Número Um: O Fim de Tudo
Vestido com uma camiseta branca de manga curta, trazendo no peito a estampa de Qianren Xue, calça preta casual, tênis esportivo Li Ning nos pés, medindo um metro e setenta, cabelo raspado certinho, Ye Chen apareceu de repente no mundo de As Oito Seitas do Dragão Celestial.
Mais precisamente, este era o universo da versão de 1997 de As Oito Seitas do Dragão Celestial.
“Colete a sorte de Qiao Feng, Duan Yu e Xu Zhu, e poderá abrir o canal do espaço-tempo, viajando para outros mundos.”
Uma voz fria, impessoal e sem emoção alguma ressoou em sua mente.
Foi essa mesma voz que o trouxe até aqui.
Antes disso, Ye Chen estava apenas passeando pela rua, quando, do nada, uma voz lhe perguntou se queria viver uma vida de imortalidade, riqueza ao alcance das mãos, poder ilimitado e mulheres à vontade.
Como homem, sua resposta só poderia ser afirmativa.
E então, de repente, apareceu ali.
“O que você é? Que tipo de mundos são esses outros lugares?” Ye Chen não se preocupou em perguntar sobre mulheres, riquezas ou poder. Agora, só queria entender o que estava acontecendo.
O que achara ser apenas um devaneio, parecia agora se tornar real!
Seu temperamento sempre foi calmo, por isso não sentiu pânico, mas sabia que precisava entender a situação, afinal...
Pelo que aquela voz dizia, ele provavelmente teria que viver para sempre naquele lugar.
“Existem muitos outros mundos, escolhidos ao acaso, mas todos derivados de séries e filmes do nosso tempo.” A voz respondeu, serena. “Quanto a conseguir a sorte dos três, saiba que ela é concedida pelo Céu, e enquanto eles estiverem vivos, não pode ser retirada. Porém, ao morrerem, a sorte se dispersa, e, estando ao lado deles nesse momento, você naturalmente a absorverá.”
“Quer dizer que espera que eu os mate?” Ye Chen perguntou novamente.
“Ou pode simplesmente esperar que morram de velhice. Não se esqueça: agora você é imortal.” A voz repetiu em sua mente.
“Imortal?”
Bateu as palmas das mãos, sem sentir nada de diferente em seu corpo. Seria mesmo imortal assim, do nada?
Parecia algo saído de um conto fantástico.
Mas, pensando bem, atravessar mundos já era por si só algo fantástico!
Logo, não achou tão estranho assim.
“Você ainda tem direito a uma última pergunta. Quando perguntar, eu desaparecerei.” A voz avisou, por iniciativa própria.
“Onde estão o poder, as riquezas e as mulheres que você prometeu?”
Após refletir, Ye Chen decidiu não perguntar sobre como voltar. Era órfão, afinal, e sobreviveria em qualquer lugar. Preferia ir direto ao ponto.
“Tendo um corpo imortal, essas coisas não estarão facilmente ao seu alcance?”
“Pronto, suas perguntas acabaram. Agora vou tratar dos assuntos do próximo cliente. Até logo.”
Com um “tchau” totalmente despreocupado, a voz sumiu de sua mente.
“Ei, ei...”
Chamou várias vezes, xingou baixinho, mas não houve resposta. Parecia que aquela entidade, fosse o que fosse, realmente se fora.
Olhando ao redor, percebeu que estava em uma trilha sinuosa, cercada por montanhas altas e florestas. O som de animais ecoava, o céu era azul com nuvens brancas, e o sol já ia alto.
A paisagem era belíssima, mas não havia vivalma à vista.
“Melhor sair daqui logo!”
Diante dos fatos, Ye Chen decidiu que o melhor seria procurar algum sinal de civilização.
O barulho nas matas ao lado deixava claro que havia animais por perto, e não queria testar na prática se era mesmo imortal caso surgisse uma fera repentina.
