Dói tanto.

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2702 palavras 2026-02-09 14:17:25

Como poderia memorizar com mais clareza as características de cada erva medicinal? E como poderia localizar com mais precisão os próprios pontos de acupuntura? Ye Chen decidiu experimentar em si mesmo. Mastigava cada erva, comparando com as descrições do livro de medicina, gravando-as profundamente na memória. O velho Wang lhe ensinara alguns conhecimentos simples sobre pontos e meridianos, mas, como cada corpo é diferente, identificar os locais exatos não era fácil. Assim, Ye Chen cravava as agulhas de prata incessantemente em si mesmo.

O velho Wang passou a tratá-lo com mais respeito. Um verdadeiro destemido! Melhor não provocar. Daqui a um mês, é melhor despachá-lo!

— Volte para descansar, desse jeito não pode ficar à frente dos outros. Vão achar que minha medicina é ruim — disse o velho Wang, acenando para Ye Chen se retirar. Tomar remédios de qualquer jeito e aplicar agulhas sem critério resultava em olhos tortos, boca torta, parecendo um tolo, sem controle do próprio corpo. Olhando Ye Chen naquele estado, o velho Wang apressou-se em mandá-lo embora.

— Basta descansar o tempo de queimar meio bastão de incenso e estarei bem — respondeu Ye Chen.

Estar em más condições não só prejudica a imagem da clínica, como também afeta o aprendizado. Seguindo o conselho do velho Wang, Ye Chen foi até o quintal dos fundos e voltou ao seu quarto.

Ao entrar, tirou do gaveteiro um punhal — presente de Wang Hu para defesa pessoal —, apalpou as costelas e, após três dias de estudo árduo, já sabia localizar com precisão o próprio coração.

Com um movimento certeiro, o punhal penetrou entre as costelas, atravessando o coração. Doeu muito. Mas parecia que a morte ainda estava distante. Era admirável como a vida resiste; às vezes, mesmo querendo morrer, não se consegue de imediato.

Franzindo o cenho, Ye Chen não queria prolongar aquela dor. Girou levemente a lâmina dentro do peito, destroçando o coração. A dor tornou-se insuportável, e o sangue jorrou, escorrendo pela lâmina para fora do corpo. Uma onda de agonia e, de repente, tudo mergulhou na escuridão.

Na escuridão, nada se via, mas Ye Chen sentia o próprio corpo. Em uma espécie de estado espiritual, podia observar nitidamente seus órgãos internos. O limiar entre a vida e a morte era, de fato, estranho.

— Renascer.

Ao repetir em pensamento, o sangue que transbordara das veias voltou ao lugar de origem, o coração despedaçado se recompôs diante dos olhos, e, num instante, exceto pelo punhal ainda cravado, o corpo estava completamente recuperado.

Recobrando a consciência, Ye Chen retirou o punhal. A lâmina ainda estava vermelha, mas não havia mais sangue escorrendo da ferida, pois, ao removê-la, o dano já estava curado.

Imortal.

A ressurreição podia ser um renascimento total, abandonando o corpo antigo, ou um retorno à vida a partir do corpo original.

Soltou um longo suspiro ao renascer, sentindo um alívio sem precedentes, como se todos os males tivessem sido apagados. Limpo o punhal e o sangue derramado ao chão, Ye Chen deixou o quarto e voltou ao salão principal.

— Você... estava fingindo antes? — O velho Wang, ao vê-lo completamente recuperado, desconfiou que Ye Chen apenas simulava.

— Só para não trabalhar? — desconfiou.

— O senhor está brincando, minha constituição é diferente desde o nascimento, recupero-me rápido — Ye Chen sorriu. — Sua medicina é excelente, o senhor mesmo me examinou. Não confia em seu próprio diagnóstico?

“Justamente por confiar é que não consigo acreditar”, resmungou o velho Wang, olhando para Ye Chen como se fosse um monstro, em silêncio. Pelo pulso que examinara, Ye Chen não se recuperaria sem repouso de dois ou três meses e bom tratamento. Mas...

— Venha cá, deixe-me examinar você de novo.

Agora, a curiosidade do velho Wang por Ye Chen era infinita.

— Claro! Também quero saber o que há de estranho em meu corpo. Desde criança sou diferente, não quero que seja alguma doença fatal devido ao excesso de esforço — disse Ye Chen, aproximando-se voluntariamente, entregando-se ao exame.

Como médico, o velho Wang já vira doenças estranhas e constituições peculiares, mas sempre se sentira motivado a pesquisar mais. E, como objeto de estudo, experimentar os tratamentos era o método mais eficaz de Ye Chen progredir.

— Energia e sangue vigorosos, pulso cardíaco normal, completamente saudável. O pulso está totalmente diferente do desarranjo de antes — o velho Wang largou o pulso de Ye Chen, observando-o de cima a baixo, os olhos brilhando. — Seu corpo é realmente estranho, há algo de errado.

— Você fez algo ao voltar ao quarto? — indagou desconfiado.

— Só deitei um pouco.

Ye Chen deu de ombros, com a expressão mais inocente possível.

O velho Wang ficou em silêncio. Só perguntou por perguntar. Se Ye Chen tivesse algum segredo ou remédio milagroso... Um pobre camponês vindo de uma vila remota, como poderia ter acesso a isso? O velho Wang não acreditava.

— Agora é hora de atender os pacientes. À noite, aplico acupuntura em você, tudo bem?

— Sem problemas — respondeu Ye Chen, satisfeito.

Ao entardecer, o velho Wang, curioso com Ye Chen, fechou a clínica mais cedo. No quintal, sentados à mesa de pedra, Ye Chen estendeu o braço enquanto o velho Wang, com uma agulha de prata, aplicava acupuntura.

— Agora vou aplicar a agulha no ponto Taiyuan do meridiano do pulmão. Diga o que sente.

Ao sentir a fina agulha penetrar o pulso, Ye Chen respondeu:

— Sinto opressão, palpitação, um desconforto geral.

— Isso é normal — assentiu o velho Wang. — O ponto Taiyuan é o início do meridiano do pulmão, a fonte do qi pulmonar. Se estiver bloqueado, a energia não flui, é natural sentir-se assim. Vou continuar; relate qualquer sensação estranha.

O velho Wang continuou, agora na parte inferior do braço. Ye Chen não sabia qual era o ponto, mas não se importava, pois o velho sempre explicava depois, como fez antes.

— Sinto-me melhor. Que ponto é esse, senhor Wang? — perguntou curioso.

— Este é...

O velho Wang nem percebeu que estava ensinando Ye Chen pessoalmente, um privilégio que nem seu discípulo mais próximo tinha.

Após vinte e três pontos, Ye Chen não demonstrou nenhuma reação fora do comum. Com a noite caindo, o velho Wang recolheu as agulhas, prometendo continuar no dia seguinte.

— Senhor Wang, tenho uma dúvida. Cada pessoa tem uma constituição diferente; como encontra o ponto exato? E como controla a profundidade e direção da agulha?

Memorizando os vinte e três pontos, Ye Chen não resistiu à curiosidade: no mesmo lugar, uma variação mínima parece igual, mas como acertar com precisão?

Olhando para Ye Chen, o velho Wang respondeu enigmaticamente:

— Só com prática!

Ye Chen ficou em silêncio.

O velho Wang se retirou; Ye Chen foi jantar. Depois, em seu quarto, pegou as agulhas de prata.

Se é só prática, basta treinar mais.

Com precisão e determinação, cravou a agulha no pulso.

— Maldição! — gritou de dor. Cravou direto na carne, doeu demais!