003 Chegada à Cidade do Condado
Quando chegaram era verão, e num piscar de olhos, já era inverno.
A casa de Yecheng e a pequena escola das crianças já estavam prontas há algum tempo.
Com a aproximação do fim de ano, numa dessas manhãs, caiu uma forte neve.
Yecheng deu férias de inverno às crianças e, junto com Wang Hu e outros, levou uma grande quantidade de peles para o condado de Pedra, a fim de trocar por roupas novas para o ano novo, mantimentos e algumas guloseimas que as crianças gostavam de comer.
— Nosso vilarejo poderia cultivar alguns campos. Não podemos depender apenas da caça; desse jeito, os rendimentos anuais são muito instáveis e, além disso, é perigoso demais.
Depois de meio ano no vilarejo ao pé da montanha, Yecheng acompanhou Wang Meng e outros em várias caçadas, conhecendo de perto as dificuldades dessa vida.
— Não é tão fácil assim — disse Wang Hu, balançando a cabeça e suspirando. — Nosso vilarejo fica encostado na floresta da montanha, não temos terras adequadas para cultivar, e todos são caçadores há gerações, não sabem plantar.
— O vilarejo ao pé da montanha é cercado por montanhas em dois lados. Ao norte, a floresta é mais rala, o terreno é suave e o solo razoável. E ainda tem um grande lago, com água abundante, dá para cultivar lá, fazer um terraço de plantio — sugeriu Yecheng.
— Terraço de plantio? Mas não sabemos como fazer isso! — Wang Hu, de repente esperançoso, olhou para Yecheng. — Professor, o senhor poderia nos ensinar?
— Na primavera do próximo ano, poderemos tentar — concordou Yecheng, já integrado ao vilarejo, torcendo para que a vida ali melhorasse. Afinal, eram vizinhos, e ver todos vivendo com dificuldade não lhe agradava.
Mas ele mesmo nunca teve experiência real em cultivar terraços; seu conhecimento vinha de textos da internet e conversas com locais durante viagens.
— Hehe... Nosso vilarejo terá seu próprio alimento!
Wang Hu confiava totalmente em Yecheng, já imaginando o vilarejo autossuficiente e livre da necessidade de ir ao condado todo mês trocar produtos.
— Não sonhe tão alto, não sabemos se vai dar certo — Yecheng sorriu, alertando Wang Hu a não ser tão otimista. Mas, pelo jeito, Wang Hu não prestou atenção.
— Confiamos no senhor, professor. Nada do que o senhor diz é impossível — comentou Li Erhu, o melhor arqueiro do vilarejo, com um sorriso carregado de confiança.
Em mais de seis meses, Yecheng ajudou muito o vilarejo com seus conhecimentos modernos, criando um respeito e dependência crescentes entre todos.
Assim, mesmo sendo apenas uma sugestão, todos confiavam nele sem reservas.
Caminharam desde o amanhecer até o entardecer, e finalmente, os cinco chegaram ao condado de Pedra.
Condado de Pedra, vilarejo ao pé da montanha, situados no noroeste, vizinhos das grandes montanhas, eram muito isolados; cada ida ao condado era uma longa jornada.
— Vocês vão trocar as peles, eu vou ao consultório procurar o velho Wang — disse Yecheng ao entrar na cidade, separando-se de Wang Hu e dos outros.
— Professor, tome cuidado. Quando terminarmos, vamos ao consultório encontrar o senhor. Se aquele velho não concordar, voltamos ao vilarejo e pensamos em outro jeito — respondeu Wang Hu, acenando.
— Desta vez ele vai concordar — Yecheng sorriu, despedindo-se.
O condado era pequeno, duas ruas cruzadas formando o centro. O local de troca de peles e o consultório ficavam em cantos opostos.
No canto nordeste, um cômodo pequeno ostentava a placa "Consultório da família Wang". Havia poucas pessoas dentro; ao entrar, o cheiro de ervas medicinais, misturadas, era perceptível.
Diante de uma fileira de gavetas de remédios, o velho Wang, de cabelos brancos, estava separando ervas para um cliente.
Yecheng aguardou silenciosamente ao lado.
O velho Wang apenas olhou para ele e continuou seu trabalho.
Quando terminou, e o consultório ficou vazio, o velho Wang se aproximou de Yecheng.
— Você de novo?
— Como já disse, sem aquilo que desejo, não vou lhe ensinar — respondeu o velho Wang.
— Veja se isto lhe agrada — Yecheng sorriu levemente, tirando do bolso um pequeno objeto envolto em pano vermelho, colocando-o diante do velho Wang.
Ao ver o pano vermelho, o velho Wang, de rosto magro e austero, ficou visivelmente tocado. Com cuidado, abriu o pano e encontrou um ginseng de montanha, de vinte anos, do tamanho de um dedo.
— Pelo menos vinte anos... Não achei que você conseguiria mesmo!
O velho Wang olhou para o ginseng como quem vê um tesouro.
— Trouxe o que me pediu, agora pode cumprir o prometido? — Yecheng não gostava do velho, mas era o único que podia ajudá-lo.
Com um sorriso formal, manteve-se educado.
— Claro, mas como disse, vou ensinar apenas o básico: meridianos, pontos de acupuntura e algumas ervas; o resto não vou ensinar.
— E o tempo é de apenas um mês; o quanto conseguir aprender depende de você — concluiu o velho Wang.
Era exatamente o que Yecheng buscava: aprender sobre meridianos e pontos de acupuntura.
Embora ainda não tivesse nenhuma técnica de cultivo interior, naquele mundo de artes marciais seria inevitável aprender. Como homem moderno, não entendia nada de meridianos e pontos; mesmo que lhe dessem a maior técnica marcial, nada adiantaria.
Por isso, empenhou-se em aprender, e naquele lugar remoto, apenas o velho médico podia ensiná-lo.
— Assim sendo, agradeço — sorriu Yecheng, acenando com a cabeça. — Podemos começar hoje?
— Claro — desta vez, o velho Wang não hesitou e começou a instruir Yecheng:
— Já que quer aprender, primeiro precisa conhecer as ervas. Atrás de mim estão as gavetas com várias ervas; leia os rótulos e memorize cada uma, aparência e nome.
— Certo.
Yecheng imediatamente começou, abrindo uma gaveta após outra, observando as ervas, lendo os rótulos, esforçando-se para gravar as características e nomes.
Ao entardecer, quase com o nariz entupido pelo cheiro intenso das ervas, Wang Hu e os outros chegaram com vários pacotes, felizes, indicando que a troca foi bem-sucedida.
— Professor!
Wang Hu entrou no consultório e chamou Yecheng.
— Vamos conversar lá fora — Yecheng olhou para o velho Wang, que estava quase dormindo, e saiu com Wang Hu.
— O velho concordou em me ensinar; vou estudar medicina aqui por um mês, depois volto ao vilarejo.
— Um mês?
Wang Hu, um pouco relutante, olhou para Yecheng, tirou um lingote de prata do bolso e colocou na mão dele.
— Professor, aqui na cidade tudo exige dinheiro. Fique com esta prata; daqui a um mês, venho buscá-lo.
O vilarejo era muito pobre; aquele pequeno lingote representava quase metade da renda anual.
Segurando a prata, Yecheng olhou para o rosto simples e sincero de Wang Hu. Não rejeitou a oferta, guardou o dinheiro e deu um firme tapinha no ombro de Wang Hu.
— Tenham cuidado na volta; andem rápido para chegar antes de escurecer.
— Pode ficar tranquilo, conhecemos bem o caminho — respondeu Wang Hu, sorrindo largamente.