Urso Grande

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2489 palavras 2026-02-09 14:17:41

— Senhor, sua boca foi abençoada, não foi?

Assim que entraram na montanha, depararam-se com um enorme urso negro. Embora não fosse aquele grande urso com a marca de lua no peito, ainda assim era um animal imponente, de aparência faminta.

Os cães de caça rodeavam o urso, latindo sem parar. Embora o instinto os fizesse hesitar, bastava uma ordem dos donos e avançariam sem hesitar.

— Amarelo, volte para cá.

Ao ver seu cão também se aproximar, Ye Chen o chamou de volta de imediato.

Ora, pequeno, você acha que pode com isso? Não tem noção do próprio tamanho? Com esse corpinho, bastaria um tapa do urso para você não levantar mais.

— Irmão Tigre, chame os seus cães de volta. Façam o que têm de fazer, deixem que eu brinque um pouco com essa fera — disse Ye Chen, com um sorriso animado, dirigindo-se a Wang Hu e os outros, que observavam tudo com cautela.

— Senhor, isso não é brincadeira — alertou Zhang Shan, ao lado de Wang Hu. — Esse urso está no auge da força, não é como aquele tigre velho e cansado que encontramos da última vez.

— Fiquem tranquilos, não vai acontecer nada.

Batendo de leve no ombro de Zhang Shan, Ye Chen caminhou em direção ao urso sob o olhar atento dos demais.

— Irmão Tigre, o que fazemos? — Zhang Shan voltou-se para Wang Hu. Diante da teimosia de Ye Chen, só Wang Hu podia decidir.

— Esperem — respondeu Wang Hu, com expressão séria. — Se o senhor decidiu agir assim, deve ter seus motivos. Vamos ficar de prontidão. Se algo der errado, poderemos ajudar.

O urso, de frente para Ye Chen, ergueu-se sobre as patas traseiras e soltou um urro surdo.

O rugido não era alto, mas carregava aquela selvageria ameaçadora típica das feras, arrepiando até a alma de quem ouvia. Só de perto percebeu-se: em pé, o urso tinha pelo menos dois metros e meio de altura, fazendo Ye Chen parecer uma criança diante dele.

— Vamos, grandalhão, vamos brincar.

Ye Chen cerrou os punhos calejados, quase do tamanho de uma almofada, sua palma grossa e dura como ferro. Concentrou o fluxo de energia interna, envolvendo os punhos, e partiu correndo para atacar o urso, que ainda rosnava.

Apesar de tomar a iniciativa, Ye Chen não era mais rápido que o instinto da fera. O urso avançou, músculos ondulando sob a pelagem, e quando estavam próximos, ergueu-se e desferiu duas patadas, cada uma maior que o rosto de Ye Chen.

Quando as patas desceram, Ye Chen sentiu no rosto a pressão do vento, tamanha era a força. Por um instante, até teve a visão turvada.

— Ei, grandalhão, sua patada até parece mágica, isso não é justo!

Com um sorriso despreocupado, Ye Chen encaixou seus punhos gigantescos contra as patas do urso.

Um som grave ecoou, sem explosão ou poeira. Ye Chen foi lançado para trás, cambaleando sete ou oito passos, o cotovelo deslocado. Apesar de meses praticando a palma de ferro, nem mesmo com energia interna conseguia igualar a força do urso!

No entanto, seu soco também fez o urso recuar por um breve instante.

— Errei o golpe, não concentrei a força direito.

Com brusquidão, Ye Chen colocou o braço de volta no lugar, revendo mentalmente o movimento. Em combate, nada sai tão perfeito quanto no treino; o corpo e a força se desajustam, é difícil atingir a perfeição. E mesmo nos treinos, ele nunca foi perfeito.

— Mais uma vez.

Inspirando fundo, Ye Chen avançou novamente.

O urso, furioso por ter sido ferido por um humano tão pequeno, atacou com ainda mais violência, as garras zunindo no ar.

— Não pense que vai me intimidar só porque ruge alto!

Homem e urso se chocaram quase de imediato. Recordando o erro anterior, Ye Chen ajustou-se, buscando fazer sua energia explodir por inteiro mesmo em movimento rápido.

Imaginava que, com esse soco, derrubaria o gigante como um dragão atravessando o corpo.

Mas a realidade raramente é tão bela quanto os sonhos. O punho de Ye Chen mirou o focinho do urso, mas a criatura, longe de tola, recuou ligeiramente a cabeça e, aproveitando o braço mais longo e pesado, acertou de lado o braço de Ye Chen.

A força brutal desviou o soco e fraturou seu antebraço.

Sem dar tempo, a outra pata veio em seguida, e o corpo maciço do urso tombou sobre Ye Chen como uma montanha.

Se fosse esmagado, Ye Chen sabia que não teria chance de se recuperar.

Mesmo cambaleando pelo golpe, seus treinos de agilidade em cima das estacas e equilibrando tigelas d’água surtiram efeito: os pés ágeis o salvaram. No último instante, empurrou-se para trás, aumentando a distância do urso.

Ao cair, apoiou-se com a mão boa no chão, girou o corpo em um movimento ágil e escapou do alcance das garras.

— Senhor, cuidado! — gritaram Wang Hu e os outros, suando frio ao verem a cena.

— Fiquem tranquilos, nada sério. Podem cuidar do que precisam, não vou terminar isso tão cedo.

Mesmo com o braço quebrado, Ye Chen não pensava em desistir. Podia lutar até com um só braço; queria testar seus próprios limites.

Sem tempo para conversa, lançou-se novamente sobre o urso furioso.

Duas vezes seguidas sem conseguir derrotar o pequeno humano, o urso ficou ainda mais furioso, seus ataques tornando-se selvagens como uma tempestade.

Dessa vez, Ye Chen, já conhecendo a força da fera, não tentou enfrentar de frente. Usou a agilidade do corpo, esquivando-se com destreza.

Nada de técnicas lendárias ou movimentos fantásticos; seus passos eram simples, mas ágeis. Alternava os pés, aproveitando o impulso do solo, inclinando-se nos momentos certos sem perder o equilíbrio.

A energia interna fluía até os pés, explodindo a cada impulso, como se tivesse propulsores, tornando seus saltos e desvios rápidos como nunca.

Os ataques do urso, por mais ferozes que fossem, não conseguiam atingi-lo por enquanto.