Seguiu passo a passo pela trilha tortuosa, que parecia não ter fim.
Nada de asfalto, apenas terra batida, pedras e lama dificultando o caminho.
Auuu~~~
Enquanto caminhava em silêncio, um urro estrondoso ecoou da mata ao lado.
Logo depois, a vegetação se agitou, um vento feroz soprou na sua direção, levantando poeira, fazendo Ye Chen esfregar os olhos.
E então!
Sua mão ficou parada junto ao rosto, pois pelo canto dos olhos viu um tigre rajado saltar da floresta, parando exatamente à sua frente.
O animal media ao menos três metros, o símbolo de rei na testa reluzente, presas amarelas e manchadas de sangue...
Deixou a mão cair, o instinto era fugir, mas suas pernas não respondiam, fraquejaram.
O tigre o fitava, e aqueles olhos intimidadores impunham uma pressão que Ye Chen jamais sentira. Um medo profundo e instintivo o paralisava.
Aquele olhar de predador do topo da cadeia alimentar fazia seu sangue gelar.
“Droga, não imaginei que eu seria tão covarde assim.”
Antes, ao ver mulheres desmaiando ou paralisadas em perigo na TV, achava ridículo. Agora, reconhecia o próprio medo com um sorriso amargo.
Roooaaar~~~
Imóvel, Ye Chen era observado pelo tigre, que, vendo-o paralisado, não atacou de imediato.
Porém, baixou o corpo, enrugou o focinho, mostrou as presas, a cauda se moveu de um lado para o outro, rosnando ameaçadoramente. Era claro que avaliava a força daquele humano e planejava o ataque.
Diante disso, Ye Chen percebeu que estava perdido.
Nunca tinha matado um porco, mas sabia bem como era ver um correr. O estado daquele tigre não permitia final pacífico.
Respirou fundo, expulsando o choque e o medo. Pouco a pouco, recuperou a calma.
Mexeu os pulsos e tornozelos, percebendo que ainda podia movê-los, mas os joelhos continuavam trêmulos.
Correr?
Nem cogitou essa opção.
“E aí, você é o número um dos condenados?”
Sorriu de canto, com desdém. Que podia fazer? Era apenas uma pessoa comum!
Só podia tentar morrer com dignidade, pelo menos zombando do animal antes do fim!
Talvez o tigre tenha entendido suas palavras, pois, com um rugido, saltou sobre ele.
Como dragão que desce das nuvens, como tigre que surge do vento, a fera avançou em meio à poeira, a pata do tamanho de um prato desferiu um golpe certeiro no peito de Ye Chen, enquanto a boca fétida mirava sua garganta.
Na tensão do confronto, as pernas estavam moles, mas, no instante em que o tigre pulou, Ye Chen sentiu uma força emergir no corpo, toda fraqueza sumiu, substituída por uma explosão de energia.
“Vamos ver se você aguenta, seu tigre, hoje você vai conhecer o poder do seu avô Wu Song!”
Impulsionou-se com as pernas, cerrando os punhos, lançando-se de encontro ao ventre alvo do tigre, desejando profundamente que um herói lendário o possuísse.
Porém...
Pum!
Com uma patada, o tigre lançou Ye Chen pelo ar. Seu peito afundou, não sabia quantas costelas quebrou, o ar lhe faltava, provavelmente até o pulmão estava danificado. E, logo depois, viu, impotente, a bocarra ensanguentada abocanhar sua garganta.
Rosto colado ao do tigre, seus olhos quase tocaram os da fera.
“O que está olhando?”
O olhar de Ye Chen transmitia exatamente essas palavras.
Olhos são as janelas da alma. Naquele momento, homem e tigre se conectaram, e com um movimento seco, a fera quebrou-lhe o pescoço, mergulhando sua consciência na escuridão.
Mesmo assim, seus olhos teimosos continuaram bem abertos.
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