008 Copie cem vezes
A pequena quantidade de energia vital que acabara de cultivar desapareceu rapidamente após um leve uso. Realmente... tão curta! Mas, ao menos, era poderosa!
— Mestre, quando foi que o senhor ficou tão bom com arco e flecha? Ontem parecia que ainda não era tão habilidoso assim — perguntou Wang Hu, aproximando-se de Ye Chen com curiosidade evidente no rosto.
— A prática leva à perfeição — Ye Chen respondeu com um sorriso suave. — Continuem aí, vou voltar para casa.
Com a energia vital esgotada, Ye Chen precisava retornar e recuperar suas forças. Deu meia-volta e, após poucos passos, virou-se abruptamente:
— Er Hu, quando forem caçar o tigre na montanha, me chamem.
Agora que pensava sobre isso, ainda tinha uma dívida de sangue com aquele tigre da montanha. Embora se considerasse magnânimo e não desse muita importância, ainda precisava acertar as contas.
— Pode deixar! — respondeu Li Erhu em alto e bom som.
Ao ver Li Erhu aceitar prontamente, Wang Hu lançou-lhe um olhar de desaprovação. Como poderiam deixar o mestre se arriscar em algo tão perigoso? Todos já tinham experiência em caçar tigres, e justamente por isso sabiam bem do perigo e ferocidade desses animais.
— Não se preocupe, irmão Hu. Agora, já consigo me proteger bem na montanha — Ye Chen sorriu ao notar o olhar de Wang Hu, e então se despediu.
De volta ao quarto, sentou-se de pernas cruzadas sobre o kang, ativou sua técnica e logo a energia vital consumida começou a se restaurar.
Restaurar energia vital era diferente de cultivá-la; não exigia o processo de refinar a essência em energia. No cultivo, plantar sementes de energia vital no dantian era como criar uma floresta: cada semente absorvia energia do corpo e crescia aos poucos até formar uma densa mata. Usar a energia vital era como cortar árvores — desde que as raízes permanecessem, elas absorveriam novamente os nutrientes da terra e voltariam a crescer.
Assim, guiando a técnica com a mente, mesmo sem a energia vital percorrendo os meridianos, o poder da semente no dantian fazia a energia do corpo infiltrar-se lentamente nos canais, reunindo-se como riachos que formam um rio, fluindo de volta ao dantian e nutrindo a semente, que rapidamente brotava e crescia.
Depois de cerca de uma hora, a energia vital estava totalmente restaurada. Soltando um longo suspiro, Ye Chen desceu do kang, olhou o céu do entardecer e foi preparar sua refeição.
Os dias seguiam assim, um após o outro, até que, quando menos esperava, já havia passado um mês.
O inverno ainda não tinha partido por completo, mas as crianças já estavam de volta às aulas.
— Bom dia, mestre.
Na sala de aula, dez alunos ocupavam três filas. A aldeia de Kao Shan era pobre, mas ao menos havia um carpinteiro, então não faltavam mesas e cadeiras. Cada criança sentava-se diante de um tabuleiro de areia, que substituía o papel, enquanto seguravam bastões de madeira no lugar de pincel e tinta. Não havia outro jeito: mesmo na dinastia Song, papel e tinta ainda eram caros, e certamente fora do alcance da aldeia.
Diante dos dez pequenos, alinhados do mais baixo ao mais alto, Ye Chen acenou com a mão e sorriu:
— Sentem-se todos!
— Na primeira aula deste novo semestre, não vamos aprender nada novo. Primeiro, quero testar se vocês se lembram do que aprenderam no semestre passado.
— Primeiramente, ditado de caracteres.
— Vou ler, e vocês escrevem no tabuleiro de areia.
— Vamos começar: Zhao, Qian, Sun, Li...
Não era uma amostra aleatória; Ye Chen ensinara oitocentos e sessenta e três caracteres no semestre anterior e pretendia ditar todos naquela manhã. Claro, o espaço no tabuleiro era limitado, então seria preciso vários ditados para cobrir todos os caracteres.
Cada criança tinha sua própria mesa, separada por um metro das demais. Atentos, ouviam Ye Chen pronunciar cada caractere e escreviam cuidadosamente no tabuleiro. Quanto a espiar as respostas dos colegas... ainda não eram tão espertos.
A manhã passou assim.
— Um elogio especial para Zhang Yuan. Entre vocês dez, só a pequena Yuan conseguiu escrever corretamente todos os caracteres — Ye Chen afagou a cabeça da menina de dez anos, vestida com um vestido cinzento e surrado, mas de rosto limpo e bochechas arredondadas. Ao ouvir o elogio, ela abriu um largo sorriso, radiante diante dos colegas.
Os filhos dos camponeses, sejam meninos ou meninas, eram todos resistentes e não tinham a timidez das filhas das famílias abastadas.
— Aos demais, cada caractere errado deve ser copiado cem vezes em casa. Amanhã, revisarei tudo novamente. Se ainda errarem, não reclamem se eu os punir!
Ye Chen brandiu a régua de bambu, pois, nesta época, castigos físicos eram normais.
— Pronto, hora do almoço. Vão para casa comer, e à tarde continuamos com matemática.
Acenando, dispensa as crianças.
Com a sala vazia, Ye Chen tirou a carne assada preparada pela manhã para almoçar. A escola ficava ao lado de sua casa, o que facilitava cozinhar, mas como homem, cozinhar todas as refeições o incomodava, então costumava preparar o almoço junto com o café da manhã.
Os ingredientes vinham dos moradores, como pagamento pelas aulas das crianças.
Ye Chen não era exigente com comida e logo terminou a carne. Sentou-se na cadeira, fechou os olhos e começou a circular a energia vital. Ainda não tinha completado as quatro voltas diárias.
A técnica da Primavera Eterna era simples e não permitia a circulação automática da energia; era necessário fazê-lo de forma consciente. Pela manhã, aproveitava o vigor do corpo para refinar a essência em energia e plantar mais sementes no dantian. No tempo livre, circulava a energia vital.
Ye Chen não treinava longos períodos de uma só vez; fazia do cultivo parte da rotina, como as refeições.
O processo de circulação foi rápido. Após quatro voltas, sentiu ainda um leve desconforto no corpo, mas já era suportável. Era claro que, após um mês de treino, a energia já causava efeitos positivos nos meridianos, que agora estavam mais adaptados.
— Melhor ir com calma, não adianta apressar — sentindo o leve incômodo, Ye Chen desistiu da quinta volta. A energia vital retornou ao dantian, e a sensação estranha desapareceu.
Logo depois, as crianças voltaram para a aula.
— Agora vou passar exercícios para vocês resolverem.
Com um graveto chamuscado, Ye Chen escreveu na casca de uma árvore uma série de cálculos de matemática básica — de 1+1 às propriedades da multiplicação, preenchendo toda a superfície com operações em números arábicos.
— Pronto, podem começar. Sem conversar, cada um resolve o seu.
Deixando o graveto de lado, Ye Chen pegou a régua e passou a circular entre as crianças, observando-as resolver os problemas — ora franzindo a testa, ora relaxando. A régua subia e descia em sua mão, ameaçadora.
— Mais uma vez, parabéns para a pequena Yuan, que foi a única a acertar tudo. — Após corrigir os exercícios, Ye Chen comentou calmamente: — Os outros, Li Sanhu e Wang Lin foram bem, só erraram uma questão por descuido. Os demais... fiquem de pé e recitem a tabuada!