muralha será o nosso campo em terraço.

— Quando a muralha estiver pronta, soltaremos água pelo canal, ajustando sua largura, profundidade e inclinação conforme a necessidade. O principal é garantir que a água cubra toda a terra, e então deixamos repousar por alguns dias para testar a resistência da muralha. Se houver algum ponto com vazamento ou desmoronamento, consertemos logo. Se não conseguirmos reter a água, o terraço será motivo de chacota.

— Por fim, quando tudo estiver em ordem, fechamos a água, aramos e nivelamos o chão. Só depois disso é que tentaremos plantar.

Ye Chen explicou o planejamento geral e depois passou à divisão de tarefas.

— Wang Lin, leve seus colegas para recolher pedras do terreno. Empilhem-nas ali naquela parte inclinada. Quando o canal estiver pronto, as pedras servirão para construir a muralha. Tire tudo agora, isso facilitará na hora de nivelar o campo.

— Wang Hu, lidere os demais na escavação do canal.

Com tarefas claras, bastou uma ordem para todos iniciarem o trabalho em conjunto.

O que os unia era a esperança no coração.

A aldeia do Pé da Montanha era um povoado de caçadores. O ofício passava de geração em geração. Todos estavam acostumados à vida de caçador, mas costume não é o mesmo que gosto. Como jovens que sucedem os pais numa fábrica, sempre ansiavam por algo além.

O perigo espreitava na floresta: mordidas de serpentes, perseguições de javalis, ser visado por tigres... Nem sempre se voltava com algo da mata, e nem toda caçada era um êxito como a última de Ye Chen. Muitas vezes, voltava-se de mãos vazias.

Esse modo de vida era arriscado e instável. No fundo, os habitantes do Pé da Montanha desejavam outra realidade, mas nada sabiam além da caça.

Agora, com Ye Chen propondo os terraços...

Poder plantar e comer do próprio campo era um sonho genuíno.

Eram poucos, portanto o ritmo não era rápido.

Mas, unindo forças e entusiasmo, a eficiência não deixava nada a desejar.

Saíam pela manhã e voltavam ao entardecer.

Ao regressar, o canal já estava pronto, inclusive ajustado conforme o fluxo de água do poço. Agora só faltava concluir a muralha para fazer o teste.

Ainda não tinham começado a muralha, mas, terminado o canal, Wang Hu e os outros ajudaram na retirada das pedras. Ao redor da borda do futuro terraço, já se empilhavam fileiras de pedras de vários tamanhos. A matéria-prima estava quase toda pronta.

— Amanhã começamos a muralha, depois de amanhã nivelamos a terra, em poucos dias já vamos plantar... — No caminho de volta, Li Erhu contava nos dedos, sonhador.

— Não se iluda tanto —, Ye Chen lançou um olhar ao otimista e o advertiu: — O que fizemos hoje é o básico, nada demais. O mais difícil é a muralha. Ela costuma vazar, é complicada.

Ye Chen se lembrava de um camponês que conhecera em viagem, sempre reclamando dos vazamentos na muralha do terraço. Todo ano vazava, todo ano tapava, sempre havia problemas.

— Com o senhor aqui, tudo vai dar certo —, Li Erhu sorriu confiante, demonstrando confiança absoluta em Ye Chen.

Ye Chen apenas sacudiu a cabeça e não insistiu.

— Chega, todos trabalharam duro hoje. Vão descansar. Amanhã tem mais.

Chegando à aldeia, cada um retornou à sua casa; Ye Chen despediu-se do grupo.

— Senhor, e o nosso próprio campo? — Wang Lin se aproximou de Ye Chen, perguntando.

Pela manhã, tinham falado em construir seus próprios terraços, mas depois de um dia de trabalho, os jovens sentiram que só estavam ajudando a família.

O desejo do adolescente era ter seu próprio espaço, seu próprio campo, onde pudesse mostrar o fruto de seu esforço. Assim pensavam muitos jovens da aldeia: provar aos pais que cresceram, que já são adultos, capazes de ajudar em casa e sobreviver por conta própria.

Por isso ficaram animados ao ouvir de Ye Chen que teriam seus próprios campos. Agora, contudo...

— Não tenha pressa —, Ye Chen deu-lhe um tapa na cabeça. — Está quase casando, precisa aprender a ter paciência. Vocês terão seus próprios campos, é uma avaliação minha para vocês. Mas antes precisam aprender a preparar a terra.

— Observem com atenção, aprendam direito. Não quero ver ninguém pedindo ajuda aos pais na hora de fazer o próprio campo.

— Eu vou conseguir fazer meu terraço sozinho! — Wang Lin bateu no peito, garantindo.

— Se não conseguir, te jogo na mata pra servir de alimento aos tigres! — Ye Chen fez pouco caso, virou-se e foi embora.

Em casa, esquentou um pouco da carne assada que sobrara do café da manhã e começou a aquecer areia de ferro para continuar treinando a palma de ferro.

Normalmente, quem pratica tal técnica precisa respeitar os limites do corpo e do tempo de recuperação. Treinar três vezes em três dias já é muito. Mas Ye Chen tinha a vantagem de poder morrer e voltar, renovando todos os estados negativos, e assim podia repetir o processo indefinidamente.

Os efeitos negativos eram eliminados, mas o progresso de cada sessão permanecia. Talvez pouco a pouco, mas, somando tudo...

O resultado seria surpreendente!

Essa forma "às avessas" de treinar foi algo que Ye Chen percebeu de repente.

No período em que treinava o Punho do Patriarca com Lin Tie, fazia isso dia e noite até a exaustão mental e física, então se matava para "atualizar" o corpo e começava de novo.

Isso abriu-lhe as portas para um novo mundo.

O Punho do Patriarca, em dez dias, já praticava com grande habilidade. O cultivo da energia vital, que normalmente permitia dar quatro voltas por dia, agora, com a renovação constante, podia atingir quatrocentas voltas diárias.

Era algo já testado e comprovado.

Entretanto...

Ye Chen não abusou desse método.

Sendo imortal, tempo não lhe faltava, para que a pressa?

Além disso, não tinha gosto por automutilação. Embora o suicídio renovasse o corpo, insistir nisso acabava esgotando a mente.

E esse cansaço era realmente pesado!

Por isso, ao treinar a palma de ferro, fazia apenas uma sessão de manhã e outra à noite, nada mais.

O mesmo se aplicava ao cultivo da energia vital.