A instrução

Sobrevivi a Todos os Mundos Pão cozido no vapor e pão recheado 2504 palavras 2026-02-09 14:18:16

Depois de ser espancado por Xu Fu, Ye Chen sentou-se de pernas cruzadas no chão, ativando a Técnica da Eterna Primavera. O fluxo vital, semelhante a uma névoa etérea, envolvia todo o seu corpo. Esse vigor transformava-se em chuva suave e caía, enquanto as agulhas de prata estimulavam os pontos energéticos; carne, sangue e ossos danificados, ao entrarem em contato com essa energia difusa, absorviam-na ávidamente, como terras áridas recebendo as primeiras chuvas após longa seca.

Esse era um padrão que Ye Chen havia desenvolvido após mais de dez anos de prática da Mão de Areia de Ferro. A acupuntura, ao estimular o corpo de maneira específica, deixava as células lesionadas em estado de fome, levando-as a absorver instintivamente toda energia disponível para se regenerar.

Essa absorção, porém, respeitava os limites do corpo humano, não permitindo uma cura instantânea, mas melhorando significativamente os efeitos restauradores do vigor interno. O corpo, ao ser repetidamente danificado e restaurado, desenvolvia uma resistência cada vez maior aos estímulos externos, levando naturalmente a níveis mais altos tanto na Mão de Areia de Ferro quanto na Camiseta de Ferro.

O princípio era o mesmo: ossos quebrados, ao serem reconectados, tornavam-se ainda mais resistentes.

Contudo, tal método trazia grandes desvantagens. Primeiro, devorava o vigor interno; a cada vez que praticava a Camiseta de Ferro, para saciar as células, consumia-se o equivalente a três dias de acúmulo de energia. Se não fosse pela capacidade de Ye Chen de acumular prática através da morte, seu cultivo em vigor certamente se enfraqueceria dia após dia.

Em segundo lugar, esse método de estimular as células a devorar energia vital para se restaurarem era, na verdade, uma forma de consumir a própria vida. O funcionamento da vida obedece a leis próprias, e forçar intervenções, como quem varou a noite em claro, traria inevitáveis consequências.

Ao término da prática, Ye Chen soltou um longo suspiro. O corpo, que há pouco estava tomado pela dor, agora era invadido por uma onda de calor confortável; era o sinal de que as células haviam se saciado do vigor.

— Mestre, está bem? — Embora sempre visse Ye Chen se autoflagelar dessa forma sem nunca haver problemas, era a primeira vez que usava as próprias mãos. Ao notar Ye Chen abrir os olhos e respirar fundo, Xu Fu finalmente relaxou o espírito inquieto.

— Claro que estou bem — sorriu Ye Chen, olhando para o céu já quase escurecido. — Vamos para casa. Se demorarmos mais, o que espera? Que eu ainda tenha que te convidar para jantar?

— Hehe… Se o mestre quiser, eu também gostaria de provar — Xu Fu, ainda ingênuo, deixou escapar um sorriso travesso.

— Já que é assim, hoje você vai provar da minha comida — Ye Chen, com um leve sorriso nos lábios, não se importava em ter alguém para lhe fazer companhia à mesa.

Durante o jantar, o pequeno de repente lançou uma pergunta:

— Mestre, por que não arranja uma esposa?

— Sem mulher no coração, a espada reluz com naturalidade — respondeu Ye Chen, fitando Xu Fu. — Vocês, moleques, realmente não têm nada para fazer. Todo dia falando da vida do mestre… Amanhã, na aula, quero que todos copiem os Analectos mil vezes!

As crianças eram curiosas, especialmente nessa idade, e tinham grande interesse pela vida privada do professor. Os pais, vez ou outra, também faziam comentários, o que alimentava a curiosidade dos pequenos sobre a vida de Ye Chen.

Havia até mesmo algumas meninas que, cheias de expectativa, sonhavam em crescer para poder casar com ele.

Quanto a isso, Ye Chen normalmente ignorava. Fantasias juvenis, inocência dos tempos áureos. Mas agora, eles já se sentiam à vontade para comentar tais coisas em sua presença; talvez fosse hora de lhes impor um pouco de disciplina.

