Capítulo 13 - O Retorno à Aldeia
— Senhor, você... realmente está bem? — Vendo o braço decepado de Ye Chen e as manchas de sangue em seu peito, Li Erhu sentiu até dor por ele, sem coragem de encarar diretamente.
— Não é nada demais, só preciso que faça um curativo em mim — respondeu Ye Chen.
Embora fosse imortal e não temesse nenhuma conspiração, Ye Chen preferia não expor o seu segredo. Assim, depois de matar o grande tigre, não ressuscitou diante de todos. Afinal, durante a luta, todos viram claramente seus ferimentos; fingir descaradamente seria demais.
Quanto à vez anterior em que ressuscitou, estavam no meio do embate, e ninguém deve ter percebido direito. Mesmo que tivessem alguma dúvida, ao ver Ye Chen tão machucado agora, acabariam encontrando suas próprias explicações.
— Senhor, o senhor é realmente extraordinário — disse Zhang Shan, admirado, enquanto fazia o curativo em Ye Chen.
Encarar um tigre de frente exige não apenas habilidade, mas uma coragem descomunal. Os caçadores conhecem bem as dificuldades de enfrentar feras selvagens.
— Na verdade, ainda falta muito — Ye Chen balançou levemente a cabeça, suspirando. — Com a força que tenho agora, só consegui trocar alguns golpes com este tigre.
— E era um tigre velho e enfraquecido. Se fosse um jovem e vigoroso, talvez eu nem aguentasse o primeiro ataque.
Mesmo superestimando o poder e a ferocidade dos tigres, só ao enfrentá-los de verdade se percebe o quanto ainda os subestimou.
— Pronto, vamos voltar para a aldeia. Preciso descansar um pouco.
Tocando o ferimento no peito, Ye Chen sentiu a dor intensa e queria logo retornar para se recuperar, pois era difícil suportar.
— Senhor, deixe que eu o carrego, vamos voltar agora mesmo.
Enquanto Li Erhu e outro homem carregavam o tigre, Ye Chen foi levado nas costas de Zhang Shan. O grupo desceu a montanha em clima de festa.
Ao chegar à aldeia, de longe, o pequeno Li Sanhu correu ao encontro do pai, animado, limpando o nariz e gritando:
— Papai matou um tigrão!
O alvoroço logo chamou a atenção de todos na aldeia. Wang Hu, acompanhado do filho Wang Lin, saiu de casa e, olhando de longe para o tigre, exclamou admirado:
— Erhu está cada vez mais habilidoso. Conseguiu trazer um tigre em apenas um dia!
Wang Hu sempre confiou em Li Erhu, mas um sucesso tão rápido ainda o surpreendia. Na sua opinião, caçar um tigre levaria pelo menos um mês.
Tentando conter a surpresa, desviou o olhar do tigre e, ao ver Ye Chen sendo carregado por Zhang Shan, seu rosto mudou drasticamente. Mais do que o tigre, Wang Hu se preocupava com Ye Chen.
Correu até ele e, vendo-o coberto de feridas e com sangue escorrendo pela roupa, perguntou, aflito:
— Senhor, foi o tigre que lhe feriu assim? Está muito grave? Vamos já para a cidade procurar seu mestre, o doutor Wang!
— Eu mesmo sou médico, não se preocupe. Dois dias de repouso e fico bom — Ye Chen acenou com a mão, sorrindo do alto das costas de Zhang Shan, tentando acalmar todos. — Zhang Shan, leve-me para casa. Preciso me concentrar para me recuperar. Aqui não é adequado. Vocês cuidem do tigre, ele precisa ser bem aproveitado.
Dispensando os demais, Ye Chen deixou-se levar por Zhang Shan até seu quarto.
— Erhu, você não prometeu que nada aconteceria ao senhor? — Wang Hu olhou severo para Li Erhu após a saída de Ye Chen.
— Foi o senhor quem insistiu em enfrentar o tigre sozinho... Mas, realmente, ele é incrível. Matou o tigre com as próprias mãos — respondeu Li Erhu, envergonhado.
O caçador mais jovem, porém, não conteve a admiração e narrou a cena:
— Wang, você não faz ideia! O tigre era astuto, não caía em nossas armadilhas. Estávamos prestes a desistir, quando o senhor surgiu como um deus, rugiu e fez o tigre sair do esconderijo...
Com gestos entusiasmados e voz cheia de reverência, o jovem caçador descreveu a cena, olhos brilhando ao olhar para Ye Chen.
— Uau, o senhor é mesmo incrível!
— Eu sabia que ele era o melhor!
Os jovens ouviam maravilhados, estrelas nos olhos. O caçador sabia contar histórias, alternando emoção e suspense, conquistando especialmente as crianças, que gravaram para sempre a imagem heroica de Ye Chen enfrentando o tigre.
Wang Hu, porém, achou a narrativa um tanto exagerada. Quando o senhor ficou tão poderoso assim? Parecia conversa fiada. Olhou para Li Erhu, buscando confirmação.
— É como ele disse: o senhor matou o tigre sozinho, realmente. Não temos como negar — Li Erhu, também admirado, confirmou.
— Tentamos ajudar, mas o senhor avançou de repente, não houve tempo — explicou ainda.
De fato, naquele momento, qualquer intervenção poderia ter sido fatal.
— O importante é que voltaram todos bem.
— Mas como estão os ferimentos do senhor?
Ye Chen não permitiu que examinassem, o que deixava Wang Hu apreensivo.
— O braço está quebrado e o peito arranhado, mas já conseguimos estancar o sangue. Pela força dele, não será problema — disse Li Erhu.
Para um caçador, ferimentos eram comuns. Se não fossem mortais, logo estariam recuperados.
— Menos mal. — Wang Hu sorriu aliviado, olhando para o tigre estendido no chão. — Há anos não caçávamos um tigre. Preparem a pele e cuidem bem dele. Quando o senhor melhorar, faremos uma grande celebração.
Enquanto isso, Ye Chen já estava em seu quarto, contorcendo-se de dor. Ao tocar de leve a ferida no peito, sentiu uma pontada profunda. Na luta, não sentira nada, mas agora, sozinho, era difícil suportar.
Concentrou-se, circulou a energia vital pelo corpo, direcionando-a ao cérebro, e, num instante, sofreu uma morte cerebral voluntária. Tudo escureceu.
Em um piscar de olhos, ressuscitou.
Todos os ferimentos estavam completamente curados. Movimentou o corpo e percebeu a diferença do estado anterior, de dor e fraqueza, para o vigor atual. Apenas as ataduras e os emplastros de ervas o incomodavam.
— Melhor fingir por uns dias — pensou, decidido a suportar mais um pouco. Recuperar-se tão rápido de feridas tão graves seria estranho, poderia levantar suspeitas desnecessárias.
Tendo passado o dia ocupado, Ye Chen não participou da movimentação lá fora, onde preparavam a pele do tigre. Caiu num sono profundo.
No dia seguinte, ao amanhecer, Wang Lin e Tigresa vieram cuidar de Ye Chen e preparar sua comida. Depois, chegaram Wang Hu, Li Erhu e Zhang Shan.
— Querem me dar a pele do tigre? — Ye Chen riu diante da proposta de Li Erhu. — Nada disso, essa pele será o dote da Tigresa. Não comecem a inventar moda. Vivemos juntos há tanto tempo, não precisamos dessas bobagens. Apenas me deixem os ossos do tigre, que servirão como remédio.
— Quanto aos meus ferimentos, não se preocupem. Eu sou médico e, em dez dias, estarei completamente recuperado.