— Ah!? — Xu Fu até sentiu as mãos tremerem. Embora tivesse passado no exame de letrado, ainda não deixara a escola, e teria que copiar mil vezes também. Agora, arrependia-se amargamente de ter ouvido as provocações de Wang Biao; acabara se metendo em apuros.

— Pare com isso e coma! — Ye Chen bateu com os hashis na cabeça do garoto e disse calmamente: — Agora que você já é letrado, não precisa mais frequentar a escola.

— Não sou um grande sábio, não possuo sabedoria extraordinária, tampouco entendo os caminhos da administração. Já não tenho mais o que lhe ensinar.

— E mais!

— Se continuar comigo, pode acabar herdando meu temperamento, e isso não será bom para sua ascensão na corte.

— Nos próximos dias, procurarei alguém para ser seu novo mestre, um grande sábio. Que você possa iniciar uma nova jornada de estudos com ele.

Ye Chen tinha consciência de suas limitações. Suas aulas eram introdutórias, focadas no pensamento, mas não preparavam para a cultura burocrática e os exames deste tempo. Por isso, ficou surpreso ao saber que Xu Fu havia passado no exame de letrado.

— Mestre, está me dispensando? Prometo que nunca mais vou falar da sua vida, mas não me mande embora — o garoto largou os talheres e, com voz embargada, segurou a manga de Ye Chen.

— Deixe de drama! — Percebendo o brilho travesso nos olhos do garoto, Ye Chen deu-lhe um peteleco na testa.

— Ai, ai, ai… — Xu Fu segurava a cabeça, pulando de dor.

Esse era o resultado do ensino de Ye Chen: arguto, esperto, sabia fingir, mas jamais seria aprisionado pelas rígidas normas da sociedade. Isso era uma virtude, mas também um risco.

— Mestre, por pouco não abalou o futuro primeiro-ministro do império — disse Xu Fu, massageando o galo na testa, com ar ressentido.

— Diga isso quando alcançar tal posto — Ye Chen respondeu friamente. — Esse tapa é para te lembrar: a carreira política não é tão fácil como imagina; seja sempre prudente.

— Mas talvez não seja assim tão difícil — Xu Fu sorriu, repleto de autoconfiança. — O mundo gira em torno do interesse, todos buscam o próprio benefício. Se eu souber para onde ele aponta, poderei ascender.

Para alguém tão jovem já ser letrado, Xu Fu tinha um discernimento fora do comum, enxergando até mais longe que muitos adultos.

— Ainda assim, não veja só o lado do lucro. Entre ganhos e perdas, às vezes, perder pode ser mais vantajoso do que ganhar — Ye Chen o advertiu a não ser excessivamente pragmático.

O garoto era perspicaz, entendia as leis do mundo, mas a juventude pode levar a extremos; era preciso alertá-lo.

— Sim, sim! — Xu Fu assentiu energicamente, confiando plenamente nas palavras de Ye Chen.

— E mais uma coisa, quando for estudar fora, fale pouco sobre nossa família — Ye Chen alertou. — A política é cheia de incertezas: hoje, alguém é nobre; amanhã, pode arrastar toda a família consigo. Não esperamos que traga glória ao clã, mas também não queremos que cause desgraça. Cuide da sua vida e persiga seus sonhos.

— Se algum parente vier pedir favores, ajude se puder, mas se não puder, recuse. Não se prenda a laços de aldeia. Comigo como chefe do clã, dificilmente isso será um problema.

As palavras de Ye Chen eram sérias, talvez até prematuras, já que o pequeno era apenas um letrado, podendo jamais ir além desse título.

Contudo, há conselhos que é melhor dar cedo do que tarde.

Embora na Grande Canção não houvesse tradição de eliminar estudiosos, a política era um campo de disputas ferozes. Quando alguém caía, podia realmente sair ileso?

Como líder do clã, Ye Chen não buscava glória para sua gente, mas apenas paz, estabilidade, cultura e felicidade.

— Sim, mestre, entendi — respondeu Xu Fu, assentindo com seriedade diante das orientações do professor.